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Kim Jong-un comove-se durante discurso "eu falhei em estar sempre à altura"
Mundo 15 3 min. 12.10.2020 Do nosso arquivo online

Kim Jong-un comove-se durante discurso "eu falhei em estar sempre à altura"

Kim Jong-un comove-se durante discurso "eu falhei em estar sempre à altura"

AFP
Mundo 15 3 min. 12.10.2020 Do nosso arquivo online

Kim Jong-un comove-se durante discurso "eu falhei em estar sempre à altura"

Discurso decorreu durante um desfile em comemoração do 75º aniversário do Partido dos Trabalhadores no poder.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, comoveu-se ao emitir um raro pedido de desculpas pelo seu fracasso em guiar o país através de tempos tumultuosos provocados pelo surto de covid-19.

Num discurso que ocorreu durante um enorme desfile militar realizado no fim-de-semana para assinalar o 75º aniversário do Partido dos Trabalhadores no poder, Kim Jong-un tirou os óculos e enxugou as lágrimas. Um gesto que os analistas políticos na imprensa internacional, citados pelo The Guardian, consideram ser sinal de uma pressão crescente sobre o seu regime. 

"O nosso povo depositou em mim confiança, tão alta como o céu e tão profunda como o mar, mas eu falhei em estar sempre à altura", disse, de acordo com uma tradução dos seus comentários no Korea Times. "Lamento muito por isso", disse. 

"Embora me seja confiada a importante responsabilidade de liderar este país defendendo a causa dos grandes camaradas Kim Il-sung e Kim Jong-il graças à confiança de todo o povo, os meus esforços e sinceridade não foram suficientes para livrar o nosso povo das dificuldades das suas vidas". 

Um possível novo míssil de combustível sólido desfilou este sábado na Praça Kim Il Sung em Pyongyang, Coreia do Norte.
Um possível novo míssil de combustível sólido desfilou este sábado na Praça Kim Il Sung em Pyongyang, Coreia do Norte.
AFP

Entretanto, no desfile que ocorreu na capital, Pyongyang, apresentava-se a esperada revelação de um novo míssil balístico intercontinental e outro material militar. Segundo o The Guardian, os analistas políticos disseram que Kim Jong-un utilizou uma parte considerável do seu discurso para simpatizar com o povo norte-coreano. 


Kim Jong-Un a ler uma carta enviada por Donald Trump. A foto foi divulgada a 23 de junho de 2019 pela agência de notícias da Coreia do Norte (KCNA).
Novo livro revela correspondência entre Kim Jong-un e Donald Trump
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O discurso foi apimentado com expressões como "desafios graves", "inúmeras provações" e "catástrofes sem precedentes", de acordo com relatos dos meios de comunicação social.

A Coreia do Norte viu o comércio com a China, de longe o seu maior parceiro económico, cair drasticamente devido ao encerramento das fronteiras em resposta à pandemia, embora Pyongyang insista em não ter registado um único caso do vírus. 

Anos de sanções internacionais em resposta aos programas nucleares e de mísseis de Kim, mais os danos infligidos por catástrofes naturais, só vieram agravar as suas dificuldades. "É importante ver porque é que ele veio derramar lágrimas em tal ocasião", disse Hong Min, diretor da divisão da Coreia do Norte no Instituto Coreano para a Unificação Nacional, ao Korea Times.

"A partir da sua mensagem, pode-se sentir que Kim está sob uma grande pressão acerca da sua liderança". Apesar da presença de tropas, mísseis, tanques e outras provas do crescente poder militar da Coreia do Norte, Kim ofereceu apoio a pessoas em todo o mundo que sofrem em resultado do covid-19 e manifestou esperança de uma melhoria nos laços com a Coreia do Sul. 

A Coreia do Sul disse estar preocupada com o facto do desfile parecer ter incluído um novo míssil balístico de longo alcance, tendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros apelado a Pyongyang para retomar as conversações de desnuclearização. 

Segundo o jornal britânico, Kim advertiu no seu discurso que iria "mobilizar plenamente" a sua força nuclear se ameaçada, mas evitou críticas diretas a Washington. Um funcionário norte-americano afirmou ser "decepcionante" que a Coreia do Norte continuasse a dar prioridade ao desenvolvimento de mísseis nucleares e balísticos enquanto as conversações com os EUA permaneciam num impasse, e instou Pyongyang a "empenhar-se em negociações sustentadas e substantivas para conseguir uma desnuclearização completa". 

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