Escolha as suas informações

#MeToo. Atriz francesa revela que sofreu assédio sexual aos 12 anos de realizador
Mundo 3 min. 05.11.2019

#MeToo. Atriz francesa revela que sofreu assédio sexual aos 12 anos de realizador

#MeToo. Atriz francesa revela que sofreu assédio sexual aos 12 anos de realizador

AFP
Mundo 3 min. 05.11.2019

#MeToo. Atriz francesa revela que sofreu assédio sexual aos 12 anos de realizador

Em França, Adèle Haenel quebrou um "novo tabu" ao fazer a denúncia do que sofreu em adolescente, nos bastidores seu primeiro filme.

A atriz francesa Adèle Haenel acusou publicamente o realizador de cinema Christophe Ruggia de a ter submetido a um “assédio sexual permanente” entre os seus 12 e 15 anos. O realizador desmente tudo, mas a ‘Société des réalisateurs de films’ já anunciou ontem, dia 5, a sua expulsão.

AFP

 A atriz que é conhecida por filmes como ‘Apollonide’ou ‘Portrait de la Jeune Fille en Feu’, faz as acusações num artigo publicado dia 3 de novembro, pelo site de informação ‘Mediapart’ que durante seis meses investigou este caso, e diz ter documentos que corroboram a versão de Adèle Haenel, premiada com dois César.

 Só agora, aos 30 anos, Haenel conseguiu ganhar coragem para denunciar o caso que ocorreu há 17 anos e lhe deixou amargas marcas.

Os abusos começaram aos 12 anos

 Os abusos começaram aos 12 anos, quando em 2002, foi escolhida para aquele que seria o seu primeiro filme, ‘Les Diables’, realizado precisamente por Christophe Ruggia, que tinha na altura 36 anos.

 Entre os anos 2001 e 2004 o realizador não se cansou de assediar constantemente a atriz, obrigando-a a sentir as suas mãos em várias partes do corpo, a ser beijada por ele no pescoço, situações que aconteciam no apartamento de Ruggia ou nas viagens que faziam juntos para festivais de cinema.

 A descrição é feita no artigo intitulado '#MeToo no cinema: a actriz Adèle Haenel quebra um novo tabu', onde esta vítima explica porque só agora decidiu denunciar o agressor.   

 Vergonha e raiva

 Depois do assédio, até aos 15 anos, ficou primeiro uma “vergonha” “profunda, tenaz” que deu posteriormente lugar à “raiva” que demorou a largar a atriz. Só anos depois conseguiu que para lá da raiva começasse “pouco a pouco” a sentir “apaziguamento”, dado que no entender de Haenel “era necessário passar por tudo isto”, como confessa ao site ‘Mediapart’.

 Até que, em março deste ano, “a raiva reacendeu-se”, embora de “forma mais construtiva”, ao ver o documentário o documentário ‘Leaving Neverland’, sobre os alegados abusos de Michael Jacskon, e “revelou um mecanismo de controlo”.

 Realizador desmente tudo

AFP

 

 O realizador Christophe Ruggia desmente as acusações da atriz através de um comunicado enviado pelos seus advogados, considerando a denúncia “difamatória”. Ruggia “refuta categoricamente” qualquer má conduta, afirmando que entre os dois existia apenas um “relacionamento profissional e afetuoso”.

 "Ele quase me destruiu"

“Estou chocada. Ele é louco”, desabafou Adèle Haenel sobre os argumentos do realizador num programa ao vivo transmitido ontem à noite, dia 5 de novembro, pelo site da Mediapart.

 “E ainda estou mais chocada pelo facto de ele dizer que me descobriu [como atriz], porque na verdade ele quase me destruiu, acima de tudo”, acrescentou Haenel, recordando que “já se passaram 17 anos”. 

“Foi uma viagem muito longa”, confirmou a atriz de ‘Les Combattants, e ‘120 Battements par Minute ’. Só que, algo aconteceu.

“O mundo mudou. E é por isso que eu decidi falar. Porque devo a mim mesma ser capaz de falar, como todas as pessoas que falaram dos casos #MeToo e fizeram mudar o modo como eu olhava para o que tinha vivido. É desta forma que eu quero contribuir”, disse a atriz no programa.

 Expulso entre os pares

A denúncia da atriz trouxe de novo o assunto do assédio no mundo do cinema à ribalta e os argumentos do realizador não convenceram também a Société des Réalisateurs de Films (SRF), de França

A SRF anunciou também ontem, segunda-feira, que tinha decidido expulsar o realizador Christophe Ruggia dos seus quadros após acusações "comoventes" do "assédio sexual" do realizador à actriz Adèle Haenel.

"Na sequência da investigação publicada pela Médiapart, a SRF manifesta o seu total apoio, admiração e gratidão à actriz Adèle Haenel, que teve a coragem de falar após tantos anos de silêncio. Gostaríamos de lhe dizer que acreditamos nela e que não fugimos à nossa própria responsabilidade", escreve a SRF em comunicado. Adèle Haenel espera agora que outras mulheres vítimas possam ganhar também coragem e denunciar. Basta denunciar, diz ela que não irá apresentar queixa formal de Ruggia.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.