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Mais de 6.500 trabalhadores migrantes morreram na preparação do Mundial do Qatar
Mundo 3 min. 24.02.2021

Mais de 6.500 trabalhadores migrantes morreram na preparação do Mundial do Qatar

Mais de 6.500 trabalhadores migrantes morreram na preparação do Mundial do Qatar

Mundo 3 min. 24.02.2021

Mais de 6.500 trabalhadores migrantes morreram na preparação do Mundial do Qatar

A maioria provém da Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka e morreram a trabalhar no Qatar, desde que este país foi escolhido para acolher o Campeonato do Mundo de Futebol há 10 anos.

Os resultados, compilados a partir de fontes governamentais, significam que morre uma média de 12 trabalhadores migrantes destas cinco nações do sul da Ásia todas as semanas desde dezembro de 2010.

Dados da Índia, Bangladesh, Nepal e Sri Lanka revelam que morreram 5.927 trabalhadores migrantes no período de 2011-2020. Separadamente, dados da embaixada do Paquistão no Qatar relataram mais 824 mortes de trabalhadores paquistaneses, entre 2010 e 2020.

O número total de mortes é significativamente mais elevado, uma vez que estes números não incluem mortes de vários países que enviam grandes números de trabalhadores para o Qatar, incluindo as Filipinas e o Quénia. As mortes ocorridas nos últimos meses de 2020 também não estão incluídas.

Nos últimos 10 anos, o Qatar embarcou num programa de construção sem precedentes, em grande parte em preparação para o torneio de futebol em 2022. Para além de sete novos estádios, dezenas de grandes projetos foram concluídos ou estão em curso, incluindo um novo aeroporto, estradas, sistemas de transportes públicos, hotéis e uma nova cidade, que acolherá a final do Campeonato do Mundo.

Embora os registos da morte não estejam distribuidos por ocupação ou local de trabalho, é provável que muitos trabalhadores que morreram tenham sido empregados nestes projetos de infraestruturas do Campeonato do Mundo, afirmou ao The Guardian Nick McGeehan, um diretor da FairSquare Projects, um grupo de defesa especializado em direitos laborais no Golfo. "Uma proporção muito significativa dos trabalhadores migrantes que morreram desde 2011 só estiveram no país porque o Qatar ganhou o direito de acolher o Campeonato do Mundo", defendeu.

O número de mortes no Qatar está registado em longas folhas de cálculo de dados oficiais que enumeram as causas da morte: múltiplas lesões contundentes devido a quedas, asfixia devido a enforcamento ou causa de morte indeterminada devido à decomposição. Mas entre as causas, a mais comum é a chamada "morte natural", frequentemente atribuída a insuficiência cardíaca ou respiratória aguda.

Com base nos dados obtidos pelo The Guardian, 69% das mortes entre os trabalhadores indianos, nepaleses e do Bangladesh são categorizadas como naturais. Só entre os indianos, o número é de 80%. Tais classificações, que geralmente são feitas sem autópsia, não fornecem na maioria das vezes uma explicação médica legítima para a causa subjacente a estas mortes.

Em 2019, constatou-se que o intenso calor do Qatar no Verão é suscetível de ser um fator significativo em muitas mortes de trabalhadores. As conclusões do The Guardian foram apoiadas por uma pesquisa encomendada pela Organização Internacional do Trabalho, que revelou que durante pelo menos quatro meses do ano os trabalhadores enfrentaram um stress térmico significativo quando trabalhavam no exterior.

O comité que organiza o Campeonato do Mundo no Qatar quando questionado sobre as mortes em projetos de estádios respondeu que lamentava "profundamente todas estas tragédias" e  que investigavam "cada incidente para garantir que as lições fossem aprendidas". Sempre mantivemos a transparência em torno desta questão e contestamos reivindicações inexatas em torno do número de trabalhadores que morreram nos nossos projectos", alegou.

Numa declaração, um porta-voz da FIFA afirmou que está totalmente empenhado em proteger os direitos dos trabalhadores nos seus projectos. "Com as medidas muito rigorosas de saúde e segurança no local ... a frequência de acidentes nos locais de construção do Campeonato Mundial de Futebol da FIFA tem sido baixa quando comparada com outros grandes projectos de construção em todo o mundo", afirmou, sem fornecer qualquer evidência nesse sentido.

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