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Militar lusodescendente acusado de 'traição' a Maduro
Mundo 3 min. 01.05.2019

Militar lusodescendente acusado de 'traição' a Maduro

Militar lusodescendente acusado de 'traição' a Maduro

Foto: AFP
Mundo 3 min. 01.05.2019

Militar lusodescendente acusado de 'traição' a Maduro

Lusodescendente, que é chefe do Estado-Maior das Forças Armadas venezuelanas, foi ontem dado como sendo o comandante da revolta promovida pelo autoproclamado presidente interino Juan Guaidó.

Foi o deputado pró-Guaidó, José António Mendoza, quem lançou a 'bomba': Um dos homens de confiança de Nicolás Maduro "é o militar que encabeça" a Operação Liberdade promovida pelo autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, que levou milhares de venezuelanos às ruas lutando contra os homens e os tanques militares de Maduro.

O militar que teria traído Nicolás Maduro é o lusodescendente, José Adelino Ornelas Ferreira, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Venezuela, que durante o dia de ontem, 30 de abril, viu o seu nome ser citado por toda a comunicação social venezuelana e internacional. E pelas ruas do seu país que está a ferro e fogo.

Ornelas Ferreira.
Ornelas Ferreira.
Foto: Twitter/José A. Ornelas F.

"Última hora: O general do Exército José Adelino Ornelas Ferreira, chefe do Estado-Maior Conjunto, é o militar que encabeça o movimento junto ao presidente", assim noticiou na sua conta do Twitter, logo pela manhã, segundo cita o jornal Observador. A mensagem foi replicada nas redes sociais pela imprensa venezuelana e centenas de internautas.


Homem de confiança do ex-presidente Hugo Chávez, e agora de Nicolás Maduro, Adelino Ornelas foi ontem dado como sendo o comandante da revolta promovida pelo autoproclamado presidente interino Juan Guaidó. O militar desmentiu tudo, entretanto, e reforçou o apoio a Maduro.  

Também pelas redes sociais circulou furiosamente durante o dia uma frase supostamente atribuída ao "Major General José Ornelas Ferreira, Chede de Estado Maior da Ceofanb": "Isto não é um golpe militar, somos militares constitucionais que reconhecemos o Engenheiro Juan Guaidó como presidente da Venezuela. Não digam que é um golpe militar". 

Após o sucedido, vários apoiantes de Maduro se apressaram a desmentir a tão alegada traição ao regime de Nicolás Maduro. "O Major General, José Adelino Ornelas Ferreira, 2do. Comandante da Ceofanb e Chefe de Estado Maior Conjunto mantém a sua lealdade e subordinação ao presidente constitucional da República Boliviana da Venezuela", lia-se na conta do Twitter da Vice-presidência de Economia do regime de Nicolás Maduro.

Mais tarde, o desmentido surgiu mesmo do próprio José Ornelas Ferreira (terceiro à direita, na foto do tweet acima), reiterando o seu apoio a Maduro, na sua conta no Twitter.

"Como soldado desta Pátria, reafirmo a minha lealdade absoluta ao meu C.G. Nicolás Maduro e apego ao legado do meu Cmdte. Supremo Hugo Chávez. Hoje, mais do que nunca na Fanb venceremos contra quem busca quebrar a paz na república. Triunfar". A mensagem é acompanhada por uma fotografia onde Ornelas surge acompanhado por vários militares, junto a uma imagem de Chávez. 

Horas mais tarde, o general apareceu ao lado do ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, numa declaração ao país.

A confiança de Maduro pelo lusodescendente já vem desde os tempos do ex-presidente Hugo Chávez. O major general de ascendência portuguesa participou na conquista da Base Aérea de Carlota, durante o golpe de Estado de 4 de fevereiro de 1992 e foi chefe da Casa Militar durante o mandato de Chávez.

Terá estado junto ao antigo presidente mesmo nos últimos instantes da sua vida. Nos derradeiros momentos, o líder venezuelano "não podia falar, mas disse com os lábios 'não quero morrer, por favor não me deixem morrer', porque ele gostava do seu país, imolou-se pelo seu país", contou Ornelas Ferreira ao jornal argentino La Nacion, aquando da morte do antigo presidente em março de 2013.

Após o desaparecimento de Chávez, Ornelas Ferreira continuou com a mesma função, desta vez às ordens de Maduro. Em 2017, o presidente venezuelano promove-o a comandante do Segundo Comando e chefe do Estado-Maior Conjunto do Comando Estratégico Operacional.

Paula Santos Ferreira 

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