Escolha as suas informações

Macron procura primeiro-ministro de cariz "social e ambiental"
Mundo 3 min. 27.04.2022
França

Macron procura primeiro-ministro de cariz "social e ambiental"

Imagens da festa da reeleição de Emmanuel Macron.
França

Macron procura primeiro-ministro de cariz "social e ambiental"

Imagens da festa da reeleição de Emmanuel Macron.
Fotos: AFP
Mundo 3 min. 27.04.2022
França

Macron procura primeiro-ministro de cariz "social e ambiental"

Lusa
Lusa
O Presidente francês reeleito disse na quarta-feira que o seu próximo primeiro-ministro será alguém com provas dadas no âmbito social e ambiental, enquanto a esquerda e a direita se organizam para as eleições legislativas em junho.

Na sua primeira visita pós-eleitoral, o Presidente francês foi esta quarta-feira até à cidade de Cergy, perto a Paris, visitar um mercado junto a um bairro social. A visita não teve grande preparação, já que as redações só souberam esta manhã da deslocação improvisada do chefe de Estado, mas centenas de pessoas saíram à rua.

Após a eleição de domingo em que prometeu respostas para os franceses descontentes com a sua liderança, o Presidente prepara agora o seu próximo mandato e a prioridade é encontrar um novo primeiro-ministro que deverá conduzir a maioria do partido de Macron, República em Marcha, nas legislativas de 12 e 19 de junho.

"Vou nomear alguém que está ligado à questão social, à questão ambiental e à questão produtiva", disse o Presidente respondendo aos jornalistas. Entre as principais figuras apontadas para liderar o Governo até junho está a ministra do Trabalho, Elisabeth Borne, o ministro da Agricultura, Julien Denormandie, e o presidente da Assembleia Nacional, Richard Ferrand.


Macron e Le Pen separados por 5,5 milhões de votos. Em 2017 foram o dobro
Emmanuel Macron enfrenta agora uma França que está pelo menos tão fraturada politicamente como quando foi eleito pela primeira vez em 2017.

 Antigo autarca de Paris, Bertrand Delanoë, pode estar na corrida  

Ao mesmo tempo, outras figuras ressurgem para este lugar, como a antiga ministra do Presidente Nicolas Sarkozy, Nathalie Kosciusko-Morizet, ou até mesmo o antigo autarca de Paris, o socialista Bertrand Delanoë.

Caso perca a maioria na Assembleia Nacional para outro partido, Macron será obrigado a governar em 'coabitação' com um primeiro-ministro de outra cor política.

De forma a travar a renovação da maioria do Presidente, a oposição organiza-se agora à esquerda e à direita para constituir listas às eleições legislativas que lhes permitam enfrentar o candidato de Macron.

À esquerda, a França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon aceitou encontrar-se com o Partido Socialista para negociar eventuais apoios nas eleições, com os socialistas - que obtiveram menos de 2% nas eleições presidenciais - a mostrarem-se mais abertos do que a França Insubmissa, que alcançou quase 22%.

Segundo os dois partidos, as discussões "são sérias" e "construtivas", embora não esteja prevista uma união. Os partidos parecem ter evoluído as suas posições, depois de entre as duas voltas o secretário-geral do PS, Olivier Faure, ter "estendido a mão" à extrema-esquerda e do outro lado ter havido "uma recusa categórica" de qualquer conversação.

Ecologistas estão a aproximar-se da França Insubmissa  

Também os ecologistas estão a aproximar-se da França Insubmissa, com o candidato presidencial d'Os Verdes, Yannick Jadot, a dizer mesmo que quer uma coligação com Jean-Luc Mélenchon. 

A situação d'Os Verdes é atualmente precária já que ainda lhes falta arrecadar 2 milhões de euros de despesas que não vão ser reembolsadas pelo Estado por não terem conseguido mais de 5% nas urnas na primeira volta das eleições.

Já à direita, o ex-comentador político Eric Zémmour anunciou que não vai apresentar deputados nas circunscrições dos candidatos Marine Le Pen, Eric Ciotti e Nicolas Dupont-Aignan.

Tanto Le Pen como Dupont-Aignan encabeçam partidos de extrema-direita, mas Ciotti integra o partido Os Republicanos, embora represente uma fação mais à direita do partido.

Este é um gesto na tentativa de alcançar uma união de direitas, muito desejada por Eric Zémmour, mas já rejeitada por Le Pen. Com a derrota no domingo, Marine Le Pen já está também a preparar as legislativas, voltando a ser candidata na região de Pas-de-Calais.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Esta deputada franco-portuguesa pertence ao PS português e ao PS francês, vendo estas negociações pré-legislativas em França como "uma tentativa de 'gerigonça' à francesa", com os socialistas "numa posição muito fragilizada" após a candidata às presidenciais, a autarca de Paris Anne Hidalgo, não ter conseguido mais de 2% dos votos.
Nunca se viveu uma campanha eleitoral como esta para a eleição do Presidente da República francês. França parece estar a desbipolarizar-se para se dividir em quatro.
(LtoR) French presidential election candidates, right-wing Les Republicains (LR) party Francois Fillon, En Marche ! movement Emmanuel Macron, far-left coalition La France insoumise Jean-Luc Melenchon, far-right Front National (FN) party Marine Le Pen, and left-wing French Socialist (PS) party Benoit Hamon, pose before a debate organised by the French private TV channel TF1 on March 20, 2017 in Aubervilliers, outside Paris.       / AFP PHOTO / POOL AND AFP PHOTO / Patrick KOVARIK