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O princípio do fim da pandemia? Europa começa a levantar restrições
Mundo 9 min. 27.01.2022
Covid-19

O princípio do fim da pandemia? Europa começa a levantar restrições

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O princípio do fim da pandemia? Europa começa a levantar restrições

Foto: AFP
Mundo 9 min. 27.01.2022
Covid-19

O princípio do fim da pandemia? Europa começa a levantar restrições

Paula DE FREITAS FERREIRA
Paula DE FREITAS FERREIRA
Reino Unido aboliu o uso de máscara em espaços fechados a partir desta quinta-feira e a Dinamarca está prestes a ser o primeiro país da UE a acabar com todas as restrições sanitárias a partir de 1 de fevereiro. Bélgica já aliviou medidas e em França o teletrabalho obrigatório termina já na próxima semana.

Os números explodem na Europa por causa da Omicron, a variante mais contagiosa até ao momento. Portugal bate recordes de infeção com as previsões a apontarem para um valor real de 150 mil casos diários (dos quais serão visíveis apenas 60 mil a 65 mil), o Grão-Ducado está há dois dias acima das três mil novas infeções por dia, França bateu o recorde de meio milhão de casos num único dia e os casos de reinfeções são aos milhares: no Luxemburgo 6.624 pessoas tinham sido reinfetadas pelo vírus até ao dia 24 de janeiro. 

Apesar dos números, vários países europeus já anunciaram o levantamento das restrições devido aos avanços na vacinação - com o Reino Unido a dar o pontapé de partida já esta quinta-feira. Estamos a caminho de uma era pós-pandémica? Ninguém sabe, mas cada vez mais os governos começam a olhar para a covid-19 como uma gripe, pelo menos se não surgir uma nova variante que seja tão contagiosa como a Omicron e perigosa como a Delta.


Portugueses vão estar imunizados após atual vaga de covid-19. Doença será como a gripe
“Entre vacinação e infeção, depois do final de fevereiro toda a população terá alguma imunidade ao vírus” que causa a covid-19, adianta o relatório do grupo de trabalho de acompanhamento da pandemia do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

O governo do Reino Unido decretou que a partir desta quinta-feira deixa de existir a obrigação de uso de máscaras em todos os locais fechados ou o passe sanitário para discotecas, campos de futebol e grandes eventos. O uso da proteção passa a ser apenas recomendado. 

Os passageiros da rede de transportes de Londres continuam a ter de usar máscara, mas estas deixarão de ser obrigatórias nas salas de aula. As pessoas podem voltar aos escritórios e os negócios esperam voltar a funcionar em pleno. 

O país tem já 37 milhões de pessoas com a vacina de reforço e o ministro da Saúde britânico, Sajid Javid, acredita que a população está protegida. "As nossas vacinas, testes e antivirais garantem que temos algumas das defesas mais fortes da Europa e permitem-nos regressar cautelosamente ao plano A, restaurando mais liberdades neste país", garantiu. 

Apesar do levantamento das restrições, os que testam positivo para a covid-19 devem ainda isolar-se durante um período mínimo de cinco dias.


Reino Unido sem restrições sanitárias a partir desta quinta-feira
Deixa de ser obrigatório usar máscara em locais fechados.

A Irlanda terminou com todas as restrições na semana passada, uma decisão tomada por considerar ultrapassado o pico da vaga de infeções com a variante Omicron. Terminaram o encerramento do lazer noturno, o encerramento às 20:00 de bares e restaurantes e as medidas de distanciamento social.

Serão igualmente levantadas as limitações do número de pessoas que se podem juntar nas habitações, embora continue a ser obrigatório o uso de máscaras nos estabelecimentos comerciais, nas escolas e nos transportes públicos até 28 de fevereiro, decidiu hoje o executivo de Dublin, de coligação entre centristas, democratas-cristãos e ecologistas.

O primeiro da UE a dizer "basta"

A Dinamarca anunciou que a partir de 1 de fevereiro vai acabar com todas as restrições sanitárias. Apesar do aumento de casos diários  e internamentos, devido à variante Omicron, a Dinamarca anunciou que vai levantar todas as restrições sanitárias a partir de 1 de fevereiro, uma vez que a maior parte da população já se encontra vacinada.

Se o plano do Governo for aprovado em comissão parlamentar ainda esta quarta-feira, o país nórdico tornar-se-ia o primeiro na União Europeia a acabar com as restrições que vigoram há praticamente dois anos. 

“Esta noite podemos voltar a encontrar o nosso sorriso. Temos notícias incrivelmente boas: já podemos remover as últimas restrições do coronavírus na Dinamarca”, anunciou a primeira-ministra Mette Frederiksen na quarta-feira à noite.

“Nas últimas semanas assistimos a taxas de infecção muito elevadas. As mais elevadas de toda a pandemia, na verdade. Assim sendo, pode parecer estranho e paradoxal que estejamos agora prontos para abdicarmos das restrições”, assumiu, citada pelo Politico.


Copenhaga
Dinamarca quer acabar com todas as restrições sanitárias em fevereiro
Deverão manter-se apenas restrições para quem chega de certos países.

Desde 1 de fevereiro, continuariam em vigor - mas apenas por mais quatro semanas - apenas certas restrições de entrada no país, nomeadamente testes e/ou quarentena, dependendo do país de origem. Continuará a ser "recomendado" o isolamento durante quatro dias no caso de um teste positivo, de acordo com a Agência Nacional de Saúde.  

