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Meta global de fome zero até 2030 está “perigosamente mal encaminhada”
Mundo 4 min. 16.10.2021
Pobreza

Meta global de fome zero até 2030 está “perigosamente mal encaminhada”

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Meta global de fome zero até 2030 está “perigosamente mal encaminhada”

Foto: AFP
Mundo 4 min. 16.10.2021
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Meta global de fome zero até 2030 está “perigosamente mal encaminhada”

Lusa
Lusa
O mundo como um todo, em particular 47 países, grande parte localizados na África subsaariana e no sul da Ásia, não conseguirá atingir um baixo nível de fome até 2030.

A meta global de erradicar a fome até 2030 está “perigosamente mal encaminhada” devido à “combinação tóxica” provocada pela crise climática, pela covid-19 e por conflitos violentos cada vez mais graves e prolongados, alertou hoje um relatório internacional.

“O progresso em direção ao objetivo da Fome Zero até 2030, já demasiado lento, está a dar sinais de estagnação ou mesmo de ser revertido”, lê-se no Índice Global da Fome (IGF) de 2021, documento hoje divulgado que é elaborado anualmente pelas organizações não-governamentais (ONG) Welthungerhilfe e Concern Worldwide para analisar o estado da fome no mundo.

Os dados e as projeções do IGF apontam que o mundo como um todo - em particular 47 países, grande parte localizados na África subsaariana e no sul da Ásia -, não conseguirá atingir um baixo nível de fome até 2030, ou seja, a meta global da erradicação da fome, um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 traçada pela Organização das Nações Unidas (ONU), estará comprometida.

“Conflitos, alterações climáticas e a pandemia de covid-19 - três das forças mais poderosas e tóxicas que impulsionam a fome - ameaçam destruir qualquer progresso que tenha sido feito contra a fome nos últimos anos”, sublinha o documento, frisando que os conflitos violentos, “que estão profundamente interligados com a fome”, não mostram sinais de abrandamento.


Luxemburgo e Portugal com o mesmo risco de pobreza ou exclusão social
Os dois países têm, cada um, cerca de 20% da sua população em risco de pobreza ou de exclusão social, de acordo com um relatório hoje revelado.

Em relação às consequências negativas das alterações climáticas, as ONG autoras do documento apontam que estas estão “cada vez mais aparentes e onerosas”, mas, segundo advertem, “o mundo não desenvolveu nenhum mecanismo eficaz para mitigar e muito menos para inverter essa situação”.

Já sobre a pandemia do novo coronavírus, que ainda marca o quotidiano a nível mundial, o relatório afirma que esta crise mostrou o quão vulneráveis são os países e as respetivas populações “ao contágio global e aos danos para a saúde, sociais e consequências económicas”.

“Como resultado destes fatores - bem como de uma série de fatores subjacentes, tais como a pobreza, a desigualdade, os sistemas alimentares insustentáveis, a falta de investimento na agricultura e no desenvolvimento rural, as redes de segurança inadequadas e uma má governação - o progresso na luta contra a fome mostra sinais de estagnação ou mesmo de retrocesso”, reforçam as ONG.

Apesar do relatório mostrar que a fome global tem estado em declínio desde 2000, as ONG alertam que estes sinais “sugerem problemas futuros”.

“Em 2020, 155 milhões de pessoas encontravam-se em situação de grande insegurança alimentar, um aumento de quase 20 milhões de pessoas em relação ao ano anterior”, aponta o documento, advertindo que a desigualdade do estado nutricional das populações dentro dos países é generalizada e que há crianças a sofrerem “com dietas inadequadas e saúde deficiente em todos os cantos do mundo”.

Na análise das ONG, esta desigualdade persistente mesmo dentro das fronteiras dos países tornou-se mais premente devido às restrições de movimento e perturbações dos serviços associadas à pandemia ainda em curso.

“O impacto desproporcionado da pandemia sobre as pessoas pobres e vulneráveis está a agravar o fosso entre ricos e pobres”, vincam as organizações.

Entre os 135 países analisados na edição de 2021 do IGF (dos quais 19 não dispunham de dados suficientes), um país, a Somália, apresenta um nível de fome “extremamente alarmante”.

Em outros cinco países - República Centro Africana, Chade, República Democrática do Congo, Madagáscar e Iémen – foram identificados níveis alarmantes de fome.

A estes juntam-se o Burundi, Comores, Sudão do Sul e a Síria, países onde a fome é provisoriamente classificada como “alarmante”.

O relatório acrescenta que a fome foi identificada como “grave” em outros 31 países, lista onde figuram Angola, Moçambique, Venezuela, Afeganistão ou Índia, sendo ainda provisoriamente classificada como “grave” em mais outros seis países.

“Desde 2012, a fome aumentou em 10 países com níveis moderados, graves ou alarmantes de fome, em alguns casos refletindo uma estagnação do progresso e noutros assinalando uma intensificação de uma situação já de si precária”, frisa o documento, realçando ainda que 14 países alcançaram “progressos significativos na luta contra a fome, com uma redução de 25% ou mais” nos últimos nove anos.

O IGF classifica e ordena as situações de fome verificadas nos países a partir de uma escala de 100 pontos: valores inferiores a 10,0 refletem fome “baixa” e valores iguais ou superiores a 50,0 são “extremamente alarmantes”.

Para organizar tal escala, o índice tem em conta quatro indicadores - subalimentação, emaciação infantil, raquitismo infantil e mortalidade infantil – e utiliza dados publicados por diversas agências das Nações Unidas, pelo Banco Mundial e por inquéritos demográficos e de saúde.

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