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Quase todos os europeus respiram ar que faz mal à saúde, alerta Agência Europeia do Ambiente
Mundo 2 min. 01.04.2022
Ambiente

Quase todos os europeus respiram ar que faz mal à saúde, alerta Agência Europeia do Ambiente

Imagem capturada a 15 de outubro de 2021 mostra uma nuvem de poluição sobre Lyon, França
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Quase todos os europeus respiram ar que faz mal à saúde, alerta Agência Europeia do Ambiente

Imagem capturada a 15 de outubro de 2021 mostra uma nuvem de poluição sobre Lyon, França
Foto: Philippe Desmazes / Arquivo AFP
Mundo 2 min. 01.04.2022
Ambiente

Quase todos os europeus respiram ar que faz mal à saúde, alerta Agência Europeia do Ambiente

AFP
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Apesar da queda nas emissões ligada às restrições anti-Covid, 96% dos habitantes das cidades da União Europeia foram expostos a partículas finas acima dos limites em 2020, avisou esta sexta-feira a Agência Europeia do Ambiente (EEA, na sigla inglesa).

"96% da população urbana foi exposta a concentrações de partículas finas (PM2,5) acima do valor médio anual de 5 microgramas (µg) por metro cúbico recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS)",  que endureceu a sua regulamentação no final de setembro de 2021. Apenas a Estónia não registou qualquer excedente, informou a EEA.

Já de acordo com as normas europeias, que são menos rigorosas e estão fixadas em 15 µg/m3, apenas 1% dos habitantes da cidade vive acima do limiar.


Luxemburgo em alerta por causa da poluição atmosférica
O alerta é da Administração do Ambiente. O tempo ensolarado e seco, com temperaturas a rondar os 20°C durante o fim-de-semana, potencia a circulação das partículas finas na atmosfera.

"Os dados realçam a distância entre as normas legais da UE, na sua maioria estabelecidas por volta de 2000, e as últimas diretrizes da OMS  (...) baseadas numa revisão minuciosa das últimas provas científicas sobre como a poluição atmosférica prejudica a saúde", disse à AFP um perito em qualidade do ar da EEA.

Europa Oriental e Itália são as mais afetadas

Segundo Alberto González Ortiz, está em curso uma revisão das regras europeias neste domínio para tornar as normas utilizadas mais alinhavadas com as recomendações da OMS.

De acordo com o relatório, a Europa Oriental e a Itália são as mais afetadas com as mais elevadas concentrações de partículas e benzopireno (um carcinogéno) devido à queima de combustíveis sólidos, como o carvão e a madeira, para aquecimento e a utilização de combustíveis fósseis na produção industrial.


Poluição do trânsito é a que mais prejudica qualidade do ar na UE
As emissões do tráfego rodoviário foram uma das principais origens das infrações às normas da qualidade do ar na União Europeia.

Os confinamentos têm tido efeitos positivos na qualidade do ar, cuja poluição causa doenças cardiovasculares e respiratórias.

"Os dados mostram que as medidas introduzidas em 2020 para deter ou minimizar a propagação da Covid-19 levaram a uma redução da atividade nos transportes rodoviários, aéreos e marítimos internacionais, o que, por sua vez, levou a uma diminuição das emissões de poluentes atmosféricos", observou a agência da UE.

Mas embora os níveis de dióxido de azoto (NO2) tenham diminuído como resultado direto destas reduções, com descidas até 70% em abril de 2020, 89% da população urbana permaneceu exposta a níveis acima das diretrizes da OMS — mas apenas 1% pelos padrões da UE.

Ozono acima da média em 15 países

O poluente que está mais frequentemente acima das normas europeias é o ozono, com limiares anuais excedidos em 21 países europeus, incluindo 15 dos 37 membros da UE analisados. Tomando as normas da OMS, todos os países europeus estão acima dos limites anuais para este poluente.


O mundo está farto dos plásticos e criou uma aliança para os eliminar
Compromisso assinado pela ONU vai criar tratado internacional em 2024 para acabar com a poluição. É um momento histórico para o ambiente, com o nível de ambição do Acordo de Paris de 2015, defendem ambientalistas.

De acordo com a OMS, a poluição atmosférica causa sete milhões de mortes prematuras por ano em todo o mundo, um número que a coloca a par do tabagismo ou de subnutrição.

Na Europa, é o maior risco para a saúde ambiental. Em 2019, a poluição por partículas finas causou 307.000 mortes prematuras na UE, estimou a EEA.


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