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Mesmo em guerra, Iémen recebeu quase 150 mil migrantes

Mesmo em guerra, Iémen recebeu quase 150 mil migrantes

Fotos: UNICEF
Mundo 2 min. 04.12.2018

Mesmo em guerra, Iémen recebeu quase 150 mil migrantes

A maioria chega ao país com o objetivo de entrar no Golfo Pérsico, mas acaba por se deparar com "campos minados para atravessar e troca de tiros".

O Iémen continua a ser uma etapa da rota dos migrantes africanos, de onde tentam chegar até aos países ricos do Golfo Pérsico. Apesar do agravamento da crise humanitária no país,  em 2018, quase 150 mil pessoas - 50% mais do que no ano passado - entraram no Iémen, informou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM). "Nós prevemos que as chegadas de migrantes ao Iémen, um país que está em guerra, cheguem a cerca de 150 mil pessoas neste ano", declarou o porta-voz da OIM, Joel Millman, aos jornalistas em Genebra.

Cerca de 20% destes migrantes são menores "e muitos não estão acompanhados", afirmou Millman, descrevendo como "extraordinário e perturbador" o facto de que tantas pessoas "estão a atravessar uma zona perigosa de guerra", com "campos minados para atravessar e troca de tiros".


TOPSHOT - Yemeni boy Ghazi Ali bin Ali, 10, suffering from severe malnutrition lies on a bed at a hospital in Jabal Habashi on the outskirts of the city of Taiz, on October 30, 2018. - The war has left almost 10,000 people dead since the coalition intervened, and sparked what the UN has labelled the world's worst humanitarian crisis. (Photo by Ahmad AL-BASHA / AFP)
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Este ano, cerca de 92% dos migrantes que entraram no Iémen são da Etiópia. O restante veio da Somália, segundo a OIM, que não tem informação sobre o número de migrantes que morreram quando tentavam atravessar o país. Segundo Millman, em 2018 foram confirmadas 156 mortes de migrantes no mar, mas "não há dúvida de que (as mortes) estão subestimadas".

A OIM vai realizar uma conferência no Djibouti, na quarta-feira, "para implementar urgentemente melhorias na gestão dos fluxos migratórios para o Iémen e os países do Golfo". Sete países participarão (Djibuti, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Kuwait, Somália e Iémen) na reunião.


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O Iémen está a ser atingido por um conflito em grande escala desde a intervenção militar de uma coligação sob o comando saudita em março de 2015, que já deixou 10.000 mortos e mais de 56.000 feridos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). As organizações não-governamentais acreditam que o número real de vítimas diretas e indiretas do conflito é muito maior.

A ONU alertou hoje que "o Iémen nunca esteve tão perto da fome" e que quase 80% da população, ou aproximadamente 24 milhões de pessoas, "precisa de alguma forma de proteção e de assistência humanitária". “O país com maiores problemas em 2019 será o Iémen”, afirmou hoje Mark Lowcock, sub-secretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, numa conferência de imprensa em Genebra para apresentação do plano humanitário global para 2019.

Lusa

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