Escolha as suas informações

Leandro Nogueira, o português na origem da revolta dos 'coletes amarelos'
Mundo 3 min. 08.12.2018

Leandro Nogueira, o português na origem da revolta dos 'coletes amarelos'

Leandro Nogueira, o português na origem da revolta dos 'coletes amarelos'

Foto: AFP
Mundo 3 min. 08.12.2018

Leandro Nogueira, o português na origem da revolta dos 'coletes amarelos'

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Em janeiro deste ano, Leandro Nogueira criou, no Facebook, o grupo que está na origem dos 'coletes amarelos', um movimento cívico apartidário que nasceu nas redes sociais e que não dá tréguas ao governo de Macron.

Leandro António Nogueira. É o nome do português que está na origem do movimento dos 'coletes amarelos' que saiu hoje pela quarta vez em massa às ruas da capital francesa, em descontentamento com as políticas do presidente francês, Emmanuel Macron e do empobrecimento geral da classe média.

Segundo o jornal francês Paris Dépêches, que conta toda a história, o português, pedreiro de profissão, criou um grupo fechado no Facebook chamado "Vous En Avez Marre ? C’est Maintenant !! (Colere +Dept)" em janeiro de 2018. Com quase 69 mil seguidores, pode ler-se a seguinte mensagem da descrição: "Este grupo visa criar um bloqueio e mostrar o nosso descontentamento ao governo e aos políticos de todos os tipos! Sem violência, sem ódio e com respeito por todos. Vamos ser solidários".

Segundo o jornal parisiense, o luso nascido na Póvoa do Varzim, reside atualmente em Dordogne, no sul de França, Leandro liderou a primeira manifestação dos "Gilets Jaunes" (coletes amarelos, em francês) a 17 de fevereiro em frente à câmara municipal de Dordogne. Lançou apelos para que o protesto se replicasse pelas várias comunas francesas. Nas redes sociais, o grupo "Vous En Avez Marre ? C’est Maintenant !!" tinha como objetivo ser uma plataforma de debate pacífico dos assuntos e problemas das classes média e baixa, em pequenas cidades. E rapidamente o movimento deu origem a outros grupos semelhantes noutras cidades, ou mesmo sub-grupos radicais como os Colère71000, um movimento de motociclistas que assumiu formas de protesto mais hostis.

Ainda segundo o Paris Dépêches, foi detido pela polícia a 9 de fevereiro deste ano por razões desconhecidas, algo que foi anunciado por um dos administradores do grupo de Facebook. Só neste sábado, já foram publicados 267 posts no grupo criado por Leandro.

O simbolismo dos 'coletes amarelos' está ligado à própria veste que deve ser utilizada pelos condutores para se fazerem ver em caso de acidente. E é esse mesmo objetivo do protesto, serem vistos e ouvidos. O movimento cívico é, no entanto, peculiar: aparentemente apartidário, existe à margem de sindicatos e orientações políticas, e usa as redes sociais como plataformas de mobilização e expressão de descontentamento pelo aumento do custo de vida da classe média francesa.


Coletes amarelos: quando a política explode
A violência chegou às ruas de Paris, França parece em plena guerra. No próximo sábado os manifestantes prometem tomar o Eliseu.

Na base do descontentamento estava o aumento dos combustíveis anunciados pelo governo de Macron, mas rapidamente o movimento materializou-se no descontentamento geral relativo ao empobrecimento geral da classe média francesa. A primeira grande manifestação aconteceu a 17 de novembro em Paris e desde então os manifestantes parecem não dar tréguas. Continuam nas ruas um pouco por toda a França, bloqueando estradas e marchando aos milhares em várias cidades.

Apesar de o governo francês ter recuado no aumento do preço do gasóleo e gasolina, os protestos intensificaram-se nos três últimos fins de semana em Paris, onde milhares de pessoas marcharam na capital francesa, onde se registaram vários confrontos entre manifestantes e a polícia e centenas de detidos. Este sábado, alguns ativistas afirmaram à agência Lusa que não vão desistir até o governo tomar medidas concretas.

Uma delegação de representantes dos "Gilets Jaunes", incluindo figuras como Benjamin Cauchy e Jacline Mouraud, reuniu na sexta-feira passada com o primeiro-ministro Édouard Philippe, para tentar encontrar soluções para um impasse negocial que se arrasta há quatro semanas. Mas esse gesto não foi acompanhado pela desmobilização da ação de protesto, que voltou a acontecer este sábado, em grande parte na capital francesa.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas

Coletes amarelos: Pelo menos 354 detidos em Paris (act.)
Pelo menos 354 pessoas foram hoje detidas para interrogatório em Paris, algumas mesmo antes do início da manifestação dos "coletes amarelos", segundo a SIC Notícias que está na capital francesa. Mais de 500 pessoas foram identificadas.
Governo francês suspende aumento da taxa dos combustíveis
O anúncio desta baixa nos impostos, que o executivo até agora rejeitou fortemente, acontece depois de três semanas de bloqueios e manifestações violentas em todo o território francês, que culminaram com cenas de tumultos em Paris no sábado.
Movimento dos coletes amarelos promete bloquear Paris hoje
O movimento dos "coletes amarelos" desde há uma semana que tem promovido protestos e marchas lentas em França contra o aumento do imposto sobre combustíveis. Mas hoje, de acordo com apelos feitos através das redes sociais, promete mesmo bloquear Paris.