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Obama: Um aviso contra Trump no centenário de Nelson Mandela

Obama: Um aviso contra Trump no centenário de Nelson Mandela

Foto: Reuters
Mundo 2 min. 17.07.2018

Obama: Um aviso contra Trump no centenário de Nelson Mandela

Ex-presidente dos Estados Unidos discursou em Joanesburgo, criticando "a ascensão dos homens poderosos na política", ou seja, uma crítica velada a Donald Trump e aos movimentos populistas.

Se fosse vivo, Nelson Mandela chegaria aos 100 anos esta quarta-feira. Falecido a 5 de dezembro de 2013, o símbolo da luta contra o apartheid na África do Sul, líder do ANC detido durante 27 anos até à libertação em 1990 e a quem nem a violência, nem as prisões conseguiram vergar, vencedor do Prémio Nobel da Paz em 1993 e presidente sul-africano entre 1994 e 1999, foi homenageado em Joanesburgo. Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, aproveitou a ocasião para deixar críticas veladas a Donald Trump, no dia seguinte à cimeira entre este e Vladimir Putin, na qual ambos negaram a influência russa sobre as eleições presidenciais dos EUA em 2016.

Falando contra "a ascensão dos homens poderosos na política", numa alusão indireta a Trump e a outros protagonistas de movimentos populistas, Obama lembrou: "A política do medo, do ressentimento e da redução de gastos começaram a surgir. E esse tipo de políticas estão agora a dominar a um ritmo que nos parecia inimaginável há apenas alguns anos", defendeu, perante perto de 15 mil espectadores.

De seguida, o ex-presidente norte-americano apontou: "Não estou a ser alarmista, mas só a constatar factos. Olhem à volta: políticos poderosos estão a destacar-se, de súbito, sob a cobertura das eleições e por uma democracia que mantém a sua forma, embora permita àqueles que estão no poder a possibilidade de minarem todas as instituições e normas que dão significado a essa mesma democracia".

"É preciso acreditar nos factos, caso contrário não existem pontos de apoio para estabelecer a cooperação", referiu. "Se eu disser que isto é um pódio e vocês contrapuserem que se trata de um elefante, será muito delicado definir entre nós uma cooperação. Não haverá base para o entendimento se alguém disser que as alterações climáticas não vão acontecer quando todos os cientistas, à escala mundial, nos alertam nesse sentido. Não sei como podemos começar sequer a falar sobre este assunto caso alguém diga que se trata de um erro elaborado", sustentou, noutra alusão a opiniões de Trump. 

Ainda assim, o antecessor do atual presidente dos EUA quis deixar uma mensagem de esperança antes de finalizar e utilizou o exemplo de Mandela para concretizar as suas ideias. "Acredito na visão de Nelson Mandela, uma visão de equidade, justiça, liberdade e democracia multirracial construída na pretensão de que todos os povos têm direitos inalienáveis. E, num mundo governado segundo esses princípios, haverá espaço para mais paz e cooperação na busca do bem comum", sintetizou. 

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