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Nova Zelândia. O atacante que se inspirou em Breivik
Homenagem de residentes de Christchurch às vítimas do massacre.

Nova Zelândia. O atacante que se inspirou em Breivik

Foto: AFP
Homenagem de residentes de Christchurch às vítimas do massacre.
Mundo 2 min. 16.03.2019

Nova Zelândia. O atacante que se inspirou em Breivik

Brenton Tarrant, o australiano de 28 anos que está a ser acusado do massacre de 50 pessoas em Christchurch, escreveu um manifesto de 74 páginas onde revela as suas motivações racistas.

Inspirou-se na Internet, nas eleições presidenciais francesas de 2017, disse que pretendia vingar a morte de Ebba Akerlund - a menina de 11 anos que foi atropelada por um camião conduzido por Rakhmat Akilov, num atentado na cidade de Estocolmo em 2017 que causou outras quatro mortes e dez feridos -  e foi ainda buscar referências ao extremista de direita Anders Breivik que, a 22 de julho de 2011, causou a morte a 77 pessoas na Noruega. De acordo com a imprensa internacional, Brenton Tarrant descreveu-se como um "ecofascista". Este supremacista branco australiano de 28 anos está acusado do massacre de ontem em duas mesquitas em Christchurch (Nova Zelândia) e escreveu um manifesto com 74 páginas, a que chamou "The Great Replacement", entretanto apagado das suas contas no Facebook, Twitter e Instagram.

O diário "The Guardian" faz referência a um texto em que o atacante chega a citar o poema "Não entres tão depressa nessa noite escura", do galês Dylan Thomas, argumentando ainda que matou dezenas de muçulmanos por influência de Candace Owens, comentadora e ativista política norte-americana de extrema-direita. "De cada vez que ela fala sinto-me confuso, os seus comentários e opiniões deixaram-me cada vez mais convencido de que a violência é o melhor caminho contra o sofrimento", escreveu, segundo a publicação britânica. "Sou só um homem branco comum, de uma família normal, que decidiu tomar uma atitude para garantir o futuro do seu povo", acrescentou.

Nos seus escritos apoia "muitos dos que estão contra o genocídio étnico e cultural" que considera estar a decorrer no mundo e revela a intenção de "criar um clima de medo e incitar à violência" contra os muçulmanos. Aliás, depois de dois anos de radicalização, o seu objetivo era "atacar muçulmanos", a quem considera "o grupo mais odiado de invasores no Ocidente. "Escolhi armas de fogo pelo efeito que teriam no discurso da sociedade, pela cobertura mediática que garantem e pelo efeito que podem ter na política dos Estados Unidos, ou seja, na situação política mundial", referiu.

Tarrant transmitiu o ataque em direto através da rede social Facebook com recurso a uma câmara que fixara na cabeça. O tiroteio provocou a morte a 50 pessoas, deixando duas dezenas feridas, das quais 12 permanecem nos cuidados intensivos.

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