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Nord Stream 1 também com fugas de gás. Autoridades temem sabotagem russa
Mundo 3 min. 27.09.2022
Gasoduto

Nord Stream 1 também com fugas de gás. Autoridades temem sabotagem russa

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Nord Stream 1 também com fugas de gás. Autoridades temem sabotagem russa

Foto: Tobias Schwarz/AFP
Mundo 3 min. 27.09.2022
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Nord Stream 1 também com fugas de gás. Autoridades temem sabotagem russa

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Após a fuga no Mar Báltico detetada pela Dinamarca, há também mais dois canais do gasoduto russo Nord Stream 1 com queda de pressão detetada pela Alemanha.

As autoridades alemãs anunciaram na noite de segunda-feira a perda de pressão súbita nos dois canais do Nord Stream 1, o gasoduto que conduzia o gás russo para a Alemanha. Isto depois da autoridade de tráfego marítimo dinamarquesa ter detetado uma fuga de gás no Mar Báltico na zona onde passa o Nord Stream 2, durante o dia de segunda-feira. 

Berlim salienta que o "acidente" não afeta o fornecimento ao país, já que a Rússia já tinha cortado o gás à Alemanha no início do mês. A hipótese da 'mão' de Putin cresce.  

O Nord Stream 2 é o segundo gasoduto que faria o transporte de gás para a Alemanha. Foi negociado ainda pela chanceler Angela Merkel - quando já se falava dos riscos de a Europa estar demasiado dependente energeticamente do Kremlin. A ligação entre Berlim e a russa Gazprom foi, aliás, um dos poucos pontos de discórdia entre a antiga chanceler e os líderes europeus, pouco antes de ela deixar a política em setembro de 2021.

Devido a um revés do destino, o Nord Stream 2 foi inteiramente concluído, mas acabou por não entrar em funcionamento por ter ficado operacional já depois da invasão da Ucrânia. No novo contexto político, a certificação para o novo gasoduto foi congelada. Mas, mesmo assim, os canos subaquáticos já estavam cheios com 117 milhões de metros cúbicos de gás natural para colocar a pressão do pipeline ao nível correto para começar a ser transportado.

As autoridades dinamarquesas salientaram que a fuga de gás vinda provavelmente do pipeline 2 é perigosa para o tráfego marítimo e a navegação na zona foi proibida.

Alemanha com reservas de gás a 91%

Um porta-voz do governo alemão disse que Berlim estava a "tentar clarificar a situação", mas a causa da súbita baixa de pressão não era conhecida.

A hipótese de sabotagem não está descartada – há demasiadas coincidências, uma vez que se deu em poucas horas em três canais diferentes - mas as autoridades alemãs salientam que é necessário chegar aos gasodutos submersos para perceber se o que aconteceu foi um acidente involuntário ou foi fruto de um ataque à infraestrutura que fornecia o gás russo à UE. 

As fugas de gás estão a acontecer num momento em que se percebe – com a mobilização geral na Rússia e as ameaças nucleares explícitas– que Putin está a usar técnicas cada vez mais agressivas de amedrontar os aliados de Kiev.

Em termos de segurança energética, o porta-voz alemão disse ainda que não há motivos para alarme, uma vez que o que aconteceu aos 'pipelines' não tem nenhum impacto no fornecimento real de gás aos alemães. Porquê? A Rússia já tinha cortado as exportações de gás à Alemanha desde o início deste mês.

Decisões europeias sobre energia na próxima sexta-feira

Ao mesmo tempo, o armazenamento de reservas de gás para o inverno já atingiu os 91%, superando os pedidos da Comissão Europeia de que no fim de outubro as reservas europeias para aguentar as necessidades até à primavera, atingissem os 90%.

Desde que Putin ameaçou congelar os europeus neste inverno em retaliação pelas sanções contra o Kremlin, a Comissão tem feito compras de gás natural liquefeito a outros fornecedores em várias paragens, e os próprios países têm assinado contratos diretamente com companhias de energia em África, nos países do Golfo e nos Estados Unidos.

A situação acontece quando a União Europeia se prepara para aprovar um pacote de controlo dos preços excessivos da energia, onde se propõe limitar os lucros do gás russo – ou segundo o que querem vários países, incluindo Portugal, limitar o preço do gás qualquer que seja a sua origem.

Antes da guerra, a Rússia fornecia um total de 40% do gás consumido em toda a UE. Neste momento o fornecimento é inferior a 9%.

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