"Mas a nossa avaliação atual é que a epidemia atingirá em breve o seu auge", justificou Magnus Heunicke. "Temos um bom controlo das taxas de hospitalização, graças à combinação dos 3,5 milhões de dinamarqueses vacinados com dose de reforço e à natureza menos severa da Omicron", escreveu o ministro dinamarquês no Twitter.  

Quase 60% dos 5,8 milhões de dinamarqueses receberam a terceira dose da vacina, um mês antes do previsto pelas autoridades sanitárias do país. 

Grécia regista cem mortes diárias, mas vai levantar restrições

Também a Grécia vai flexibilizar as restrições impostas devido à covid-19 já a partir de segunda-feira, apesar de uma média de 100 mortes diárias.  A partir de quinta-feira, os restaurantes deixam de ser obrigados a fechar à meia-noite e a música vai ser permitida novamente em bares e discotecas, mantendo-se porém a proibição de clientes de pé.

Também vão continuar os limites de lotação nos estádios, com uma ocupação máxima de 1.000 espetadores ou 10% da capacidade.

O governo do primeiro-ministro conservador, Kyriakos Mitsotakis, decidiu levantar algumas das restrições impostas no final do ano devido à propagação descontrolada da variante Omicron, que no início de 2022 fez com que o país chegasse a um recorde de 50.126 casos num dia, que entretanto desceu para uma média diária de 17.000.

Na Bélgica, o público regressa aos estádios esta sexta-feira

O Governo belga também decidiu pôr fim a várias medidas de restrição impostas para combater a pandemia de covid-19, por considerar que a propagação da doença está controlada.

As autoridades belgas decidiram reabrir espaços de lazer como parques de diversões, bem como aumentar a capacidade em espaços culturais e permitir ao público voltar aos estádios, depois de constatar que, apesar do aumento dos novos casos de covid-19, as unidades de cuidados intensivos dos hospitais não se encontram sobrecarregadas.


Bélgica levanta restrições por considerar propagação da doença controlada
Entre os setores que poderão reabrir em breve figuram os parques de diversões, os jardins zoológicos, as pistas de bowling e os salões de jogos. O público poderá também regressar aos estádios a partir de 28 de janeiro, com um máximo de 70% da capacidade.

Os especialistas concluíram também um projeto, batizado como “Barómetro Covid”, que entrará em vigor esta sexta-feira e pretende servir de base para a gestão da crise sanitária a longo prazo. Será instalado em três setores: as atividades em público, a organização de atividades em grupo, como os movimentos da juventude, e o setor da hotelaria e restauração.

“De forma simples e clara, indicará a situação sanitária em que nos encontramos: amarelo, quando tudo está sob controlo, laranja, quando a pressão está a aumentar, e vermelho, quando existir um risco de sobrecarga”, explicou De Croo.

Entre os setores que poderão reabrir em breve figuram os parques de diversões, os jardins zoológicos, as pistas de bowling e os salões de jogos. O público poderá também regressar aos estádios a partir de amanhã (28 de janeiro) com um máximo de 70% da capacidade.

Na área da cultura, poderão reabrir as salas com capacidade para até 200 pessoas, e aquelas que tiverem uma capacidade superior poderão ser ocupadas até 70% ou mesmo na totalidade, se forem garantidas as condições de ventilação adequadas. Os restaurantes passarão a estar abertos até às 00:00, em vez das atuais 23:00.

Por outro lado, o teletrabalho continuará a ser obrigatório quatro dias por semana e mantêm-se as restrições aplicadas aos estabelecimentos comerciais.


França vai aligeirar restrições sanitárias. O que muda a partir de fevereiro?
O Governo francês anunciou esta quinta-feira, 20, o fim de algumas restrições contra a covid-19 a partir de fevereiro, como teletrabalho obrigatório ou lotação limitada de espaços fechados, com o 'passe vacinal' a entrar em vigor segunda-feira.

França. Até o passe vacinal pode ter os dias contados

A partir de fevereiro, o país termina com o teletrabalho obrigatório ou lotação limitada de espaços fechados, mas agora existe o 'passe vacinal'. O primeiro-ministro francês, Jean Castex, defendeu que a França atravessa "uma fase difícil" devido à quinta vaga da covid-19, mas que as características da variante Omicron, menos severa do que a variante Delta, fazem com que seja possível acabar já em fevereiro com algumas restrições adotadas no fim de dezembro do ano passado.

Assim, a partir de 2 de fevereiro, deixa de ser obrigatório o teletrabalho, acabam as limitações à lotação de salas de espetáculo e outros locais públicos, deixando também de ser obrigatório utilizar a máscara no exterior.

Mais tarde, a 16 de fevereiro, voltarão a abrir as discotecas e será novamente possível consumir de pé nos bares, anunciou ainda o Governo.

No entanto, as restrições sanitárias só acabam por causa do 'passe vacinal', aprovado em difícil votação na Assembleia Nacional e no Senado, que na prática vai tornar a vacinação obrigatória para todas as pessoas com mais de 16 anos que queiram frequentar espaços públicos.


Milhares protestam contra 'passe vacinal' em França
Milhares de pessoas manifestaram-se um pouco por toda a França, no sábado, contra a entrada em vigor do passe de vacinação, já a partir de segunda-feira.

O ministro da Saúde, Olivier Véran, assegurou que este passe vigorará no país "o tempo que for necessário", mas "não mais do que isso", dando a entender que também esta regra será eliminada caso a situação pandémica melhore.

No final de fevereiro o protocolo sanitário nas escolas será também revisto e possivelmente aligeirado, se os dados continuarem a mostrar uma evolução positiva da pandemia.

*com agência Lusa


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