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O céu que nos proteja
Opinião Mundo 2 min. 10.09.2021
Onde estava no 11 de Setembro

O céu que nos proteja

Onde estava no 11 de Setembro

O céu que nos proteja

Foto: AFP
Opinião Mundo 2 min. 10.09.2021
Onde estava no 11 de Setembro

O céu que nos proteja

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
No Expresso os jornalistas fumavam em cadeia, de queixo caído, numa salinha onde a televisão repetia as aeronaves da American Airlines a atravessar as torres do World Trade Center, deixando um rasto de fumo e pânico no azul do céu.

Estava um céu lindo de setembro em Lisboa, lembro-me como se fosse ontem. Fim de férias, planos até ao natal de 2001. Os medos globais da passagem do milénio em que um bug poderia atirar o planeta para trevas medievais estavam mais que ultrapassados. Nestes dias de setembro tudo parece promissor.

Como fazia várias vezes, fui com uma colega do Expresso, jornal onde trabalhava há anos, almoçar a um dos muitos balcões de 'tias' que abundavam na zona do Marquês de Pombal. Era despachado. Come-se uma sopa e uma salada e ainda há tempo para passear e virar cabides. Nesse dia, fomos ao centro comercial do edifício Castil. À saída, uma conversa entre duas empregadas da Loja das Meias – um estabelecimento de prestígio da capital que vendia os vestidos Escada e Versace que as tias dos pronto-a-comer já não podiam comprar. "Parece que um avião caiu em cima de uma torre", dizia uma delas num tom despropositado para contar um filme tipo "Assalto ao Arranha-céus".

Falar do 11 de Setembro como uma fita de ação é muito cliché, mas o que aconteceu segue o guião de filmes de apocalipses. É nos dias bonitos que o pior acontece. Na ficção, a tragédia tem esta mania de apanhar de surpresa. O cogumelo atómico de tantos filmes sobre a guerra fria (o "Day After", de 1983, lembram-se?) desenha-se num céu límpido. Quem escreve argumentos já sabe que os maiores efeitos são conseguidos pelos contrastes: uma boca inocente a proferir obscenidades ou um canalha a sussurrar poesia lírica. Também estava uma manhã de sol naquela terça-feira em Nova Iorque quando os relógios pararam nas torres gémeas. Será que os bombistas da Al-Qaeda planearam o terror do ponto de vista estético, cinematográfico?


ARCHIV - 11.09.2001, USA, New_York: Blick über das Häusermeer von Manhattan auf die brennenden Zwillingstürme des World Trade Centers. Zwei Flugzeuge sind innerhalb von kürzester Zeit in das World Trade Center in New York gestürzt - der Beginn einer Serie von verheerenden Terroranschlägen in den USA. Die USA gehen davon aus, dass Terroristen dafür verantwortlich sind. Die Zwillingstürme des World Trade Centers sind nach Explosionen im unteren Teil der Gebäude inzwischen eingestürzt. Tausende Menschen sollen verletzt worden sein. (zu dpa «20 Jahre 9/11: Terroranschläge in den USA») Foto: -/Ipol/dpa +++ dpa-Bildfunk +++
"Não morri nas Torres porque Deus tinha planos para mim"
Três portugueses apanhados no centro do ataque às Torres Gémeas relatam ao Contacto o dia de horror com as emoções ainda à flor da pele. Vinte anos depois os traumas permanecem.

Nos minutos que se seguiram, da Rua Castilho até ao edifício premiado de Ventura Terra na Duque de Palmela - onde o Expresso nasceu em 1973 e em 2004 se instalou o Bank of China - eu ainda não sabia que o mundo estava prestes a mudar. No segundo andar do velho edifício, onde funcionava a redação da Revista e do caderno Vidas, os jornalistas fumavam em cadeia, de queixo caído, numa salinha onde a televisão repetia as aeronaves da American Airlines a atravessar o World Trade Center, deixando um rasto de fumo e pânico no azul do céu.

Em 2011, na efeméride dos dez anos, a revista Atlantic publicou fotos do que aconteceu na semana anterior, de como era a vida antes. Por exemplo, Michael Jackson chegava ao Madison Square Garden com Elizabeth Taylor para celebrar o seu aniversário – como só há 20 anos?!. E, surpreendentemente, uma imagem da aldeia de São Jorge da Beira, em Portugal, rodeada por incêndios florestais. Mas há também fotografias dos taliban em Cabul e mulheres de burca nas ruas. Here we go again!

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