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Mais de 10.000 civis terão morrido em Mariupol. Ofensiva russa no Donbass intensifica-se
Mundo 5 min. 12.04.2022
Guerra na Ucrânia

Mais de 10.000 civis terão morrido em Mariupol. Ofensiva russa no Donbass intensifica-se

Mariupol, na Ucrânia.
Guerra na Ucrânia

Mais de 10.000 civis terão morrido em Mariupol. Ofensiva russa no Donbass intensifica-se

Mariupol, na Ucrânia.
Foto: Maximilian Clarke/SOPA Images vi
Mundo 5 min. 12.04.2022
Guerra na Ucrânia

Mais de 10.000 civis terão morrido em Mariupol. Ofensiva russa no Donbass intensifica-se

Redação
Redação
Em Mariupol, a cidade mais atingida pela guerra, as forças russas avançam no terreno defrontando os últimos bastiões de defesa ucraniana que permanecem na cidade. O número total de civis mortos resultante dos combates que se prolongam há mais de um mês deverá ser muito superior.

Mais de 10.000 civis ucranianos já terão morrido em Mariupol durante o cerco das tropas russas e o número de mortos pode ultrapassar os 20.000, segundo avança Vadym Boychenko, o presidente da Câmara daquela cidade portuária.

Numa entrevista telefónica à agência Associated Press (AP), o autarca acusou também os russos de levarem para aquela cidade equipamentos móveis de cremação, para descartar os corpos que vão "preenchendo as estradas" e de recusarem a entrada de comboios humanitários na cidade, na tentativa de esconder a "carnificina".


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Segundo Vadym Boychenko, as tropas russas levaram muitos corpos para um centro comercial de grande dimensões, onde se encontram instalações de armazenamentos e frigoríficos, acrescentou.

O autarca alertou que em Mariupol há cerca de 120.000 civis que precisam urgentemente de comida, água, aquecimento e comunicações e que muitos dos que tentam sair têm de passar pelos checkpoints russos.

Vadym Boychenko afirma que apenas os moradores que passam pelos "campos de filtragem" russos podem sair da cidade e que as forças russas criaram prisões improvisadas organizadas para aqueles que não passam pela "filtragem".

Pelo menos 33.000 habitantes de Mariupol foram levados para a Rússia ou para território separatista na Ucrânia, garantiu.

Ofensiva final da Rússia no Donbass intensifica-se

Estas declarações surgem numa altura em que a Rússia está a lançar a última grande ofensiva na região do Donbass, no leste da Ucrânia.

Segundo fontes ucranianas, citadas pela agência de notícias espanhola Efe, no passado domingo, as tropas russas tentam romper as linhas inimigas com uma manobra de cerco desde a região de Kharkov a norte, a cidade portuária de Mariupol no sul e a região de Lugansk no leste de Donbass.  


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Ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês garantiu ainda apoiar todos os esforços em andamento e, "em particular, o trabalho do Tribunal Penal Internacional".

A ofensiva na região de Donbass implicará a utilização, pelas tropas russas, de aviões, artilharia e mísseis, como aconteceu, na sexta-feira, na estação ferroviária de Kramatorsk, uma fortaleza militar ucraniana na zona, onde morreram cerca de 50 pessoas.  

Na segunda-feira, Denis Pushilin, o chefe dos separatistas de Donetsk, que são apoiados pelos russos, afirmou à agência Ria-Novosti que as suas forças controlavam totalmente a zona portuária da cidade estratégica de Mariupol.

Citado pelo mesmo meio, também o representante do exército separatista, Eduard Basurine, disse que os últimos defensores ucranianos se concentravam agora nas fábricas Azovstal e Azovmach.  

Um dos últimos bastiões da resistência ucraniana situa-se no grande complexo metalúrgico de Azovstal, situado junto ao porto de Mariupol.

Segundo o responsável,  Denis Pushilin, milhares de soldados ucranianos, onde se inclui o batalhão Azov, ainda combatem no complexo fabril de Azovstal. "O número referido nos nossos relatórios refere-se entre 1.500 e 3.000 pessoas", afirmou.

No Facebook, uma brigada das Forças Armadas ucranianas escreveu que se preparava para uma "batalha final" em Mariupol, alegando falta de capacidade material para combater. 

"Hoje será, provavelmente, a batalha final porque as nossas munições estão a esgotar-se", escreveu na rede social Facebook a 36.ª brigada da Marinha Nacional, que integra as Forças Armadas ucranianas, citada pela AFP.

"Será a morte para alguns de nós e o cativeiro para outros", acrescentou a brigada, pedindo ainda "aos ucranianos" para que se lembrem deles "com uma palavra amável". "Há mais de um mês que lutamos sem munições, sem comida, sem água", fazendo "o possível e o impossível", referiu a unidade, que disse ainda que cerca de "metade" dos membros da brigada estão feridos.

A brigada queixou-se ainda da falta de ajuda do comando do Exército e do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, lamentando que só recebeu "50 cartuchos, 20 minas, mísseis antitanque NLAW".

EUA antecipam "fase mais prolongada" e sangrenta da guerra

Os EUA consideram que a invasão da Rússia deverá entrar agora "numa fase mais prolongada e muito sangrenta", uma vez que se concentra na região de Donbass.

"Pelo que vimos, estamos provavelmente a virar outra página no mesmo livro de brutalidade russa", disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, numa conferência de imprensa. 


Karl Nehammer em conferência de imprensa na embaixada da Áustria, em Moscovo, depois do encontro com Vladimir Putin.
Chanceler austríaco diz que teve diálogo "direto e duro" com Putin
Karl Nehammer disse esta segunda-feira que confrontou o presidente russo com os "graves crimes de guerra" cometidos em Bucha.

O responsável anunciou que os EUA já enviaram mais material de guerra para apoiar as forças ucranianas contra a invasão russa, afirmando que um carregamento inicial de 100 drones Switchblade já chegou à região e que o número total de drones militares que os EUA enviarão para a Ucrânia será na ordem das centenas.

Alemanha reforça ajuda militar à Ucrânia

A Alemanha também vai enviar mais apoio material militar para a Ucrânia, anunciou o chanceler alemão Olaf Scholz sem dar mais pormenores. 

"Com a decisão que tomei, a Alemanha rompeu com uma longa tradição de não fornecer armas a um país como a Ucrânia", disse Scholz aos repórteres na segunda-feira, numa conferência de imprensa com o primeiro-ministro albanês Edi Rama. 

O chanceler apontou as entregas, durante as últimas semanas, de armas alemãs, como mísseis anti-tanque, mísseis anti-aéreos e munições e adiantou que o país continuará "a apoiar a Ucrânia". "Faremos isto em estreita cooperação com todos os nossos amigos, com os quais coordenamos esta ação. Não haverá uma ação isolada, mas apenas ações conjuntas e cuidadosamente consideradas", referiu.

Japão avança com sanções contra filhas de Putin

O Japão anunciou entretanto mais sanções visando figuras de topo russas, incluindo as filhas de Vladimir Putin.

O governo japonês congelou bens de 398 pessoas, como parte da sua última ronda de sanções contra a guerra na Ucrânia. A esposa e a filha do Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, também foram acrescentadas à lista. 

Os congelamentos de bens foram ainda alargados a 28 entidades, incluindo o maior banco do país, o Sberbank.

(Com agências)

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