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O racismo é uma droga dura
Editorial Mundo 2 min. 17.07.2019

O racismo é uma droga dura

O racismo é uma droga dura

Foto: AFP
Editorial Mundo 2 min. 17.07.2019

O racismo é uma droga dura

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Os Trumps desta vida não pretendem democratizar o planeta e combater as desigualdades crescentes. O que eles querem é garantir o poder e o dinheiro para si. Repetindo com novas roupagens aquilo que tem sucedido até agora.

No século passado, em um cinema, hoje transformado em loja da Zara, passavam regularmente filmes de realizadores de países estranhos como a França. Lembro-me de um filme dirigido por Alain Resnais e dava pelo nome de o “O Meu Tio da América”. Aí a vida comum acontecia entre experiências com ratos brancos. Numa delas, era explicado que um rato sozinho que leva periodicamente choques elétricos costuma morrer depressa, mas que se juntarmos outro rato e se os dois passarem otempo a andar à pancada, enquanto levam com choques elétricos, sobrevivem muito mais tempo. Se o outro rato fosse preto, tínhamos aqui uma parábola para que serve o racismo.

Não gosto de ter de explicar com dados lógicos que o racismo e o sentimento anti-imigrante são prejudiciais para a imensa maioria das pessoas do ponto de vista económico e social. Não porque não haja explicações que sustentem estas evidências, mas porque mesmo que não as houvesse, estas situações não deixariam de ser totalmente intoleráveis. É verdade que estudos da OCDE, elaborados em 2014, que se debruçaram sobre as previsões económicas até 2060, concluíram que se a Europa e os EUA não absorverem, cada uma, 50 milhões de imigrantes, não será possível manter o crescimento económico e ter gente suficiente para coletar e garantir as despesas do Estado. Nessa altura, os Estados da Europa entrarão em falência. Apesar destes dados económicos, o velho continente não consegue receber um milhão de refugiados sem que, em clima de crise política e económica, cresça a xenofobia e se instale o pânico generalizado.

É óbvio que o racismo e a xenofobia são drogas duras que servem para disfarçar a situação existente deixando tudo exatamente na mesma. Os Trumps desta vida não pretendem democratizar o planeta e combater as desigualdades crescentes. O que eles querem é garantir o poder e o dinheiro para si. Repetindo com novas roupagens aquilo que tem sucedido até agora. A única forma de combater a sua ascensão é dar mais poder a todas as pessoas que vivem e trabalham na Europa. Só uma agenda que dê direitos de cidadania a toda a gente pode combater de uma forma eficiente esta deriva ditatorial.

Não haverá nenhuma mudança para uma sociedade mais justa que seja feita a partir da discriminação. Impedir o crescimento dos populismos antidemocráticos e que pretendem manter as desigualdades não será feito pela adoção da agenda racista. Os populistas racistas são a continuação dos poderosos do costume por outros meios.

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