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"Mussolini também fez coisas boas": polémica com o Presidente do Parlamento Europeu

"Mussolini também fez coisas boas": polémica com o Presidente do Parlamento Europeu

Foto: AFP
Mundo 2 min. 14.03.2019

"Mussolini também fez coisas boas": polémica com o Presidente do Parlamento Europeu

Antonio Tajani pediu desculpa "a quem se tenha sentido ofendido" pelas considerações que fez sobre o ditador fascista italiano, mas foi pedida a sua demissão.

O Presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, pediu desculpa "a quem se tenha sentido ofendido" pelas declarações que fez ao programa La Zanzara, da rádio italiana Radio24, dizendo que "Mussolini também fez coisas boas".

De imediato, Tajani foi criticado por Udo Bullmann, líder do grupo socialista em Estrasburgo e várias vozes de outros grupos políticos no Parlamento Europeu exigiram "um pedido de desculpas ou a demissão". Considerando "indignas" as afirmações, o belga Philippe Lambert, copresidente do grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, exigiu que Tajani recuasse ou se afastasse de funções. Presidente do grupo liberal ALDE, o também belga Guy Verhosftadt também quis ouvir de Antonio Tajani um pedido de desculpas. Mesmo em Itália, o M5S, um dos partidos que integram a coligação governamental de direita com a Liga, o partido de extrema-direita de Matteo Salvini, a sua opinião foi contestada. Só o grupo do Partido Popular Europeu, ao qual pertence, defendeu Tajani, referindo tratar-se de um "democrata" que partilhava com o seu grupo parlamentar "a condenação do fascismo".

Próximo de Silvio Berlusconi, Antonio Tajani reagiu, afirmou-se "antifascista convicto" e pediu desculpa, argumentando que nunca pretendeu "justificar ou banalizar um regime antidemocrático e totalitário". Ao mesmo tempo, não deixou de referir que as suas declarações tinham sido objeto de "instrumentalização".

Ontem, o Presidente do Parlamento Europeu afirmara à Radio24 o seguinte sobre Benito Mussolini: "Podemos não partilhar os seus métodos, mas é preciso ser honesto - Mussolini mandou construir estradas, pontes, edifícios, instalações desportivas e outras infraestruturas em Itália. De um modo geral, não considero positiva a sua ação governativa, mas houve diversas coisas que foram feitas", resumiu, lembrando ainda os "erros graves e inaceitáveis" do ditador.

Depois de ter fundado, em 1919, os Fasci Italiani di Combatimento (futuro partido fascista), tirou partido da instabilidade política e social para manipular e tornar-se Duce (chefe do partido). Seguiu-se o recurso às milícias chamadas camisas negras para semear o terror na sociedade e chegar à nomeação como primeiro-ministro por parte do rei Vítor Manuel III.

Depressa manobrou para assumir plenos poderes, instaurando uma ditadura que se prolongou durante mais de duas décadas em Itália. Antes de estabelecer a aliança com a Alemanha nazi de Adolf Hitler e o Japão que levaria à II Guerra Mundial, sendo responsável por crimes contra a Humanidade, homicídios, torturas e perseguições, Benito Mussolini promoveu a invasão da então Abissínia (atual Etiópia), causando perto de meio milhão de vítimas mortais. Acabou executado após a capitulação em 1945.



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