Escolha as suas informações

Líder da ETA preso em França

Líder da ETA preso em França

Foto: AFP
Mundo 3 min. 16.05.2019

Líder da ETA preso em França

O dirigente que convenceu os etarras a abandonarem os atentados terroristas e a declararem o "fim da luta armada" foi detido em França.

Numa operação conjunta das autoridades francesas e espanholas, foi preso esta manhã o dirigente histórico da ETA, Josu Urrutikoetxea, o homem que leu o comunicado que anunciou o fim da organização independentista no ano passado.

 

Josu Urrutikoetxea, conhecido por Josu Ternera, por ter trabalhado na sua juventude num talho, estava em fuga há mais de década e meia. Na manhã de quinta-feira foi apanhado pela polícia do parque de estacionamento de um centro hospitalar situado na localidade de Sallanches, nos Alpes franceses, estabelecimento em que Ternera recebia tratamento de uma doença grave de que padece há vários anos, informou o presidente da autarquia local, Georges Morand, à emissora France Bleu Pays Basque.


Num comunicado, o Ministério espanhol dos Negócios Estrangeiros confirmou a detenção e Pedro Sánchez, presidente do governo de Espanha, declarou através das redes sociais que “a cooperação franco-espanhola volta a demonstrar a sua eficácia”.


O independentista basco vivia numa zona bastante utilizada para a prática de desportos de inverno e, de acordo com a polícia espanhola, a “pouca distância” das fronteiras entre a França, Suíça e Itália. Recorde-se que no verão de 2011, Josu Ternera conseguiu escapar de um cerco policial também nos Alpes franceses e, de acordo com a mesma fonte citada pelo El País, há dois anos repetiu a mesma proeza no sul de França.


Prisão efetiva para Ternera

Josu Urrutikoetxea militou durante meio século na ETA e desempenhou praticamente todas as funções dentro da organização armada basca.


Depois de cumprir pena de prisão em França e em Espanha, o dirigente independentista ficou em liberdade nos anos 90 e foi mesmo eleito deputado em 1998.

 

Posteriormente, foi acusado de participar na organização de um atentado terrorista contra um quartel da polícia espanhola em 1987. Nessa altura, Josu Ternera fugiu e passou à clandestinidade em 2002.


O regresso de Josu Ternera à ETA foi um caso único na história da organização basca. A ETA tinha como regra que os militantes presos não voltavam a tarefas na organização e muito menos à sua direção. 


O regresso do histórico dirigente à direção da ETA foi interpretado como uma maneira de forçar os operacionais da organização armada a abandonarem os atentados terroristas, que se prolongaram cerca de 50 anos, desde a ditadura franquista, durante a instauração da democracia e até ao início do século XXI.

 

Josu Ternera reapareceu nas negociações de paz entre o governo espanhol e a ETA em 2005 e, posteriormente, foi acusado de ser o responsável internacional da organização. Depois do desarmamento da ETA, em maio do ano passado, Josu Ternera foi um dos etarras que fez o comunicado que pôs um ponto final na história da organização basca. 

 

Josu Ternera - juntamente com o dirigente da esquerda independentista (abertzale em basco), Arnaldo Otegi - foi o grande obreiro do fim das ações armadas no país basco, da entrega das armas e da dissolução da organização. Ironicamente, os dois continuarem a ser perseguidos tendo sido ambos presos.  

 

De acordo com fontes judiciais citadas pela agência EFE, não será presente a um juiz uma vez que deve cumprir uma pena de oito anos a que já tinha sido condenado em França. Procuradores da Audiência Nacional, tribunal espanhol para casos de terrorismo, anunciaram já através do seu porta-voz, Miguel Ángel Carballo, que estão a estudar possíveis crimes que reclamem a sua extradição para Madrid.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas

Terrorismo: Desarmamento da ETA marcado para hoje
A organização separatista basca ETA já entregou à polícia francesa as referências de geolocalização de 12 depósitos secretos de armas, que estão todos situados no departamento 64 de França, nos Pirenéus Atlânticos.