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Maduro expulsa embaixadora da UE em resposta ao agravamento das sanções na Venezuela
Mundo 4 min. 30.06.2020

Maduro expulsa embaixadora da UE em resposta ao agravamento das sanções na Venezuela

Maduro expulsa embaixadora da UE em resposta ao agravamento das sanções na Venezuela

AFP
Mundo 4 min. 30.06.2020

Maduro expulsa embaixadora da UE em resposta ao agravamento das sanções na Venezuela

A portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa tem 72 horas para abandonar Caracas, depois da UE ter aumentado para 36 o número de venezuelanos com contas e bens congelados. Desta vez, até há opositores a Maduro na lista de 'perona non grata' da União.

Portuguesa, a embaixadora da União Europeia em Caracas tem 72 horas para abandonar o país, depois do Presidente Nicolás Maduro ter assinado a sua ordem de expulsão em gesto de retaliação contra as nova sanções que o bloco dos 27 resolveu aplicar-lhe a si e a outros 11 venezuelanos, aumentando para 36 o número de indivíduos que têm as contas congeladas e estão proibidos de viajar. 

“Quem são eles para tentar se impor com ameaças? Chega! Decidi dar 72 horas à embaixadora da União Europeia em Caracas para que deixe nosso país. Basta do colonialismo europeu contra a Venezuela!”, advertiu o inquilino do Palácio de Miraflores. “No dia de hoje a UE lançou uma resolução em que pune venezuelanos que, fazendo parte de instituições do Estado, respeitam a Constituição; punem a direção da Assembleia Nacional, porque se negou a cumprir ordens da Embaixada da UE em Caracas”, resumiu. 

UE sanciona opositores de Maduro 

Pela primeira vez desde o início da crise de poder gerada pela autoproclamação de Juan Guaidó em 2019, as instituições europeias decidiram incluir na lista de 'persona non grata' elementos que alinham fora da estrutura chavista, entre eles o atual líder da Assembleia Nacional, Luis Parra. 

Opositor declarado de Nicolás Maduro e da Revolução Bolivariana, o homem que afastou Guaidó da liderança do orgão legislativo venezuelano foi acusado de "agir contra o funcionamento democrático" do Parlamento. 

Ao lado dos EUA, a UE considerou que a eleição de Parra violou os procedimentos legais e os princípios constitucionais democráticos. Considerou legal, a segunda autoproclamação de Guaidó que, derrotado na Assembleia Nacional tomou posse para um segundo mandato nas instalações do segundo maior jornal da oposição, o El Nacional, tornando-se no primeiro aspirante a líder mundial que se declarou presidente duas vezes sem ter vencido qualquer ato eleitoral e fora das representações de poder. 

Além de Parra, os vice-presidentes do orgão legislativo, Franklyn Duarte e José Gregorio Noriega também foram alvo das sanções europeias. Na lista estão também os procuradores Farik Mora e Dinorah Bustamante, o diretor da Comissão Nacional de Telecomunicações, Jorge Márquez, o magistrado do Supremo Tribunal de Justiça Juan José Mendoza, o auditor das despesas públicas Elvis Amoro, os membros da Assembleia Constituinte Tânia Díaz e Cladys Requena, e o secretário-geral do Conselho de Defesa da Nação, José Adelino Ornelas Ferreira.

"Firme repúdio"

Depois das próprias instituições europeias, o governo português já veio condenar a expulsão de Isabel Brilhante Pedrosa da Venezuela. Alinhado com autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, desde a primeira hora, o ministro dos Negócios estrangeiros português, Augusto Santos Silva manifestou o "firme repúdio" pela decisão de Nicolás Maduro. 

“A expulsão da embaixadora da UE pelo regime de Caracas merece firme repúdio. Está muito enganado quem pensa que é com gestos destes que se ultrapassa a grave crise venezuelana”, lê-se na conta oficial de Augusto Santos Silva, no Twitter. 

UE ameaça retaliar

O chefe da diplomacia europeia também condenou a expulsão e adiantou que serão tomadas medidas de “reciprocidade”.

“Condenamos e rejeitamos a expulsão da nossa embaixadora em Caracas. Tomaremos as medidas necessárias de reciprocidade”, escreveu o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, na sua conta na rede social Twitter.

Na mensagem, o chefe da diplomacia da UE reitera que “apenas uma solução negociada entre venezuelanos permitirá ao país sair da profunda crise” na qual se encontra.

A porta-voz da Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros precisou em conferência de imprensa que a embaixadora da Venezuela junto da UE será convocada “hoje mesmo”, acrescentando que uma decisão sobre a tal medida de "reciprocidade" deverá ser tomada pelos 27 nos próximos dias.

“A UE e os seus Estados-membros estão a considerar as medidas apropriadas com resposta aos desenvolvimentos em curso. Mais concretamente, vamos convocar a embaixadora de Nicolas Maduro junto das instituições europeias hoje mesmo, e a partir daí poderemos ver que medidas poderão seguir-se”, afirmou Virginie Battu-Henriksson.

A eventual decisão de declarar a embaixadora ‘persona non grata’ é “uma decisão política que deve ser tomada pelos Estados-membros por consenso”, explicou.

A porta-voz voltou a deplorar a expulsão, apontando igualmente que “todas as medidas que atingem o trabalho diplomático numa situação como esta apenas contribuem para a escalada da situação e colocam em causa um caminho para uma saída pacífica e política desta crise”, além de “isolar ainda mais o regime de Maduro a nível internacional”.

Ainda assim, garantiu, a UE está e continua “muito ativa na promoção de uma solução política e democrática para a Venezuela, através de eleições legislativas e presidenciais livres e credíveis”.

Quem é a portuguesa expulsa de Caracas?

Entre 2008 e 2011, Isabel Brilhante Pedrosa desempenhou as funções de cônsul-geral de Portugal na capital da Venezuela, período que coincidiu com o forte impulso político e económico das relações bilaterais, promovido pelos à data Presidente e líder da revolução bolivariana, Hugo Chávez, e primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates.

com Lusa

 

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