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Os ataques ao World Trade Center vistos da Índia
Opinião Mundo 2 min. 06.09.2021
Onde estava no 11 de Setembro

Os ataques ao World Trade Center vistos da Índia

Onde estava no 11 de Setembro

Os ataques ao World Trade Center vistos da Índia

Foto: Anja_Niedringhaus/epa/dpa
Opinião Mundo 2 min. 06.09.2021
Onde estava no 11 de Setembro

Os ataques ao World Trade Center vistos da Índia

Diogo RAMADA CURTO
Diogo RAMADA CURTO
A violência da destruição das torres de Nova Iorque, com tudo o que isso representava de ataque ao Ocidente, repôs a ideia de um choque de civilizações.

Há vinte anos, tinha ido a Goa para investigar no Arquivo Histórico. Estava aboletado na delegação da Fundação Oriente, situada no bairro histórico das Fontainhas. Rosa Maria Perez, antropóloga com uma larga experiência de trabalho na Índia, partilhava toda a sua experiência daquelas bandas com o pequeno grupo de portugueses que ali se encontrava. 

De manhã, trabalhávamos no arquivo. As condições não eram as melhores, uma vez que o mesmo continuava a funcionar como conservatória. Depois, almoçávamos no Hotel Nova Goa. O dono era Audhut Kamat – um engenheiro do Instituto Superior Técnico já falecido, de uma afabilidade quase lendária – que aparecia para o café e nos contar histórias. 

Naquele dia, foi ao passar pelo Corto de Ourém, em direção à Rua Filipe Nery Xavier, onde costumávamos ligar para Portugal, que chegou a primeira informação do que estava a acontecer. Era impossível fazer qualquer telefonema, porque tinha caído um avião em Nova Iorque. Foi o que disse o proprietário da loja. Confesso ter pensado, meio incrédulo: mas o que é que uma coisa tem a ver com a outra? 

Ao chegar à Fundação, no bairro das Fontainhas, liguei a BBC. Estavam a repetir as imagens da queda da primeira torre, quando vi em directo a destruição da segunda. Lembro-me de só ter visto, mais tarde, as imagens do Pentágono e da floresta onde se despenhou o quarto avião. Ainda ficámos em Goa mais umas duas ou três semanas. Voltámos para a Europa via Paris e já sentimos o reforço das medidas de segurança nos aeroportos. 


"Lembro-me de ter pensado que a religião, seja ela qual for, não tem razão"
Nos 20 anos do 11 de Setembro, aqui fica a segunda de sete histórias sobre um momento que nunca nenhum de nós conseguirá esquecer.

Nas investigações que tinha em curso, naquela época, o objectivo era demonstrar a falta de um ascendente da Europa sobre a Ásia, em particular, no Oceano Índico. Ao fazê-lo, ajudava a pôr em causa uma visão eurocêntrica do Mundo. 

As minhas pesquisas contribuíam para pôr em causa a ideia de que  o modelo europeu e ocidental – que culminara na vitória da democracia sobre todos os outros regimes comunistas ou autoritários – representava o fim da história. Com a queda do Muro de Berlim, em finais de 1990, a síntese de Fukuyama parecia querer impor a racionalidade do Ocidente como única chave de interpretação e organização a ser exportada a uma escala global.  

Porém, a violência da destruição das torres de Nova Iorque, com tudo o que isso representava de ataque ao Ocidente, repôs a ideia de um choque de civilizações. Já não era tanto o regime político que contava, mas as religiões que pareciam determinar o sentido da história. O que aconteceu depois é conhecido, a começar pela guerra ao terrorismo e o envio de tropas para o Afeganistão, até hoje....  

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