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Mais ricos pagam pagam menos impostos do que a classe média nos Estados Unidos
Mundo 2 min. 09.10.2019

Mais ricos pagam pagam menos impostos do que a classe média nos Estados Unidos

Mais ricos pagam pagam menos impostos do que a classe média nos Estados Unidos

Foto: AFP
Mundo 2 min. 09.10.2019

Mais ricos pagam pagam menos impostos do que a classe média nos Estados Unidos

Os economistas Emmanuel Saez e Gabriel Zucman revelam no livro que vão lançar este mês que os 400 norte-americanos mais ricos só pagaram 23% de impostos sobre os seus rendimentos em 2018.

Os multimilionários norte-americanos passaram de pagar 70% do seu rendimento total em 1950 para 47% em 1980 e 23% em 2018. Na “terra das oportunidades”, a classe média paga já cinco pontos a mais em impostos que os mais ricos, de acordo com a investigação dos economistas Emmanuel Saez e Gabriel Zucman no livro "O Triunfo da Injustiça: Como os ricos evitam impostos e como fazê-los pagar" que vai ser publicado nos Estados Unidos a 15 de outubro. 

O gráfico que o próprio Gabriel Zucman publicou no Twitter mostra como o "sistema tributário mais progressivo do mundo" se transformou num outro em que os multimilionários pagam "menos do que ninguém", fato que não é estranho à redução de impostos aprovada por Donald Trump em 2017.

A imagem partilhada mostra como os impostos estaduais, federais e municipais evoluíram de forma positiva para os muito ricos nos Estados Unidos. Um panorama que leva estes economistas a afirmar que a máxima avançada pelo multimilionário Warren Buffet, um firme defensor do aumento dos impostos para os mais ricos que denunciou há dez anos que a sua secretária pessoal pagava mais do que ele, está agora em prática. "Pela primeira vez em mais de um século, os bilionários pagam menos impostos do que os seus secretários", concluem os autores, segundo uma das resenhas do livro. 

Numa conferência acerca do imposto sobre heranças oferecida por estes dois professores da Universidade da Califórnia em setembro passado resumiu algumas das principais conclusões da investigação, que foi baseada no estudo da combinação de todos os impostos pagos em diferentes níveis da administração nos EUA.

"A desigualdade de rendimentos e riqueza aumentou drasticamente nos Estados Unidos nas últimas décadas. Uma das principais preocupações sobre a concentração da riqueza é o seu efeito nas instituições democráticas e na formulação de políticas. A visão de que a concentração de riqueza excessiva corrói o contrato social tem raízes profundas nos Estados Unidos, um país fundado em parte em reação à Europa muito desigual e aristocrática do século XVIII", argumentam.

Atualmente, a taxa média de imposto para toda a economia dos EUA é de 28%. As taxas de imposto nos sete decis inferiores são ligeiramente inferiores à média (25% em vez de 28%). As taxas de imposto entre os percentis 80 e 99,9 são ligeiramente superiores à média (cerca de 29%). A taxa de imposto atinge 33% para os 90% inferiores. Mas a taxa de imposto cai para 23% entre os mais ricos. Ou seja, para os 0,1%, as 400 maiores fortunas do país.

Neste grupo está Buffet, o terceiro homem mais rico do mundo, um dos signatários da carta que exigiu em 2001 ao recém-eleito presidente do país, George W. Bush, não eliminar, como havia anunciado, o imposto sobre heranças, uma taxa de entre 37 e 55% sobre heranças de valor superior a um milhão de dólares. "Seria como formar a equipa olímpica para os Jogos de 2020, escolhendo o primogénito dos 2000 medalhistas", explicaram multimilionários como Bill Gates ou George Soros.

Contrário a posição, na redução fiscal promovida no ano passado por outro milionário e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Imposto sobre Heranças foi finalmente reduzido.

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