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Mobilização global pelo clima foi inédita
"Mudar o sistema, não o clima" foi o lema das manifestações em França

Mobilização global pelo clima foi inédita

AFP
"Mudar o sistema, não o clima" foi o lema das manifestações em França
Mundo 16 3 min. 09.09.2018

Mobilização global pelo clima foi inédita

As marchas de sábado em defesa do ambiente foram mundiais, mas em Paris levaram para a rua milhares de pessoas que protestaram contra as medidas francesas na defesa das alterações climáticas. Organizações Não-Governamentais portuguesas também participaram até porque a exploração de petróleo continua a não ser consensual.

Em comunicado, a organização da manifestação 350.org adiantou 115 mil participantes, mais de 50 mil só na capital  francesa. As autoridades de Paris contabilizaram 18.500 manifestantes.

"É a maior manifestação, em França, pelo ambiente e é a prova que os franceses querem explicações depois das catástrofes climáticas do verão", disse à AFP Clémence Dubois, responsável pela marcha da 350.org francesa.

Esta marcha - cujos números entre a organização e a polícia não coincidem - começou com um movimento na rede social Facebook do cidadão Maxime Lelong, logo após a demissão do ministro do Ambiente e da Transição Energética, Nicolas Hulot.

"Vou ser pai em dezembro e quero que o meu filho viva num planeta sustentável", explicou ontem o jornalista de 27 anos.

Nos cartazes dos manifestantes podia-se ler  "Não nos deixem arder", numa clara alusão ao aquecimento global e às consequentes alterações climáticas ou "Obrigada Nicolas Hulot".

As marchas em França também tiveram lugar nas cidades de Toulouse, Lyon, Lille, Bordeaux, Marseille, Strasbourg, entre outras.

De recordar que 28 de agosto, o ministro responsável pela pasta do Ambiente demitiu-se em direto numa entrevista na rádio France Inter. Na altura, o ecologista admitiu sentir-se "farto de mentir" a si próprio e "frustrado pela falta de medidas do governo francês" na luta contra as alterações climáticas.

Nicolas Hulot é um dos mais reputados ecologistas de França, e uma mais-valia na presidência de Macron, que viu a sua popularidade diminuir com a sua saída.

Em três dias, esta foi a segunda manifestação que o Presidente francês Emmanuel Macron enfrentou.

Na quinta-feira, de visita ao Luxemburgo, Macron foi surpreendido por um grupo de ativistas da organização ambiental Greenpeace e do Movimento Luxemburguês de Ação contra o Nuclear à entrada para a Philharmonie, que protestavam contra as políticas nucleares de França.

Marchas por todo o mundo

As marchas mobilizaram no sábado milhares de pessoas em mais de 900 cidades de 95 países com as Organizações Não-Governamentais (ONG) a reivindicarem que são necessárias medidas cruciais e urgentes de proteção ambiental.

Sob o lema “Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!”, a iniciativa reuniu 40 organizações portuguesas de ambiente, movimentos cívicos, sindicatos e partidos políticos em Lisboa, Porto e Faro.

Em Lisboa, cerca de um milhar de pessoas uniram-se pedindo o fim da exploração dos combustíveis fósseis, para inverter o impacto das alterações climáticas. Segundo a organização da marcha, no contexto europeu, as alterações climáticas afetarão sobretudo Portugal.

Também o primeiro-ministro português António Costa tem sido criticado pela sua posição face à exploração de petróleo na costa portuguesa.  As ONGs portuguesas defendem que a prospeção de petróleo e a dependência dos combustíveis fósseis não estão em linha com o acordo de Paris.

Acordo de Paris em risco

Segundo um grupo de ecologistas reunido em Banguecoque, na Tailândia - onde também se ouviram protestos - advertiu que o Acordo de Paris pode estar em risco devido à falta de financiamento. Os ecologistas denunciam que há países que estão a recuar nas propostas de financiamento, depois do anúncio da saída dos EUA do tratado.

De recordar que Donald Trump abandonou o tratado, assinado pelo seu antecessor Barack Obama, em nome da defesa dos empregos norte-americanos na exploração do carvão e na indústria em geral.

Os EUA são o segundo maior emissor de gases poluentes do mundo, a seguir à China, e a sua participação no acordo de Paris é fundamental tanto para travar as alterações climáticas como para financiar as ajudas aos países que mais sofrem os efeitos do aquecimento global.

O Acordo de Paris tem o objetivo de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e, assim, limitar o aumento das temperaturas a 1,5 graus centígrados em relação à era pré-industrial.

  Vanessa Castanheira (com agências)






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