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Não é Zandinga quem quer!
Opinião Mundo 4 min. 30.12.2020

Não é Zandinga quem quer!

Não é Zandinga quem quer!

Foto: LUSA
Opinião Mundo 4 min. 30.12.2020

Não é Zandinga quem quer!

Sérgio FERREIRA
Sérgio FERREIRA
Fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro... deixem passar janeiro que eu depois conto-vos o resto.

O exercício de antecipação, sobretudo nos tempos que correm, está entre o malabarismo, a profecia e a vidência ou (o mais provável!) um espalhanço monumental. Não é Zandinga quem quer e eu nem sequer quero... mas já que o Contacto pediu, aqui vão as minhas adivinhações para 2021, à moda do bruxo mais famoso do Portugal dos anos de 1980.

Janeiro: Janeiro será previsivelmente o primeiro mês do ano, a exemplo do que tem acontecido ultimamente.

Portugal: O mês será marcado pelas eleições presidenciais que, já se sabe (não adivinho eu), terão lugar a 24 de Janeiro. O que se anuncia é uma contenda entre populistas bons, os “Master jedis” do Estado de Direito e populistas maus, os “Bichos-papões” da Democracia.

O populista “em-funções” parte com vantagem, mesmo se não pode usar a “arma-nada-secreta-do-beijinho” em tempos de pandemia.

A populista “diplomata-política-profissional-mas-que-como-Cavaco-zurze-nos-políticos-profissionais-e-que-faz-de-conta-que-se-interessa-pelos-menos-privilegiados-mas-não-hesita-em-pedir-a-uma-amiga-de-Paris-para-lhe-mandar-a-vacina-da-gripe” ocupa um bom lugar na grelha de partida e arrisca-se a ter sucesso – relativo!

A populista “com-nome-de-fadista”, a navegar entre o pós-comunismo, a social-democracia e a esquerda-caviar, vai ser a sempre a aviar!

O populista “que-até-tem-um-doutoramento-em-Direito-em-que-critica-o-populismo-penal-e-a-estigmatização-de-minorias-mas-defende-o-contrário-na-acção-política” vai continuar igual a si próprio – tal como os outros, mas fica bem apontar-lhe aqui a coerência no disparate.

De Rans chega-nos o “verdadeiro-populista-até-porque-assume-o-sotaque-do-povo-e-é-um-caso-de-estudo-de-durabilidade-do-populismo-na-debilidade” e que vai, mais uma vez, demonstrar que os portugueses têm sentido de humor, mesmo na política!

Quase me esquecia do candidato “quase-não-populista-até-porque-é-comunista ;-)” que tem pela frente o exercício de tentar fazer melhor que o Camarada “Ex-padre-mas-que-nunca-calou-as-atrocidades-da-Igreja-nomeadamente-a-pedofilia-na-Madeira”. Até porque tem a carinha mais laroca dos últimos tempos no PCP, suspeito que a imagem conte mais que os valores do “ex-pápa-óstias” e o PCP (desculpem... a CDU!) cante vitória de novo, mesmo se o eleito for outro.

O vencedor está anunciado (aqui nem vale a pena o esforço da adivinhação), com a única incógnita de interesse paralelo a ser a extensão do resultado de André Ventura. Será o povo português suficientemente néscio para cair na esparrela e apoiar, com substância, a candidatura de um cata-vento que navega na crista da onda do choradinho do “paraíso” perdido do Estado Novo?

A minha previsão é de que o segredo das urnas vai fazer os facistóides portugas sair da toca e o “hitlerlarilas” ter um resultado com que só nos seus sonhos mais húmidos antevê.

Luxemburgo: Mesmo se a atualidade do pequeno Grão-Ducado não vai certamente ser marcada pelas eleições presidenciais portuguesas, também me apetece escrever sobre elas por aqui.

Em 2016, 527 cidadãos deslocaram-se às instalações do Consulado de Portugal para votar e eleger o Presidente da República. 527 entre 2.027 inscritos, para um eleitorado potencial de pelo menos 80.000 cidadãos portugueses em condições de votar.

Adivinha-se uma participação ainda mais miserável, até porque o Estado português, bem ciente da importância da eleição do mais alto magistrado da Nação (também me apetecia pôr esta coisa do “mais-alto-magistrado-da-nação” entre aspas, itálico e tracinhos, mas prontos!) foi de um esmero e de uma pro-atividade difícil de igualar.

Eu, tu, ele, nós, vós e eles que votam no estrangeiro têm mais é que se deslocar ao consulado ou à embaixada para votar! Quais voto por correspondência, eletrónico ou outro método do século XXI?

Se por aqui até nem se oferecem dificuldades de maior, já que os 60 Km de largura e os 80 km de comprimento do Luxemburgo dificilmente podem ser desculpa para não votar, imaginemos o que se passa a Austrália. Há um português que faz questão de votar (Há malucos p’ra tudo!) e mora em Derby. Para votar no consulado de Sidney tem de percorrer 4.316 km! Adivinho que não o vá fazer!

Fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro... deixem passar janeiro que eu depois conto-vos o resto. Não sou o Zandinga!

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