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NATO responsabiliza Putin pela crise alimentar global
Mundo 3 min. 30.06.2022
Guerra na Ucrânia

NATO responsabiliza Putin pela crise alimentar global

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg
Guerra na Ucrânia

NATO responsabiliza Putin pela crise alimentar global

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg
AFP
Mundo 3 min. 30.06.2022
Guerra na Ucrânia

NATO responsabiliza Putin pela crise alimentar global

Lusa
Lusa
O impacto da crise alimentar “é grave, incluindo em algumas das pessoas mais vulneráveis do mundo”, disse o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, na conferência final da cimeira de Madrid.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, responsabilizou a Rússia pela crise alimentar global por ter invadido a Ucrânia e assegurou o empenho dos aliados em encontrar soluções para retomar a exportação de cereais ucranianos.

“A crise alimentar global é um resultado direto da invasão russa da Ucrânia”, disse Stoltenberg na conferência final da cimeira de Madrid. O impacto da crise alimentar “é grave, incluindo em algumas das pessoas mais vulneráveis do mundo” e "os preços dos alimentos estão a atingir máximos recordes e muitos países dependem da Ucrânia para importações substanciais de trigo e outros alimentos”, afirmou.

Para o secretário-geral, o fim da guerra impedirá a crise alimentar, mas insistiu que essa decisão está nas mãos do Presidente russo, Vladimir Putin, que desencadeou o conflito quando ordenou a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro. “O Presidente Putin deve retirar as suas forças e pôr imediatamente fim a esta guerra, pondo fim ao ataque a uma nação democrática e soberana, que está a causar tanto sofrimento na Ucrânia”, apelou o antigo primeiro-ministro da Noruega.

Disse ainda que a crise alimentar foi um dos temas discutidos na cimeira de Madrid e que os aliados apoiarão soluções para retomar a exportação dos cereais ucranianos, dando o exemplo da alternativa terrestre através da Roménia. “Os aliados discutiram os seus esforços para mitigar a crise e tirar os cereais da Ucrânia, por terra e por mar”, afirmou.

Stoltenberg considerou também que as diferenças internas da NATO não são um sinal de fraqueza, mas antes uma “expressão da sua força”.

“A NATO nunca foi e nunca será uma organização monolítica em que 30, e em breve 32, aliados concordam em todas as questões. Somos 32 países diferentes, com partidos políticos diferentes no governo e culturas diferentes, história diferente, geografia diferente, de ambos os lados do Atlântico”, afirmou.

Stoltenberg assegurou que a NATO protege os aliados “contra todas as ameaças”, em resposta a uma pergunta sobre se os territórios espanhóis de Ceuta e Melilla, no Norte de África, estão abrangidas pelo princípio de defesa coletiva da organização.

O secretário-geral da NATO passou em revista as principais decisões da cimeira, como a aprovação do novo conceito estratégico, que designa a Rússia como inimigo e a China como um desafio para os aliados, a reafirmação do apoio à Ucrânia ou a formalização do convite à adesão da Suécia e da Finlândia.

Referiu que a decisão política sobre a adesão dos dois países nórdicos foi tomada na quarta-feira, em Madrid, mas anunciou que o respetivo protocolo será assinado na terça-feira, 05 de julho.

Stoltenberg destacou também o reforço das capacidades militares da NATO e o debate sobre as ameaças à Aliança e aos seus parceiros do Sul, particularmente o terrorismo.

Anunciou que os aliados aprovaram, pela primeira vez, um pacote de apoio às capacidades de defesa da Mauritânia, bem como uma assistência reforçada à Tunísia e a continuação do apoio à Jordânia.

As medidas foram aprovadas numa sessão de trabalho sobre os desafios no Médio Oriente, Norte de África e Sahel, no segundo dia da cimeira.

“A insegurança nestas regiões tem um impacto direto na segurança de todos os parceiros”, disse Stoltenberg.

“Reconfirmámos o nosso compromisso de continuar a luta com determinação e solidariedade. Incluindo através da partilha de informação e apoio aos nossos parceiros”, acrescentou.

Stoltenberg anunciou também que a próxima cimeira da NATO, em 2023, decorrerá na capital lituana, Vilnius, num gesto de apoio não só à Lituânia, mas também a toda o Báltico, uma das regiões que mais receiam o expansionismo russo.

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