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#Metoo está a conquistar a China e já houve vitórias em tribunal
Mundo 1 4 min. 05.11.2019

#Metoo está a conquistar a China e já houve vitórias em tribunal

#Metoo está a conquistar a China e já houve vitórias em tribunal

Foto: DR
Mundo 1 4 min. 05.11.2019

#Metoo está a conquistar a China e já houve vitórias em tribunal

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
O movimento chinês tem crescido com avanços significativos contra os agressores. Ainda assim, há mulheres a serem presas por divulgarem a sua opinião.

Em comparação com os Estados Unidos, onde o movimento #MeToo já levou a tribunal homens como Harvey Weinstein ou Kevin Spacey, na China o percurso tem sido mais difícil devido à forte censura e repressão sobre qualquer tipo de movimento que vá contra a ideologia do governo.

No entanto,esta luta feminina teve um avanço significativo recentemente, quando o Supremo Tribunal Popular decidiu acrescentar o assédio sexual à lista formal de causas de litígio civil. 

Esta vitória vem no seguimento do caso de Liu Li, relatado no jornal britânico The Guardian, que lutou para ganhar o processo judicial contra o seu antigo chefe, Liu Meng

Liu Li acusou-o de assédio sexual no trabalho e viu a vida escrutinada. "A defesa argumentou que os 'posts online' que ela fez sobre a peça 'Monólogos da Vagina' sugeriam que ela estava 'aberta' aos avanços sexuais".

Apesar disso, não desistiu. E ainda bem. "A 11 de Julho, um tribunal de Chengdu decidiu a seu favor e ordenou ao antigo chefe que pedisse desculpa publicamente. A vitória, embora modesta, é uma das primeiras vitórias legais para o movimento #MeToo da China, que surgiu no ano passado", pode ler-se no jornal.

O primeiro caso

Fundado pela ativista americana Tarana Burke, em 2006, o movimento #MeToo alcançou destaque mundial em outubro de 2017, depois de dezenas de mulheres admitirem ter sofrido assédio sexual por parte do famosos produtor de Hollywood Harvey Weinstein. 

A hashtag #MeToo cresceu e o movimento tornou-se global. Na China, o #MeToo chegou relativamente tarde, no início de 2018.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

O primeiro caso na China

O primeiro caso que chamou a atenção do público e que despoletou a discussão  aconteceu com o professor universitário Chen Xiaowu. Luó Xīxī, uma ex-aluna, divulgou as suas denúncias de assédio sexual contra ele. 

Num ensaio, Luo explicou que sua decisão de expor o comportamento predatório de longa data de Chen foi desencadeado por publicações sobre o caso Weinstein.

"Eu disse um 'eu também' [me too] para mim mesma", escreveu, referindo-se ao momento em que percebeu que queria contar publicamente a sua situação.  Como resultado, Chen foi destituido de sua posição de professor naquela universidade.  

Depois de Luo, outras mulheres chinesas vieram a público falar sobre a conduta predatória de homens em posições de poder.

Entretanto, o Ministério da Educação chinês pediu a todas as universidades do país que criem comités especiais para lidar com alegações de assédio sexual e para melhorar o caminho do procedimento das queixas.  

Em julho de 2018, o mundo das ONG's teve seu momento #MeToo quando Léi Chung, fundador de uma grande instituição de caridade dedicada a eliminar a discriminação contra pessoas com hepatite B, admitiu e pediu desculpa por forçar uma mulher a fazer sexo com ele durante uma caminhada em 2015.

Sophia Huang. A cara do ativismo chinês

O movimento continua a lutar contra a censura do governo mas enfrenta várias barreiras culturais e políticas.     

Foto: Sophia Huang

Huang Xueqin, também conhecida como Sophia, uma ativista de 30 anos e uma das vozes feministas chinesas mais reconhecidas, foi detida pela polícia em Guangzhou, uma cidade do sul perto da fronteira com Hong Kong. 

Huang juntou-se aos protestos pró-democracia de Hong Kong e terá sido presa por "atiçar discussões". 

Após admitir que a própria tinha sofrido assédio no local de trabalho, Huang conduziu um inquérito, em 2018, em que que 84% das 416 jornalistas entrevistadas tinham sofrido assédio sexual no local de trabalho. 

Numa entrevista à CNN, a ex-jornalista disse que "ainda há tão poucas pessoas condenadas porque há poucas vítimas que denunciam. Para a maioria das vítimas, é uma vergonha." Ainda não há data para a libertação da ativista.