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Maioria do chocolate produzido no mundo envolve trabalho infantil, de acordo com relatório
Mundo 2 min. 24.10.2020

Maioria do chocolate produzido no mundo envolve trabalho infantil, de acordo com relatório

Maioria do chocolate produzido no mundo envolve trabalho infantil, de acordo com relatório

Foto: Twitter
Mundo 2 min. 24.10.2020

Maioria do chocolate produzido no mundo envolve trabalho infantil, de acordo com relatório

Algumas das crianças que trabalham na colheita do cacau têm apenas cinco anos.

Um estudo da Universidade de Chicago revela um aumento do trabalho infantil na produção global de cacau, apesar das promessas das empresas internacionais de deixar de utilizar este fruto colhido por crianças.

De acordo com este estudo, encomendado pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, cerca de 43% de todas as crianças com idades compreendidas entre os cinco e os 17 anos nas regiões produtoras de cacau do Gana e da Costa do Marfim estão envolvidos em trabalhos perigosos. Estes dois países são os maiores produtores de cacau do mundo.

No total, estima-se que 1,5 milhões de crianças trabalham na produção de cacau em todo o mundo, metade das quais se encontram só nestas duas nações da África Ocidental. O relatório afirma que o trabalho perigoso inclui a utilização de ferramentas afiadas, trabalho noturno e exposição a produtos agroquímicos, entre outras actividades nocivas.

A proporção global de crianças que trabalham aumentou 14 por cento na última década, afirma o mesmo relatório, observando que o aumento foi acompanhado por um aumento de 62% na produção de cacau durante o mesmo período.

À medida que a produção global de cacau aumentou, a produção de cacau espalhou-se por áreas da Costa do Marfim e do Gana onde as infraestruturas de monitorização do trabalho infantil eram fracas e o conhecimento das leis que o regulamentam era baixo", sublinhou Kareem Kysia, diretor da investigação sobre populações vulneráveis na Universidade de Chicago e autor principal do relatório.

"As intervenções para conter o trabalho infantil perigoso no setor do cacau devem visar áreas novas e emergentes da produção e concentrar-se nos esforços para reduzir a exposição às partes componentes do trabalho infantil perigoso", acrescentou.

De acordo com Richard Scobey, presidente da Fundação Mundial do Cacau, ao Washington Post, o relatório mostra que "existem ainda hoje demasiadas crianças na produção de cacau a fazer trabalhos para os quais são demasiado jovens, ou trabalhos que as põem em perigo". A fundação representa empresas que lidam com cerca de 80 por cento da cadeia de fornecimento de cacau do mundo.

"As empresas sozinhas não podem resolver o problema", considerou Scobey, observando também que a produção global de cacau tem aumentado.

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