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Morreu o marinheiro lusodescendente do beijo icónico em Nova Iorque
Mundo 2 min. 19.02.2019

Morreu o marinheiro lusodescendente do beijo icónico em Nova Iorque

Sibila LIND
George Mendonsa tinha 95 anos e era filho de portugueses. A fotografia - onde aparece a beijar uma enfermeira - tornou-se um símbolo do fim da Segunda Guerra Mundial.


@Alfred Eisenstaedt

Não foi um ato de paixão, mas sim de alegria. George Mendonsa, assim como milhares de americanos, tinha acabado de saber que a guerra ia acabar. Estávamos no dia 14 de agosto de 1945 e o norte-americano, filho de emigrantes portugueses, saiu a meio de um espectáculo no Radio City Music Hall onde estava a ter o primeiro encontro com Rita Petrie - aquela que viria a ser a sua futura mulher - e correu para a rua. Contudo, não foi Rita que George beijou mas uma estranha.

“De repente, um marinheiro agarrou-me. Não foi tanto um beijo, foi mais um ato de celebração: ele não tinha de voltar para o Pacífico, onde tinha combatido", contou a austríaca Greta Friedman, que morreu em 2016 com 92 anos, numa entrevista à CNN. "Agarrou-me porque eu estava vestida de enfermeira e estava agradecido a todas as enfermeiras. Não foi uma coisa romântica mas uma forma de dizer: ‘Graças a Deus a guerra terminou’”. Para George, o sentimento foi o mesmo. "Cheguei a Times Square, a guerra tinha acabado e eu vejo a enfermeira. Tinha bebido um bocado e foi algo instintivo”, recordou à CNN. "Muitas pessoas dizem: 'Bem, agarraste a enfermeira enquanto estavas num encontro.' E eu respondo: 'Por amor de deus, a guerra tinha acabado! Eu lembro-me do que é que estas enfermeiras fizeram [por nós durante a guerra]'".

Casais vestem-se de marinheiros e enfermeiras no dia 14 de agosto de 2015, em Nova Iorque, para recriar a fotografia icónica de Alfred Eisenstaedt
Casais vestem-se de marinheiros e enfermeiras no dia 14 de agosto de 2015, em Nova Iorque, para recriar a fotografia icónica de Alfred Eisenstaedt
Foto: AFP

Rita ficou atrás, mas não se importou com o beijo. “Eu estava lá ao fundo, a sorrir como uma tonta. Não me importei”, admitiu a mulher, agora com 70 anos. O momento foi capturado pelo fotojornalista Alfred Eisenstaedt para a revista Life e tornou-se numa das imagens mais icónicas da Segunda Guerra Mundial. Contudo, a imagem também foi alvo de várias controvérsias -  desde que a fotografia foi publicada, em 1980, vários pares identificaram-se como os protagonistas da imagem - e alvo também de acusações de assédio sexual.

Desde aquele beijo, George e Greta não trocaram nomes nem voltaram a falar. O par só se voltou a reencontrar, no mesmo local, em 2012, 67 anos depois. Apenas nesse ano uma investigação confirmou a verdadeira identidade do marinheiro, que se tratava de George Mendonsa. 

George nasceu em Newport, Rhode Island, numa família piscatória portuguesa. Em 1942, juntou-se à marinha norte-americana e depois de ter servido no Pacífico durante três anos, regressou a casa em 1945. O antigo marinheiro, pai de dois filhos, morreu este domingo com 95 anos de idade. Segundo informações cedidas pela sua filha ao Providence Journal, George caiu num centro de dia em Middletown, nos Estados Unidos, onde vivia com a sua mulher, tendo de seguida uma paragem cardíaca.