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O futebolista que se suicidou em Itália era vítima de racismo
Mundo 2 min. 07.06.2021

O futebolista que se suicidou em Itália era vítima de racismo

O futebolista que se suicidou em Itália era vítima de racismo

Foto: AC Milan
Mundo 2 min. 07.06.2021

O futebolista que se suicidou em Itália era vítima de racismo

"Nos olhos das pessoas via o ódio aos imigrantes", escreveu em 2019 Seid Visin que acabou com a própria vida na sexta-feira. O jogador que passou pela formação do Milan nasceu na Etiópia e era adotado por uma família italiana.

Seid Visin, jovem de 20 anos que passou pelos escalões de formação do Milan, acabou com a própria vida, escreveu uma carta em 2019 em que revelava que era vítima de racismo. Visin, que nasceu na Etiópia em 2000, foi adotado por uma família italiana.

"Onde quer que vá, onde quer que esteja, sinto o peso dos olhares céticos, preconceituosos, enojados e amedrontados das pessoas. Não sou um imigrante, fui adotado em criança e lembro-me que toda a gente me amava. Onde quer que fosse todos falavam comigo com alegria, com respeito e curiosidade. Agora parece que tudo se virou de cabeça para baixo", pode ler-se na carta divulgada pelo Corriere della Sera.

"Face a este cenário sócio-político particular que paira em Itália, eu, como negro, sinto-me inevitavelmente atacado". A carta relatava os episódios de racismo que vivia diariamente.  "Há alguns meses consegui encontrar um emprego que tive de deixar porque demasiadas pessoas, na sua maioria idosas, se recusaram a ser cuidadas por mim e, como se isso não fosse suficiente, como se eu já não me sentisse desconfortável, também me apontaram a responsabilidade pelo facto de muitos jovens (brancos) italianos não conseguirem encontrar trabalho".

"O medo do ódio que vi nos olhos das pessoas em relação aos imigrantes, o medo do desprezo que senti na boca das pessoas, mesmo dos meus parentes que melancólicos invocavam constantemente Mussolini e o 'Capitão Salvini'", acrescentou na carta.

O futebolista também deu a conhecer insultos racistas contra colegas seus. "No outro dia, um amigo, também adotado, disse-me que há algum tempo atrás enquanto jogava futebol, alegre e despreocupado com os seus amigos, algumas senhoras aproximaram-se e disseram: 'Aproveite o seu tempo, porque daqui a pouco vão levá-lo de volta ao seu país'".

"Com estas palavras cruas, amargas, tristes, por vezes dramáticas, não quero implorar por simpatia ou dor, mas lembrar que o desconforto e sofrimento que estou a sentir são uma gota de água em comparação com o oceano de sofrimento que está a ser experimentado por aquelas pessoas de grande dignidade que preferem morrer a viver uma vida de miséria e inferno", concluiu Seid Visin.

Ainda assim, o pai do futebolista, Walter Visin, afirmou que o seu filho "não cometeu suicídio por causa do racismo" e apelou ao fim da "especulação". "Essa carta é de 2019, não tem qualquer correlação com a decisão". 

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