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Mais de mil menores detidos nos Chile
Mundo 2 min. 19.02.2020

Mais de mil menores detidos nos Chile

Mais de mil menores detidos nos Chile

AFP
Mundo 2 min. 19.02.2020

Mais de mil menores detidos nos Chile

Das 10.365 pessoas detidas desde outubro, 1.249 são crianças ou adolescentes.

A denúncia é do Instituto Nacional de Direitos Humanos do Chile. Das 10.365 pessoas detidas desde outubro, 1.249 são crianças ou adolescentes. Desde outubro, os confrontos entre militares e população resultaram em mais de 30 mortos e milhares de feridos. Às centenas de pessoas que ficaram cegas juntam-se relatos de abusos sexuais 

Há quatro meses que o país que o presidente Sebástian Pinera descrevia como um "oásis" na América Latina é palco de protestos contra o modelo socioeconómico que, tal como a Constituição em vigor, foram herdados da ditadura militar de Augusto Pinochet. 

A revolta popular que ganhou força contra o aumento do preço do metro da capital, transformou-se em manifestações diárias com milhares a contestarem a sistema de pensões e o agravamento da situação nos setores da saúde e educação.

Segundo dados recolhidos diretamente por observadores do Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH) nas esquadras de polícia das regiões metropolitanas, Santiago, capital chilena, e a cidade de Antofagasta, do norte do país, são as que registam o maior número de pessoas detidas nas manifestações. 

"No contexto dessas visitas, o INDH recebeu diferentes tipos de denúncias de casos de tortura, de tratamento cruel, desumano e degradante, também de violência sexual contra as pessoas detidas e em outros casos de incumprimento de direitos dos detidos", indicou o responsável jurídico da entidade, Rodrigo Bustos, citado num comunicado.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou desde as primeiras semanas de protestos para as violações dos direitos de crianças e adolescentes devido a procedimentos policiais.

A atualização dos dados divulgados hoje pelo INDH revelam 1.835 denúncias de violações de direitos humanos, incluindo 197 por violência sexual, 520 por tortura e tratamento cruel e 1.073 por uso excessivo da força.

Além disso, este instituto contabilizou 3.765 feridos, dos quais 445 alegadamente por balas de borracha disparados por agentes policiais.

No total, o INDH já apresentou 1.312 ações judiciais contra as forças do Estado, incluindo cinco por homicídio, 19 por tentativa de homicídio, 195 por violência sexual e 951 por tortura e tratamento cruel.

Várias organizações internacionais, como a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch ou as Nações Unidas também denunciaram esses alegados abusos.

com Lusa