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O primeiro dia na Terra depois do asteróide que extinguiu os dinossauros
Mundo 4 min. 10.09.2019

O primeiro dia na Terra depois do asteróide que extinguiu os dinossauros

O primeiro dia na Terra depois do asteróide que extinguiu os dinossauros

Foto: Shutterstock
Mundo 4 min. 10.09.2019

O primeiro dia na Terra depois do asteróide que extinguiu os dinossauros

Uma investigação à cratera que resultou do impacto do asteróide com a Terra reconstruiu cronologicamente o que se passou há 66 milhões de anos.

Há cerca de 66 milhões de anos, um asteróide atingiu a Terra onde se situa, hoje, o Golfo do México. O impacto foi de tal ordem que a teoria dominante entre os cientistas indica que provocou o desaparecimento de 75% da vida no planeta, começando pelos dinossauros. Agora, o estudo de um cilindro de rocha extraído da cratera permitiu reconstruir o que aconteceu de forma detalhada naquele dia. 

Em 2016, um projeto de cientistas de vários países levou a Expedição 364 à cratera Chicxulub, no noroeste da Península de Yucatan, no México, perfurou a zona de impacto. O furo não foi realizado no centro mas na borda da cratera com um corte que permitiu a retirada de um cilindro rochoso a 1334 metros abaixo do fundo marinho. Dividido por diferentes partes, o estudo desta recolha por um numeroso grupo de geólogos e cientistas de várias áreas conta uma história em capítulos tão precisos quanto a que contam os anéis das árvores ou os núcleos extraídos do gelo mesmo que já tenham passado milhões de anos.

"É uma das vantagens das crateras de impacto. A sua formação segue leis físicas muito bem definidas", afirmou ao El País o investigador do Centro de Astrobiologia/CSIC e co-autor do estudo, Jens Olof Ormö. "Podemos reconstruir uma sequência de eventos (por exemplo, ver a sequência de sedimentos estratificados). Pelo tipo de sedimento (tamanho dos clastos [fragmentos], tipo e classificação), podemos saber se eles foram depositados rápida ou lentamente, e aproximadamente quanto tempo demoraram", explicou. 

Em Chicxulub, o impacto do asteróide libertou uma energia equivalente à de 10 mil milhões de bombas como a de Hiroshima. Enormes quantidades de material foram volatilizadas e investigações anteriores estimaram que libertou na atmosfera 425 gigatoneladas de dióxido de carbono na atmosfera e outros 325 de sulfuretos. O queda do asteróide provocou ainda um tsunami que levou a água do Caribe para os grandes lagos do norte dos Estados Unidos, a 2500 quilómetros da zona de impacto.

Mas o que mais interessou aos geólogos foi a rapidez com que a maior parte da cratera se encheu com os restos do choque. Estima-se que, em apenas 24 horas, o buraco tenha sido coberto com uma camada de cerca de 130 metros de sedimentos, que é o que foi agora estudado. É aqui que está escrita a história do primeiro dia de vida na Terra depois do impacto. É aqui que os geólogos dizem ser a divisão entre duas eras: a do mesozóico e o atual cenozóico. Tudo indica que foi quando começou a extinção dos dinossauros e a emergência dos mamíferos. 

De acordo com o estudo, publicado no PNAS, publicação norte-americana da Academia Nacional de Ciências, os 40-50 metros inferiores, formados por rochas fundidas e fragmentárias foram depositados minutos depois do impacto. Uma hora depois, outra camada de cerca de 10 metros composta de suevita, rochas de vidro e outros materiais derretidos foi formada. Horas depois, outros 80 metros de sedimentos mais finos foram preenchidos. No fim do dia, o refluxo da água retirado com o impacto arrastou para a zona enormes quantidades de material da região e áreas muito remotas.

Entre estes últimos sedimentos, os investigadores descobriram uma grande quantidade de material orgânico, especialmente fungos e muito carvão vegetal. Isso deve-se, provavelmente, ao que sobrou dos incêndios causados ​​pelo asteróide e pela queda de materiais incandescentes nas selvas que existiam centenas de quilómetros ao redor.

"Com um asteróide de 12 quilómetros a atingir Yucatán, os efeitos locais devem ter sido catastróficos e, provavelmente, também a distâncias de até 1500 quilómetros da zona de impacto, onde as temperaturas poderiam ter iniciado fogos e queima de árvores. A distâncias maiores, o material libertado teria causado incêndios por atrito ao cair da atmosfera. Mas esses efeitos devem ter sido de curta duração e não podem explicar a extinção global de 75% da vida", explica num e-mail, Sean Gulick, principal co-autor do estudo e professor do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas.

Essa parte da história começou naquele dia mas deve ter durado anos. Na rocha extraída do rebordo interno da cratera Chicxulub, há uma notável ausência de materiais sulfurosos. Não há vestígios de enxofre na área e no momento do impacto, embora as rochas ricas em sulfeto sejam abundantes. Estes dados reforçam a teoria de que o asteróide expeliu enormes quantidades de sulfetos na atmosfera, tapando a radiação solar e arrefecendo o planeta. As projeções indicam que a temperatura média global caiu 20 graus e assim permaneceu durante cerca de 30 anos."Estamos perante evidências empíricas da conexão entre o impacto do asteróide e a grande extinção", sublinhou o pesquisador da Universidade Nacional Autónoma do México e um dos líderes do grupo de investigação, Jaime Urrutia, que estuda a cratera de Chicxulub há várias décadas. Para Urrutia, a grande contribuição deste trabalho é a leitura temporal sobre a sequência de eventos que se seguiram a um impacto ocorrido há 66 milhões de anos que marcou o destino do planeta.

 

 

 

 

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