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Metade da UE está em risco de seca prolongada. Luxemburgo "mais seco que o normal"
Mundo 4 min. 18.07.2022 Do nosso arquivo online
Ambiente

Metade da UE está em risco de seca prolongada. Luxemburgo "mais seco que o normal"

Barragem do Alto Rabagão, Montalegre, Portugal.
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Metade da UE está em risco de seca prolongada. Luxemburgo "mais seco que o normal"

Barragem do Alto Rabagão, Montalegre, Portugal.
Foto: Lusa
Mundo 4 min. 18.07.2022 Do nosso arquivo online
Ambiente

Metade da UE está em risco de seca prolongada. Luxemburgo "mais seco que o normal"

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Embora não esteja no grupo dos estados mais atingidos, no geral, o mais recente relatório da Comissão Europeia inclui o Grão-Ducado entre os países cujo solo se apresenta "mais seco que o normal". E a previsão é de agravamento até ao fim do verão.

Cerca de metade do território da União Europeia (UE) e Reino Unido está em situação de risco devido à seca prolongada. 

Os dados são de um relatório publicado esta segunda-feira pela Comissão Europeia, que refere que a análise da evolução e do impacto da seca prolongada mostra que uma parte muito significativa da Europa está atualmente exposta a níveis de aviso (44% da UE+Reino Unido) e alerta (9% da UE+Reino Unido).

O documento sobre “a seca na Europa – julho de 2022”, elaborado pelo Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia com base no trabalho do Observatório Europeu da Seca, sublinha que “a seca severa que afeta diversas regiões da Europa desde o início do ano continua a expandir-se e a agravar-se”, devido à combinação de falta de chuva e às ondas de calor, estimando-se que provoque um declínio no rendimento das culturas agrícolas em diversos países, incluindo Portugal, um dos mais afetados.

"O stress hídrico e térmico está a fazer baixar o rendimento das colheitas a partir de uma perspetiva já negativa para os cereais e outras culturas. A França, Roménia, Espanha, Portugal e Itália terão de enfrentar esta redução do rendimento das culturas. A Alemanha, a Polónia, a Hungria, a Eslovénia e a Croácia também estão a ser afetadas", indica o relatório da Comissão Europeia.

Solo mais seco que o habitual no Luxemburgo

Embora o Luxemburgo não esteja no grupo dos países mais afetados, no geral, pelos efeitos da seca, um dos mapas do relatório inclui o Grão-Ducado entre aqueles cujo solo se apresenta "mais seco que o normal".


Governo pede aos cidadãos para poupar água. Veja as dicas
Luxemburgo está "fase de vigilância" no que respeita ao abastecimento de água potável.

No final da semana passada, o Governo apelou aos cidadãos para pouparem água, decretando "fase de vigilância" face à "situação precária para o abastecimento de água potável". Um contexto agravado pelas previsões de temperaturas elevadas para o início desta semana.

A tendência de seca no país, segundo o relatório da Comissão Europeia, também deverá piorar ao longo do verão, já que o território luxemburguês está sob aviso de condições anormais de tempo seco nos próximos meses.

Situação vai agravar-se até setembro

A par do Luxemburgo, noutros países da Europa central, Reino Unido, e parte do norte da Península Ibérica, incluindo o norte litoral de Portugal, a tendência é de agravamento do tempo seco e do seu impacto na situação de seca durante toda a estação do verão.

"Estas previsões acrescentam preocupações à situação já de si muito crítica e, se confirmadas, irão exacerbar a severidade da seca e o seu impacto na agricultura, energia e fornecimento de água

Seca com impacto na produção de energia 

Cinco regiões italianas já declararam situação de emergência devido à seca e em todos os municípios foram impostas restrições à utilização de água devido à sua insuficiente disponibilidade. Medidas semelhantes para restringir o uso de água foram tomadas em França, salienta a Comissão Europeia, que classifica também de "difícil" o estado em que se encontra toda a Península Ibérica.


Calor. Alerta vermelho para todo o país na terça-feira
De acordo com o instituto de meteorologia, as temperaturas podem chegar aos 38ºC.

"Em Espanha, os volumes de água armazenados em reservatórios são atualmente 31% inferiores à média de 10 anos. Em Portugal, a energia hidroelétrica armazenada em reservatórios de água está a metade da média dos sete anos anteriores. Ambos os países estão a viver condições propícias a incêndios florestais", nota o documento. 

De acordo com o relatório, a produção de energia das centrais de aproveitamento da água dos rios era, até ao início deste mês, inferior à média de 2015-2021 para muitos países europeus, sobretudo Itália, que registou menos 5.039 gigawatt-hora (GWh) em comparação com a média, França (-3.930 GWh) e Portugal (-2.244 GWh).

Mas não é apenas nestes estados que o impacto ao nível da energia se faz notar. A Comissão alerta que a falta de água está a levar à redução ou à suspensão de operações de produção de energia hidroelétrica e termoelétrica em todos os países.

"As alterações climáticas estão a aumentar o risco de secas graves e de incêndios florestais em todo o mundo. O Centro Comum de Investigação está a utilizar ciência e tecnologia para monitorizar as alterações climáticas. Com este relatório, temos uma melhor compreensão da situação para que possamos proteger as nossas florestas, culturas e águas", comentou a comissária europeia da Inovação e Investigação, Mariya Gabriel, citada pela Lusa.

O documento é publicado no mesmo dia em que os ministros da Agricultura da União Europeia se encontram reunidos em Bruxelas – cidade onde a temperatura máxima esta semana poderá chegar aos 40ºC.

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