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O assassino das Ardenas morre e leva consigo crimes sem desvendar
Mundo 2 min. 14.05.2021

O assassino das Ardenas morre e leva consigo crimes sem desvendar

O assassino das Ardenas morre e leva consigo crimes sem desvendar

Boucau/BELGA/dpa
Mundo 2 min. 14.05.2021

O assassino das Ardenas morre e leva consigo crimes sem desvendar

A morte de um dos mais conhecidos assassinos em série de França faz do silêncio o último dos crimes de Michel Fourniret, conhecido como o Ogre das Ardenas, que atuava perto da fronteira com o Luxemburgo e a Bélgica.

A morte de um dos mais conhecidos assassinos em série de França faz do silêncio o último dos crimes de Michel Fourniret, conhecido como o Ogre das Ardenas. Aos 79 anos, deixou de viver quando estava condenado a duas penas de prisão perpétua pela violação e assassinato de oito mulheres e pela confissão da morte de pelo menos outras três. 

O assassino em série leva consigo vários segredos. Entre eles, o lugar onde enterrou Estelle Mouzin, a menina de nove anos que desapareceu em 2003, pouco antes da prisão de Fourniret, e cujos restos mortais continuam a ser procurados até aos dias de hoje. Ou quantas mais mulheres e raparigas matou com a cumplicidade da sua esposa, Monique Olivier, que também está a cumprir pena perpétua e que é agora a única que poderia lançar alguma luz sobre os casos pendentes.

Os investigadores suspeitam que os crimes são muito mais terríveis do que aqueles que este assassino alguma vez confessou. A questão é se todos esses atos serão alguma vez conhecidos.

O Ogre das Ardenas, assim chamado devido a esta região fronteiriça com a Bélgica e o Luxemburgo, zona onde cometeu a maioria dos seus crimes, "é o assassino que mais marcou a história criminal da França", afirmou o jornalista Philippe Dufresne, cita o El País, que cobriu o caso durante anos e acaba de publicar o livro Fourniret, Verdades e Mentiras, onde revê a longa história do ex-desenhador e as lacunas da sua carreira criminosa. 

"Até Fourniret, sabíamos que existiam potenciais assassinos em série em França, mas ainda não tínhamos visto um que assumisse abertamente", explica por telefone. Depois da sua última vítima, uma menina de 13 anos que tentou raptar em junho de 2003 na cidade fronteiriça belga de Ciney e cuja denúncia terminou com o seu percurso criminoso, Fourniret afirmou antes de conseguir fugir: "Sou pior que (Marc) Dutroux", o pedófilo e assassino belga que chocou toda a Europa no final dos anos 90.

Mesmo atrás da grades, vivia orgulhoso de ser assassino em série. "Uma vez desmascarado, disse para si mesmo: 'Vou continuar e vou divertir-me com todos", observou Dufresne. "Passou quase 18 anos a dar informações, verdadeiras ou falsas: mentiu ou disse a verdade dependendo do seu estado de espírito ou dos seus objetivos, mas com o objetivo principal de ser aquele que impõe as regras". 

Porque para Fourniret, diz o jornalista, "o assassinato era quase secundário, o que era realmente importante era o poder". E assim que foi preso e já não podia matar, continuou a exercer esse poder afetando os pais das vítimas e também os investigadores e juízes de investigação, dizendo o que lhe era conveniente.

Doente de alzheimer, Fourniret já não era capaz de comunicar os crimes e as atenções voltaram-se para a ex-mulher, que pode ser a chave para muitos dos outros crimes de que é suspeito. Os investigadores continuam a comparar o ADN do assassino da carrinha em que cometeu vários dos seus crimes e de um colchão velho encontrado na casa da sua irmã com 21 casos não resolvidos. Apesar da morte do assassino em série, o caso continua aberto.

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