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Ministro boliviano da Saúde preso por compra de ventiladores a preço excessivo
Mundo 2 min. 21.05.2020

Ministro boliviano da Saúde preso por compra de ventiladores a preço excessivo

Ministro boliviano da Saúde preso por compra de ventiladores a preço excessivo

Foto: AFP
Mundo 2 min. 21.05.2020

Ministro boliviano da Saúde preso por compra de ventiladores a preço excessivo

Governo de facto investiga escândalo de corrupção na aquisição de 170 aparelhos a uma empresa espanhola através de intermediários.

O escândalo desencadeado na Bolívia pela compra de ventiladores um milhão de dólares acima do preço de mercado levou na quarta-feira à detenção do ministro da Saúde, Marcelo Navajas. 

Até ontem, o responsável pela pasta da saúde do governo de facto liderado por Jeanine Áñez, que substituiu Evo Morales através de um golpe militar, tinha excluído a existência de irregularidades na compra destes 170 ventiladores a uma empresa espanhola através de intermediários. Para além de Navajas, foram também detidos dois consultores da instituição que financiou a operação, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que inicialmente tinha apoiado esta aquisição para lidar com a covid-19. 

Estas detenções, que vêm juntar-se à de um funcionário intermédio, ocorrem poucas horas depois de a presidente interina, Jeanine Áñez, que foi encurralada pelas investigações dos meios de comunicação social, ter manifestado a sua intenção de tomar uma posição dura sobre o caso. 

"Graças a reportagens nas redes e nos meios de comunicação social, iniciámos uma investigação sobre possível corrupção na compra de respiradores espanhóis. Peço a prisão e ordeno todo o peso da lei mesmo contra aqueles que tenham levado apenas um peso. Cada cêntimo de corrupção deve ser devolvido ao Estado", afirmou Áñez no Twitter. Na semana passada, fora a mesma presidente a anunciar, num ato público,a compra desses ventiladores.

A imprensa boliviana determinou que cada um dos ventiladores produzidos pela empresa catalã GPA Innova tem um preço de fábrica de 7.194 dólares. Mas o governo provisório pagou - não à empresa, mas a um ou vários intermediários, um pormenor que ainda não está esclarecido - mais de 4,7 milhões de dólares por 170 aparelhos. Isto significa que cada uma custou 28 mil dólares. O executivo boliviano decidiu fazer esta compra diretamente em Espanha, de acordo com os primeiros dados através do seu cônsul em Barcelona, David Pareja, apesar de um importador local se ter oferecido para trazer o mesmo equipamento para o país por 12.500 dólares por unidade.

Fontes da GPA Innova explicaram ao El País, a partir de Barcelona, que a empresa "vendeu as máscaras respiratórias a um exportador, a um preço tabelado e daí a responsabilidade ser do exportador" e que "não têm conhecimento do preço de venda final". As mesmas fontes indicam que o produto comercializado "é uma máscara respiratória de emergência, das quais 100 unidades foram vendidas ao Departamento de Saúde do Governo catalão", e que aguardam a validação de uma nova máscara respiratória, um modelo "avançado". "Somos fabricantes especializados, não exportadores", dizem as mesmas fontes.

Estes ventiladores também foram contestados pelas associações médicas da Bolívia, por uma razão que não o seu preço. Em cartas e declarações públicas, os especialistas assinalaram que estes dispositivos não se destinavam a cuidados intensivos mas sim à assistência de emergência, pelo que eram inadequados para tratar os doentes da covid-19. Até ontem, a Bolívia registou 4.263 casos de covid-19 e 174 mortes.

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