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Notre-Dame. Não terá sido fogo posto
Mundo 3 min. 16.04.2019

Notre-Dame. Não terá sido fogo posto

Notre-Dame. Não terá sido fogo posto

Foto: AFP
Mundo 3 min. 16.04.2019

Notre-Dame. Não terá sido fogo posto

A justiça francesa abriu um processo por “destruição involuntária”, excluindo à partida fogo posto e começou a interrogar os operários envolvidos nas obras de restauro da catedral. O fogo terá começado no estaleiro das obras antes das 19.00. E pouco mais se sabe.

Ainda não há dados suficientes sobre como terá começado o incêndio. Mas algumas coisas parecem comprovadas. O fogo terá começado antes das 19 horas, numa zona de difícil acesso dentro da Catedral, em que funcionaria uma espécie de estaleiro das obras de restauro da Notre-Dame, que começaram em 2018.

No momento em que começou o incêndio não estaria presente nenhum operário nesta zona, que teria vários aparelhos de aquecimento armazenado e provavelmente mais material inflamável usado nas obras de restauro.

Depois de hesitar algumas horas, a Procuradoria Geral da República de Paris, abriu na noite de segunda-feira um inquérito por “destruição involuntária por incêndio”, excluindo à partida motivos criminosos no fogo que veio a destruir grande parte da catedral.

As investigações que estão sob o comando da direção regional da Polícia Judiciária podem, no entanto, ser muito demoradas e delicadas até que sejam apuradas com precisão as circunstâncias precisas com que começou o incêndio.

Para complicar a investigação concorre o facto de a zona de origem do fogo estar completamente destruída.

De qualquer forma, os operários que trabalhavam no estaleiro das obras já foram identificados e começaram a ser interrogados. No entanto, devido ao estado precário do edifício os investigadores ainda não tinham conseguido ter acesso ao local em que o fogo começou. “Será uma investigação longa e complexa que vai obrigar a empregar elementos de técnicas de investigação policial, assim como dominar conhecimentos técnicos especializados que vão ser naturalmente requeridos [numa missão com estas caraterísticas]”, afirmou ao diário francês Le Monde uma fonte policial.

Apesar dos incalculáveis danos que o fogo deixou, não há nenhuma vítima mortal até agora a lamentar. Todas as pessoas que estavam presentes na catedral no início do incêndio puderam ser prontamente evacuadas.

Segundo os primeiros testemunhos recolhidos, o fogo propagou-se a grande velocidade, devido à ação do vento e utilizando como material combustível a estrutura de madeira, datada do século XIII, que sustentava toda a cúpula da Notre-Dame. Esta estrutura com mais de 100 metros de comprimentos fez com que rapidamente o fogo se expandisse, tornando muito complicado o combate às chamas.

Desde o início da catástrofe, mais de 400 bombeiros, oriundos da região parisiense, acorreram à zona da catedral para combater o incêndio, tendo sido utilizados drones para guiar o combate. Tendo sido a meio da noite substituídos por igual número de soldados da paz.

Em muitas ocasiões, durante este combate, a catedral pareceu completamente perdida. Era muito complicado combater as chamas que se elevavam a mais de 90 metros. Obrigando a canalizar a maior parte dos esforços dos bombeiros a um combate no interior do edifício, que estava com várias zonas em perigo de ruir, e em que caiam destroços da Notre-Dame e “chovia” chumbo fundido proveniente do teto ardido.

“Estamos a lutar metro a metro, passo a passo”, declarou o general Jean-Claude Gallet, o comandante dos Bombeiros Sapadores de Paris, por volta das 21.30, quando tinham passado duas horas do começo das chamas. Apesar dos esforços dos bombeiros, o pináculo da catedral, a mais de 90 metros de altura, acabou por cair perto das 20 horas e a cobertura da catedral tinha ardido em mais de dois terços da sua área. Às 23 horas, centenas de bombeiros substituíram os seus colegas que combatiam as chamas à muitas horas. Contabilizando-se já um bombeiro gravemente ferido nas suas fileiras.

Só por volta das 3.45 horas da manhã, depois de cerca de 15 horas de combate duro, o incêndio foi controlado e extinto.

Algumas relíquias foram salvas, algumas pinturas mais pequenas, o vitral da parte norte do edifício, obra-prima do século XIII, sobreviveu, mas muitos dos outros vitrais, grandes pinturas e obras de arte que albergava a catedral sucumbiram nas chamas.

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