Escolha as suas informações

Luanda. “Manifestação” silenciosa e caseira para paralisar o país
Mundo 3 min. 10.10.2019

Luanda. “Manifestação” silenciosa e caseira para paralisar o país

Luanda. “Manifestação” silenciosa e caseira para paralisar o país

Mundo 3 min. 10.10.2019

Luanda. “Manifestação” silenciosa e caseira para paralisar o país

Um acto de desobediência civil geral está marcado para sexta-feira, em Luanda, com apelos aos cidadãos para que não saiam de casa provocando a paralisação da capital angolana.

Nos últimos dias circula um panfleto pelas ruas de Luanda a apelar aos cidadãos a participarem num tipo inédito de manifestação para quinta-feira : um acto de não cooperação que consubstancie uma desobediência civil geral que paralise a capital do país – “o resto é mato” como dizem.

O panfleto profusamente distribuído é apócrifo, mas alguns dos artistas, actores e Dj´s que tem vindo a público a incentivar os cidadãos a aderirem ao acto de “não cooperação” são tidas como pessoas descontentes com a agenda política do Presidente João Lourenço, no seio do MPLA, o partido no poder, que alegadamente pretendem provocar a sua demissão.

 A gota de água para este descontentamento foi a realização do casamento faraónico da filha do Presidente da Assembleia Nacional, Fernando Piedade dos Santos “Nandó” que escandalizou a população pelo luxo exibido.

O luxuoso matrimonio, que custou mais de dois milhões de dólares e que durou três dias, está a fomentar reações de desagrado nas ruas e redes sociais pela sua extravagância jamais vista em Angola.

O casamento decorreu num cenário de castelo medieval montado na Marginal de Luanda por um decorador árabe, contratado para o efeito.

“É pena que o Presidente da República tenha ido prestigiar tão obsceno acto. Apesar das relações familiares, João Lourenço deveria ter poupado aos angolanos a ideia de que o seu presidente apadrinha a ostentação insultuosa ao país”, escreveu Graça Campos, num editorial, no Correio Angolense, intitulado “Insulto e desdém”.

Para Graça Campos, “mesmo nos seus piores deslizes, José Eduardo dos Santos e seus rebentos não ousariam ir tão longe. “Nandó” não chegou a PR, mas conseguiu suplantar JES. É um feito e tanto”.

Alguns articulistas na imprensa mais próxima de João Lourenço acusam os promotores anónimos da “manifestação” de desobediência civil de serem saudosistas do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.

A profunda crise económica em que Angola está mergulhada, a seca extrema em seis províncias que tem causado inúmeras vítimas, está a ser usada como rastilho para o monumental descontentamento que se vive pelas ruas do país onde a pobreza atingiu níveis nunca vistos.

Apesar da pobreza crescente, o governo decidiu introduzir o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) no país agravando ainda mais as difíceis condições de vida de uma população sem empregos, para além do da venda de rua, num país em recessão profunda e com mais de 20 milhões de pobres.

O bispo católico da província angolana de Cabinda, Belmiro Chissengueti, considera que a introdução do IVA provocou a “subida exponencial” dos preços e traduz-se num “castigo ao povo angolano sem o salário ajustado”.

“Embora, como se diz, seja o chamado imposto mais justo, na verdade estou com dificuldades em entender a sua aplicação, na medida em que foi dito que os produtos da cesta básica não seriam taxados por esse imposto”, denunciou o bispo.

Segundo o prelado católico, actualmente os preços dos produtos básicos subiram de maneira “exponencial e descontrolada”.

Entretanto, o Chefe de Estado - denominado popularmente como o “exonerador implacável”-  procedeu no início da semana a mais uma vasta remodelação, da qual se destaca a  demissão do ministro das Finanças, Augusto Archer de Sousa, da Ministra da Educação, Maria Cândida Teixeira, da Secretaria de Estado para as Finanças e Tesouro, Vera Esperança dos Santos Daves, e do governador da longínqua província do Namibe, para a qual nomeou o Ministro das Finanças exonerado. 

S.R.S.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas

Crise. Manifestantes querem paralisar Luanda sem sair de casa
Um acto de desobediência civil está programado para o dia de hoje em Luanda, promovido por músicos, artistas, celebridades e até por taxistas, com apelos aos cidadãos para que todos fiquem em casa e não compareçam ao trabalho para paralisarem a capital angolana.