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Onda crescente de ataques com explosivos assusta a Suécia
Mundo 2 min. 13.11.2019

Onda crescente de ataques com explosivos assusta a Suécia

Onda crescente de ataques com explosivos assusta a Suécia

Foto: Johan Nilsson/AFP
Mundo 2 min. 13.11.2019

Onda crescente de ataques com explosivos assusta a Suécia

É uma vaga sem precedentes de ataques com explosivos cada vez mais frequentes. Só nos últimos dois meses, o país assistiu a 30 ações deste tipo.

Se no princípio estes atos violentos verificavam-se nas cidades mais pequenas e nos subúrbios da capital, as explosões são cada vez mais frequentes no centro de Estocolmo. Só em outubro, a capital da Suécia assistiu a três ataques na mesma noite. O grupo especial de minas e armadilhas das forças policiais suecas foi solicitado pelo menos 97 vezes nos primeiros nove meses de 2019.

De acordo com uma investigação da BBC, este tipo de crime não aparecia sequer nas estatísticas do país antes de 2017. Contudo, logo em 2018, já havia 162 explosões registadas. Apenas um em cada dez destes crimes cometidos no ano passado levaram a alguma condenação por parte dos tribunais. Nos últimos dois meses, houve 30 ataques com recurso a explosivos.

A BBC cita a responsável de inteligência do departamento de Operações Especiais da polícia sueca, Linda H. Straaf, que afirmou que “explosivos improvisados e granadas” representam a maioria dos casos. Os ataques são geralmente perpetrados por gangues contra grupos rivais, afirmou a especialista. 

O fenómeno é tão surpreendente que equipas da polícia sueca foram enviadas para países como os Estados Unidos, Alemanha e Noruega para receberem treino especializado e mantêm um intercâmbio de informações com especialistas das forças armadas suecas que tiveram experiência com explosivos no Afeganistão e em vários países de África.

"É algo novo na Suécia e por isso estamos à procura de conhecimento noutras partes do mundo", afirma Mats Lovning, chefe do departamento de Operações Especiais da Polícia da Suécia, à BBC. O criminologista Amir Rostami chegou a comparar a Suécia ao México, país marcado pelo conflito entre fações criminosas e que, como a Suécia, "não está envolvido exatamente numa guerra ou tem um historial de terrorismo".

De acordo com a polícia sueca, os criminosos por trás das explosões são os mesmos que estão por trás do aumento dos delitos com armas de fogo no país, ligados ao tráfico de droga. As estatísticas suecas contabilizam 45 mortes por arma de fogo em 2018, contra 17 em 2011. 

As razões para o uso de explosivo pelos criminosos ainda não estão claras. As autoridades não divulgaram o perfil dos suspeitos ou dos criminosos que já foram detidos mas Linda H. Straaf afirmou, porém, que a maioria tem características em comum: "Muitos cresceram na Suécia, em ambientes de maior vulnerabilidade social, e fazem parte da segunda ou terceira geração de famílias de imigrantes". Apesar disso, à BBC, Straaf acrescentou que "não é correto" inferir que a chegada de novos imigrantes esteja ligada à atividade das fações criminosas.

Mesmo sem conclusões sérias, os ataques têm sido usados como arma política para criar um ambiente favorável a uma imposição maior de restrições à entrada de imigrantes no país.

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