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Nicolás Maduro reclama 28,35 MME retidos nos EUA e em Portugal

Nicolás Maduro reclama 28,35 MME retidos nos EUA e em Portugal

Foto: AFP
Mundo 3 min. 10.05.2019

Nicolás Maduro reclama 28,35 MME retidos nos EUA e em Portugal

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou esta quinta-feira a reclamar os 28,35 mil milhões de euros retidos nos Estados Unidos e em Portugal, valor que disse estar destinado à importação de alimentos e medicamentos.

Segundo Nicolás Maduro, os Estados Unidos "roubaram à Venezuela" 30 mil milhões de dólares (26,81 mil milhões de euros) e em Portugal estão retidos 1,7 mil milhões de dólares (1,54 milhões de euros à taxa de câmbio atual).

"Há que aumentar (os esforços) para enfrentar o bloqueio económico que faz o Governo imperialista de Donald Trump. Uma sabotagem anormal, desumana. [O Governo norte-americano] sabota todas as importações que fazemos de matéria prima (...) Temos que inventar mil caminhos para comprar e para trazer o que o país precisa para fazer medicamentos", disse.

Nicolás Maduro falava no Forte de Tiuna, a principal base militar de Caracas, durante um ato que teve como tema central a saúde e que foi transmitido pela televisão estatal venezuelana.

"Continuo a denunciar. Não me cansarei de denunciar o roubo de mais de 30 mil milhões de dólares, pelo Governo dos EUA, contra a Venezuela", frisou.

"Em Portugal, por exemplo, num banco chamado Novo Banco, roubaram-nos 1.726 milhões de dólares que estavam destinados para trazer medicamentos (...) Assalto a plena luz do dia, por ordem do Governo 'gringo' americano", acusou.

"Temos de enfrentar e vamos continuar a enfrentar. Faça chuva, trovoada ou relâmpagos, ninguém nem nada deterá o rumo da revolução bolivariana na saúde e em todos os campos da nossa vida. Ninguém nos vai tirar o direito ao futuro, à felicidade e à paz, o direito à vida, não vou vão tirar", acrescentou.

Cerca de cinco dezenas de venezuelanos protestaram na quinta-feira junto ao Consulado-Geral de Portugal em Caracas, para exigir que o Governo português desbloqueie 1.543 milhões de euros que estão retidos no Novo Banco.

O protesto foi convocado pela Asobien, uma organização não governamental (ONG) dedicada a doentes com Parkinson e outras doenças, que insiste que esses recursos se destinam ao tratamento de doentes venezuelanos, no exterior.

Os manifestantes chegaram num autocarro do Governo venezuelano e, segundo fontes diplomáticas, entregaram uma carta a reclamar o desbloqueio do dinheiro.

No passado dia 02, 19 organizações de defesa dos direitos humanos e movimentos sociais venezuelanos tinham ido à Embaixada de Portugal em Caracas também para pedir que o Governo português interceda para que sejam desbloqueados 1.543 milhões de euros retidos no Novo Banco.

Num comunicado enviado à agência Lusa, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela explicou na altura que foi entregue "uma carta onde solicitam os bons ofícios do Governo português para que sejam desbloqueados 1.543 milhões de euros que foram ilegalmente retidos na entidade financeira Novo Banco".

Na mesma nota, a diretora da Sures, uma associação dedicada ao estudo, educação e defesa dos Direitos Humanos, Lucrécia Hernández, denunciou que "o bloqueio destes ativos têm impedido o pagamento necessário para atender 26 pacientes venezuelanos que se encontram em Itália, à espera de receber tratamento oncológico".

Devido a esta situação, a diretora de Sures, Lucrécia Hernández, "apelou aos bons ofícios do Governo de Portugal para que, através das ações legais que correspondam, o Novo Banco consiga destravar os recursos".

"Não temos podido concretizar a compra de medicamentos, de uma série de materiais, como consequência do bloqueio imposto pelos EUA e que o Novo Banco continuou", disse a diretora da organização Rompendo a Norma Alexis Bolívar.

O comunicado conclui afirmando que a representação diplomática portuguesa mostrou-se "aberta à solicitação e manifestou a disposição de tramitar o requerimento".

Já em 17 de abril, o Presidente da Venezuela tinha exortado o Governo português a desbloquear os ativos do Estado venezuelano retidos no Novo Banco, sublinhando que o dinheiro será usado para comprar "todos os medicamentos e alimentos".

Lusa


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