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Notre-Dame. Alarmes de incêndio soaram, mas não os do telhado

Notre-Dame. Alarmes de incêndio soaram, mas não os do telhado

Foto: dpa
Mundo 3 min. 17.04.2019

Notre-Dame. Alarmes de incêndio soaram, mas não os do telhado

Autoridades francesas já interrogaram cerca de 30 pessoas.

Após o trágico incêndio de segunda-feira na catedral de Notre-Dame, as autoridades francesas tentam agora explicar o que se terá passado. Segundo um relato anónimo de um funcionário judicial  à agência noticiosa Associated Press (AP), os alarmes de incêndio soaram por duas vezes no espaço de poucos minutos mas os bombeiros não terão visto fogo. Da primeira vez, os bombeiros, incluindo um oficial permanente no local, verificaram o teto onde aparentemente estava tudo normal. Da segunda, já seria tarde demais, referiu a mesma fonte à AP. 

O facto de na primeira vez não se terem verificado anomalias nas vigas centrais do edifício - que sustentam o telhado - poderá estar relacionado com a questão de esta área não dispor de eletricidade. Segundo contava uma reportagem do canal francês 'France 2' emitida há alguns meses, a estrutura feita em madeira, construída em 1220, estaria sem luz precisamente devido ao risco de incêndio. A ser verdade, ao tentar evitar-se uma situação, poderá ter-se criado um problema que terá criado condições para a tragédia. O estaleiro das obras de reabilitação onde o incêndio terá começado estaria próximo desta zona. As chamas destruíram precisamente o pináculo e uma grande parte do telhado da catedral.

A justiça francesa abriu um processo por "destruição involuntária", excluindo à partida fogo posto e começou a interrogar os operários envolvidos nas obras de restauro da catedral.  Cerca de 30 pessoas já foram ouvidas, a maioria operários que trabalhavam nas obras de reparação do edifício. A mesma fonte referiu à AP que há 50 investigadores a tentar perceber o que se passou na segunda-feira à tarde, mas o acesso ao interior do monumento foi-lhes vedado por razões de segurança. 

Na terça-feira, as primeiras alegações rejeitavam que se tenha tratado de fogo posto. O fogo terá começado pouco antes das 19 horas (hora local), numa zona de difícil acesso dentro da Catedral, em que funcionaria uma espécie de estaleiro das obras de restauro, que começaram em 2018. Apesar dos incalculáveis danos que o fogo deixou, não há nenhuma vítima mortal até agora a lamentar. 

Só por volta das 3.45 horas da manhã, depois de cerca de 15 horas de combate duro, o incêndio foi controlado e extinto.  

O monumento antes e depois do incêndio.
O monumento antes e depois do incêndio.
Foto: AFP

Várias associações, anónimos e famílias milionárias fizeram doações para as obras de requalificação do monumento, valor que chegou ontem aos 600 milhões de euros, e vai provavelmente continuar a aumentar. A Igreja luxemburguesa também se juntou à causa. 

Na sequência da tragédia, o livro "O Corcunda de Notre-Dame", de Victor Hugo, disparou para o topo da lista de livros mais vendidos da Amazon. O romance, onde a catedral gótica é o elemento central da história, fez de Victor Hugo o mais famoso escritor a viver na Europa e ajudou a mobilizar a gigantesca restauração do monumento no século XIX. Um século depois, os franceses com a ajuda vinda de todo o mundo preparam-se novamente para reabilitar o edifício depois da tragédia desta semana. 

A catedral de Notre-Dame é considerada Património Mundial da Humanidade desde 1991 e é o monumento mais visitado em toda a França, cerca de 13 milhões de visitantes anuais.

Contacto/Lusa


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