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Lula Livre. E agora, Brasil?
Mundo 4 min. 13.11.2019

Lula Livre. E agora, Brasil?

Lula Livre. E agora, Brasil?

Foto: Miguel Schincariol/AFP
Mundo 4 min. 13.11.2019

Lula Livre. E agora, Brasil?

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Em liberdade, Lula da Silva vai percorrer o país com os olhos postos na presidenciais de 2022. Bolsonaro ameaça com a Lei da Segurança Nacional. O destino do país continua no Supremo.

Nem El Pibe ficou inferente à libertação de Luiz Inácio da Silva. Na era digital, seguiu o exemplo dos líderes de esquerda do continente. "Hoje foi feita justiça", escreveu Maradona num festejo que ganhou dimensões mundiais pela quantidade de partilhas. Nem Bernie Sanders ficou indiferente. "Como Presidente, Lula fez mais que ninguém para reduzir a pobreza no Brasil e defender os trabalhadores. Estou muito feliz que tenha sido libertado da prisão, algo que nunca que devia ter acontecido", publicou o democrata em plena maratona pela presidência dos Estados Unidos.

Lá, no Brasil, as reações foram mais que muitas. Perante os festejos da esquerda, o deputado Eduardo Bolsonaro classificou aquele 8 de novembro como "grande dia para a impunidade". O pai, Jair preferiu invocar a Lei da Segurança Nacional contra o ex-presidente. "Está ai para ser usada. Alguns acham que os pronunciamentos, as falas desse elemento que por ora está solto, infringem a lei. Agora nós acionaremos a Justiça quando tivermos mais do que certeza de que ele está nesse discurso para atingir os seus objetivos", disse o atual inquilino do Palácio da Alvorada ao jornal Antagonista a propósito da caravana que Lula da Silva prometeu fazer "de norte a sul" do país "denunciado o desmonte do Estado".

Antes, os deputados da extrema-direita do PSL, Carla Zambelli e Sanderson e o senador Major Olímpio pediram ao Procurador Geral da República, Augusto Aras, medidas urgentes para prender o chefe de Estado mais popular do Brasil. No requerimento divulgado pelo Folha de São Paulo alegam que Lula "incita à violência com o intuito de promover desagregação, confusão e balbúrdia". Na base do documento está o apelo à resistência que Lula da Silva fez no discurso de 45 minutos que marcou o seu regresso a casa no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, em São Bernardo do Campo: "A gente tem de seguir o exemplo do Chile, do povo da Bolívia. A gente tem de resistir".

Nos braços do povo

Em Curitiba, a vigília Lula Livre que durante 580 dias não arredou pé da sede da Polícia Federal desmobilizou. O último "boa noite, Presidente Lula" foi gritado na noite anterior à libertação determinada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que por 6-5, anulou a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância. 

O livro de visitas das centenas que ali passaram desde 7 de abril de 2018 abriu-se pela última vez para a derradeira assinatura: "Lula da Silva, sem medo de ser feliz". As primeiras palavras do ex-presidente foram ditas ali mesmo, perante a multidão vermelha que o aguardava do lado de fora da cela de 50 metros quadrados que o enjaulou por mais de um ano. "Vocês eram o alimento a democracia que eu precisava para resistir. 

Um lado podre do Estado brasileiro fez isso comigo e com a sociedade brasileira. O lado podre da Justiça, do Ministério Público, o lado podre da Polícia Federal e da Receita Federal trabalharam para tentar criminalizar a esquerda, criminalizar o PT e o Lula", disse em jeito de antecipação. No dia seguinte, era recebido em São Paulo, "nos braços do povo" com os alvos na ponta língua. Bolsonaro que acusa de "governar para as milícias", Sérgio Moro apelidado de "canalha" e o ministro da Economia Paulo Guedes, o "demolidor dos sonhos".

Ficha suja ou Ficha Limpa?

Impedido de se candidatar a cargos públicos, no âmbito da Lei Ficha Limpa, Lula ainda não deitou a toalha ao chão. A reviravolta do STF reavivou o otimismo dos apoiantes que acreditam que os juízes possam ser favoráveis à ação de suspeição movida contra Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça. Se consideraram que o juiz não foi isento, o processo é anulado e volta à estaca zero. 

Quer isto dizer que a condenação de Lula no caso do triplex do Guarujá cai e o julgamento fica adiado para 2022, abrindo a possibilidade a um lugar do fundador do PT na próxima disputa presidencial. Em entrevista ao El País, o juiz Gilmar Mendes garantiu que o STF deve voltar à apreciação da imparcialidade de Moro ainda este mês. Além do caso do Triplex Lula enfrenta outros seis processos. 

No do Sitio em Atibaia foi condenado em primeira instância, na Operação Janus foi absolvido em dois crimes, está acusado de receber subornos da construtora Odebrecht para construir a nova sede do Instituto Lula, vai ser julgado por tráfico de influências pela compra de 36 caças suecos na Operação Zelotes e pelo mesmo crime num negócio com a Guiné Equotorial. Acusado no "Quadrilhão do PT" viu o Ministério Público Federal pedir a sua absolvição.


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