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"Não matou ninguém". Bolsonaro minimiza impacto da Omicron no Brasil
Mundo 2 min. 13.01.2022
Covid-19

"Não matou ninguém". Bolsonaro minimiza impacto da Omicron no Brasil

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"Não matou ninguém". Bolsonaro minimiza impacto da Omicron no Brasil

Foto: AFP
Mundo 2 min. 13.01.2022
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"Não matou ninguém". Bolsonaro minimiza impacto da Omicron no Brasil

AFP
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O presidente do Brasil afirma mesmo que a Omicron é bem-vinda e "pode sinalizar o fim da pandemia". A Organização Mundial da Saúde já discordou.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro minimizou o aumento significativo de casos de covid-19 no Brasil causado pela nova variante, Omicron, que, segundo especialistas poderá causar em breve uma nova sobrecarga no sistema hospitalar no país.

Ao portal Gazeta Brasil, o presidente disse que a "a Omicron não matou ninguém. O que morreu aqui em Goiás não foi de Omicron. Na verdade, foi 'com Omicron', não foi 'de Omicron'. Ele já tinha problemas muito sérios, em especial nos pulmões", disse. 

Um paciente do estado de Goiás, um homem de 68 anos que morreu no dia 6 de janeiro, foi a primeira morte oficialmente confirmada no Brasil pela variante Omicron, segundo as autoridades do município de Aparecida de Goiânia.

Os especialistas garantem que a variante já representa a maioria dos casos no país mas Bolsonaro desvaloriza. "A Omicron, que já se espalhou por todo o mundo, como as pessoas que entendem de verdade estão a dizer, tem uma capacidade de se disseminar muito grande, mas a letalidade é muito pequena, referiu à imprensa brasileira.

"Dizem até que seria um vírus vacinal. Algumas pessoas estudiosas e sérias, e não vinculadas a farmacêuticas, dizem que a Omicron até é bem-vinda e pode, sim, sinalizar o fim da pandemia", insistiu.


Efeito Omicron faz repensar vacinação obrigatória, diz perito austríaco
Epidemiologista austríaco questiona a necessidade de se avançar já para a vacinação obrigatória e defende que a nova variante vai aumentar a imunidade coletiva. No Luxemburgo pede-se cautela com a imunidade natural.

Esta hipótese está a ganhar terreno entre Governos e cientistas de outros países, mas os especialistas e a OMS continuam a aconselhar cautela. Quando questionado por um jornalista brasileiro em Genebra sobre as declarações de Bolsonaro, o diretor do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Mike Ryan, afirmou que "nenhum vírus que mate é bem-vindo, especialmente se a morte e o sofrimento podem ser evitados". "Que o vírus seja menos severo não significa que a doença seja branda", afirmou, em declarações reproduzidas pelo portal UOL.

Segundo o último relatório oficial do Governo, o Brasil registou 70.765 novos casos de covid-19 em 24 horas, oito vezes mais que há duas semanas (8.430). A média dos últimos sete dias é de 43.660 infeções diárias, o número mais elevado desde o final de julho de 2021. No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, o número de casos diários aumentou 1.500% em duas semanas. Apesar deste aumento, Bolsonaro continua a negar impor quaisquer medidas restritivas, afirmando que a a economia não suportaria um novo confinamento e que o país poderia entrar na bancarrota.

O governante voltou a defender a polémica tese da "imunidade de grupo", que obtém através de uma contaminação em massa. "A imunidade de grupo é uma realidade, a pessoa que se imuniza com o vírus tem muitos mais anticorpos que aquela que se imuniza com a vacina", afirmou Bolsonaro, para quem a covid-19 é uma "doença politizada". "Talvez eu tenha sido o único chefe de Estado no mundo que teve a coragem de se expor, de dar sua opinião", vincou.

Desde o início da pandemia, o presidente brasileiro não deixou de criticar as recomendações de especialistas para combater a covid-19, rejeitando sempre o confinamento, o uso de máscaras e a vacinação.

Com mais de 620 mil óbitos, o Brasil é o segundo país com mais mortes desde o início da pandemia, depois dos Estados Unidos.

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