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Navalny. Kremlin denuncia tentativas "absurdas" de envolver a Rússia no caso
Mundo 2 min. 07.09.2020

Navalny. Kremlin denuncia tentativas "absurdas" de envolver a Rússia no caso

Alexei Navalny numa manifestação anti-Kremlin, em Moscovo, a 29 de fevereiro deste ano.

Navalny. Kremlin denuncia tentativas "absurdas" de envolver a Rússia no caso

Alexei Navalny numa manifestação anti-Kremlin, em Moscovo, a 29 de fevereiro deste ano.
Foto: AFP
Mundo 2 min. 07.09.2020

Navalny. Kremlin denuncia tentativas "absurdas" de envolver a Rússia no caso

Lusa
Lusa
O Kremlin denunciou esta segunda-feira as tentativas "absurdas" de acusar a Rússia do envenenamento do oponente Alexei Navalny, hospitalizado em coma na Alemanha e vítima, segundo Berlim, de um agente nervoso do tipo Novichok.

"Todas as tentativas de associar a Rússia de qualquer forma ao que aconteceu (a Navalny) é inaceitável para nós", disse aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Essas tentativas são "absurdas", garantiu Peskov.

De acordo com o Governo alemão, Navalny foi "inequivocamente" envenenado por um agente nervoso do tipo Novichok, uma substância projetada ainda no tempo da antiga União Soviética para uso militar.

Berlim e outros países Ocidentais apontam o dedo às autoridades russas e pedem explicações sobre este caso. O impasse agravou-se no domingo, com a Alemanha a estabelecer um ultimato de alguns dias para Moscovo "esclarecer o que aconteceu". A Rússia, por sua vez, criticou Berlim por "atrasar o processo da investigação que está a pedir", ao não enviar os documentos do caso às autoridades russas.

Segundo Peskov, Moscovo ainda não recebeu esses elementos, mas espera que a Alemanha forneça todas as informações necessárias à Rússia "nos próximos dias". "Nós esperamos com ansiedade", acrescentou o porta-voz.

Principal opositor do Presidente russo, Vladimir Putin, conhecido pelas investigações anticorrupção a membros da elite russa, Alexei Navalny, 44 anos, está internado, em coma, desde 20 de agosto.

O político sentiu-se mal durante um voo de regresso a Moscovo, após uma deslocação à Sibéria. Foi primeiro internado num hospital de Omsk, na Sibéria, tendo sido transferido, posteriormente, para o hospital universitário Charité, em Berlim.

O Novichok integra um grupo particularmente perigoso de agentes neurotóxicos russos que foram proibidos, em 2019, pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).


Asselborn pede inquérito independente a envenenamento de Navalny
O ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês exige um “inquérito independente e transparente, que permita identificar os responsáveis por este ato criminoso e levá-los à justiça”

Merkel admite consequências para projeto de gasoduto Nord Stream 2  

 A chanceler alemã admitiu hoje que haja consequências para o projeto do gasoduto Nord Stream 2, se Moscovo não fornecer esclarecimentos sobre o envenenamento do opositor russo Alexei Navalny, mas a Rússia não acredita que tal possa ocorrer.

"A chanceler (Angela Merkel) considera que seria errado excluí-lo logo a partida", disse numa conferência de imprensa o porta-voz Steffen Seibert, ao ser questionado se possíveis sanções contra a Rússia poderiam afetar o projeto do gasoduto.

No domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, fez as mesmas observações, declarando no canal de televisão pública ARD que "seria errado excluir a priori" consequências para o Nord Stream, projetado para abastecer a Alemanha e a Europa com gás russo.

Mas deu a Moscovo alguns dias para "contribuir para a clarificação" sobre o que aconteceu no caso do opositor Alexei Navalny. Caso contrário, "teremos de discutir uma resposta com os nossos parceiros europeus”, advertiu Maas, cujo país atualmente preside o Conselho da União Europeia (UE).

O ministro alemão acrescentou que, em caso de sanções, devem ser "direcionadas" e mencionou em particular um possível congelamento do Nord Stream 2. No entanto, o Kremlin disse hoje que não acredita que Berlim interrompa a construção do gasoduto Nord Stream 2, após as ameaças feitas por Maas.

"Vemos declarações como esta e observamos que para cada nova declaração deste tipo surgem mais duas que explicam o quão absurdas são essas propostas", disse hoje o porta-voz do Presidente russo, Dmitri Peskov.

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