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Macron e Trump defendem novo acordo sobre programa nuclear do Irão
Mundo 5 min. 24.04.2018 Do nosso arquivo online

Macron e Trump defendem novo acordo sobre programa nuclear do Irão

Emmanuel Macron e Donald Trump, na Casa Branca.

Macron e Trump defendem novo acordo sobre programa nuclear do Irão

Emmanuel Macron e Donald Trump, na Casa Branca.
AFP
Mundo 5 min. 24.04.2018 Do nosso arquivo online

Macron e Trump defendem novo acordo sobre programa nuclear do Irão

O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, defenderam hoje um novo acordo para travar as ambições nucleares do Irão, pouco depois de Trump ter considerado o atual texto sobre o programa iraniano "um desastre".

"Nós não temos as mesmas posições de princípio sobre este tema [e] tivemos uma conversa muito aprofundada sobre a questão" deste acordo assinado em 2015 com o objetivo de impedir o Irão de se dotar de armas nucleares, declarou Macron numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente norte-americano.

"Desejamos, por isso, poder a partir de agora trabalhar num novo acordo com o Irão", acrescentou o chefe de Estado francês.

Por seu turno, Trump exigiu um novo acordo com bases "sólidas".

"É um acordo com alicerces podres, é um mau acordo, uma má estrutura", afirmou o dirigente norte-americano.

Durante a sua campanha presidencial, Trump prometeu "rasgar" o acordo, desejado pelo seu antecessor na Casa Branca, Barack Obama, e fruto de anos de negociações.

Ameaçando passar à ação 15 meses após a chegada ao poder, Trump deu aos signatários europeus do atual acordo com o Irão (Alemanha, Reino Unido e França) até 12 de maio para o tornar mais severo.

"Veremos o que acontece após dia 12", comentou.

"Há vários meses que digo que este acordo não é suficiente, mas que nos permite, em todo o caso, ter até 2025 controlo sobre as atividades nucleares" do Irão, insistiu Macron.

O Presidente francês desejou poder envolver-se no processo de redação de um novo acordo "nas próximas semanas e nos próximos meses".

"Esta via é a única que permite a estabilidade. A França não tem qualquer ingenuidade acerca do Irão", disse ainda.

Trump reitera desejo de retirada da Síria, mas quer deixar “marca duradoura”

O Presidente norte-americano reiterou que quer retirar os 2.000 soldados ainda na Síria “o mais brevemente possível”, mas deixando “uma marca duradoura” no país árabe, e não “o caminho livre” para o Irão fazer o que entender.

“Regressaremos a casa, mas queremos deixar uma marca forte e duradoura”, disse Donald Trump numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron.

“No que se refere à Síria, adoraria sair de lá. Adoraria trazer os nossos incríveis combatentes de volta a casa”, disse Trump, salientando que fizeram “um grande trabalho” ao recuperar os territórios que o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI) chegou a controlar na Síria e no Iraque.

Emmanuel Macron e Donald Trump, na Casa Branca.
Emmanuel Macron e Donald Trump, na Casa Branca.
AFP

Embora reiterando que quer “sair” da Síria, o Presidente norte-americano indicou estar de acordo com Macron quanto à necessidade de não deixar ao Irão “o caminho livre” no Mediterrâneo.

Os Estados Unidos temem que o Irão consiga criar um “corredor xiita” de Teerão até ao Mediterrâneo, através das regiões xiitas do Iraque, o que lhe daria acesso direto aos seus aliados no Líbano e na Síria.

Por isso, Trump é de opinião de que o conflito na Síria e a intervenção dos Estados Unidos, enquanto líder de uma coligação internacional, deveriam fazer parte de um “acordo geral” com o Irão, no qual se incluíssem os diferentes territórios onde procura ter influência e também o pacto nuclear.

“Quando fizeram o acordo [nuclear] com o Irão, o que deveriam ter feito era incluir a Síria”, sustentou Trump, frisando que aquele acordo de 2015 que Washington ameaça abandonar em maio, deu a Teerão “uma quantidade tremenda de dinheiro”, inclusive em “barris”.

Macron mostrou-se de acordo com Trump e assegurou que o objetivo é “estabelecer uma série de acordos” para conseguir “construir a paz” na Síria e transformá-la num “país soberano inclusivo”.

“Além da presença militar e além das tropas no terreno, temos que construir, como digo, a paz. Um novo marco inclusivo”, defendeu Macron, afirmando que a França aumentará as suas contribuições para a coligação internacional contra o EI na Síria e no Iraque, liderada pelos Estados Unidos.

Trump já tinha expressado, no início deste mês, o desejo de “trazer para casa” os cerca de 2.000 soldados norte-americanos que estão na Síria, “derrotado o EI”.

Um dos objetivos de Macron nesta visita de Estado aos Estados Unidos era convencer Trump a manter a presença militar norte-americana na Síria, uma vez derrotado o grupo ‘jihadista’.

Há dez dias, os Estados Unidos, o Reino Unido e a França lançaram uma operação militar seletiva na Síria, como retaliação ao alegado uso de armas químicas contra civis por parte do regime de Bashar al-Assad.

Trump agradece a Macron a "firme colaboração" no ataque na Síria

O Presidente norte-americano agradeceu ao seu homólogo francês a "firme colaboração" na operação militar na Síria em resposta a um alegado ataque químico do regime e prestou homenagem ao polícia morto há semanas num ataque terrorista em França.

"Presidente Macron, povos de França e dos Estados Unidos, agora é o momento da força. Que sejamos fortes e estejamos unidos", disse Donald Trump, ao receber formalmente na Casa Branca o Presidente francês.

Emmanuel Macron e Donald Trump.
Emmanuel Macron e Donald Trump.
AFP

Trump afirmou que a parceira que estabeleceu com Macron é testemunho da "sólida amizade que une os dois povos" e agradeceu a "parceria sólida" demonstrada no ataque de 13 de abril.

"Com os nossos amigos britânicos, os Estados Unidos e França tomaram recentemente ações decisivas em resposta ao uso de armas químicas pelo regime sírio. Quero agradecer ao Presidente Macron, às Forças Armadas francesas e ao povo francês pela sua firme colaboração", afirmou.

Macron é o primeiro Presidente a fazer uma visita de Estado aos Estados Unidos desde a posse de Trump, há 15 meses, tendo afirmado que pretende falar com o chefe de Estado norte-americano sobre o acordo nuclear com o Irão, a situação na Síria e a relação comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia.

"Juntos vamos derrotar o terrorismo. Juntos vamos restringir as armas de destruição maciça da Coreia do Norte e do Irão [...] Juntos vamos construir um multilateralismo mais forte", disse Macron.

O Presidente francês sublinhou os laços entre os dois países, afirmando que "a América representa possibilidades infinitas" para França, que partilha com os Estados Unidos "um ideal de liberdade e de paz".

Trump prestou por outro lado homenagem ao tenente-coronel francês Arnaud Beltrame, que morreu depois de ocupar o lugar de uma refém no ataque terrorista de março em Trèbes, no sul de França.

"Há algumas semanas, juntámos mais um nome à lista dos nossos grandes heróis, o do corajoso polícia francês chamado Arnaud Beltrame. Ele olhou o mal de frente sem pestanejar. Ele deu a sua vida pelos seus vizinhos, pelo seu país e pela própria civilização", disse Trump.

Emmanuel Macron e Donald Trump na Casa Branca.
Emmanuel Macron e Donald Trump na Casa Branca.
AFP

(Notícia atualizada às 21:38)

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