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Kiev e Paris acreditam em saída diplomática para crise entre a Ucrânia e a Rússia
Mundo 6 min. 08.02.2022
Tensão

Kiev e Paris acreditam em saída diplomática para crise entre a Ucrânia e a Rússia

Emmanual Macron (à esquerda) e Volodymyr Zelensky (à direita).
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Kiev e Paris acreditam em saída diplomática para crise entre a Ucrânia e a Rússia

Emmanual Macron (à esquerda) e Volodymyr Zelensky (à direita).
AFP
Mundo 6 min. 08.02.2022
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Kiev e Paris acreditam em saída diplomática para crise entre a Ucrânia e a Rússia

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Macron esteve reunido esta terça-feira com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, depois de ontem se ter encontrado com o russo Vladimir Putin, numa altura em que a escalada de um conflito iminente entre os dois países sobe de tom.

O presidente da França Emmanuel Macron e o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy reuniram-se esta terça-feira, em Kiev, e mostraram-se empenhados em resolver a tensão entre a Ucrânia e a Rússia de forma diplomática.

Em conferência de imprensa, esta tarde, Macron, cujo país assume atualmente a presidência da União Europeia, afirmou que um acordo é a melhor forma de proteger a integridade territorial da Ucrânia, defendendo que trabalhar na implementação do plano de paz nas próximas semanas será a maneira adequada de progredir para a estabilização da situação entre aqueles dois países, permitindo começar a "desescalar" a tensão atual de iminente conflito entre os dois estados vizinhos. Para isso, defendeu, segundo a AFP, que deverá ser lançado um amplo diálogo internacional sobre uma nova arquitetura de segurança comum para a Europa.

Na mesma conferência de imprensa o presidente ucraniano disse que as conversações com o seu homólogo francês "foram ricas em conteúdo" e "muito produtivas". Contudo, Volodymyr Zelensky afirmou também que espera que se realize brevemente uma cimeira com líderes russos, franceses e alemães.


Putin e Macron
Macron diz a Putin que pretende "iniciar o desescalar" da crise
O Presidente francês é o primeiro líder ocidental a encontrar-se com o chefe de Estado russo, desde que as tensões nas fronteiras ucranianas aumentaram. Terça-feira, parte para Kiev, para se encontrar com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.

 "Esperamos poder ter negociações muito em breve entre os líderes (dos países) do formato Normandia", que junta a Ucrânia, Rússia, França e Alemanha para o processo de paz na Ucrânia oriental. Macron acrescentou que os conselheiros dos presidentes russo, ucraniano e francês e o chanceler alemão deveriam encontrar-se em Berlim na próxima quinta-feira. 

 A última cimeira teve lugar em Paris, em dezembro de 2019 e o plano de paz acordado em 2015 em Minsk, Bielorrússia, tem sido posto em causa, com Kiev e Moscovo a acusarem-se mutuamente de violarem o acordo. Desde 2014, mais de 14.000 pessoas foram mortas em Donbass , em combates entre ucranianos e separatistas pró-russos, de acordo com estimativas da ONU.   

Um dia antes deste encontro com o presidente da Ucrânia, Macron esteve reunido com o presidente russo Vladimir Putin. Segundo a Lusa, o presidente francês afirmou, na conferência de imprensa com os dois líderes, que o chefe de Estado russo assegurou-lhe "a sua disponibilidade para se comprometer" com uma lógica comum assente em “garantias concretas de segurança” para todos os estados envolvidos na crise ucraniana" e também com a manutenção da "estabilidade e integridade territorial da Ucrânia”.

O Presidente russo referiu que algumas das ideias do seu homólogo francês para neutralizar a crise russo-ocidental relativamente à Ucrânia podem criar já as condições "para lançar as bases para o progresso comum", sem, contudo, adiantar pormenores.

Putin assegurou que está preparado para fazer tudo para encontrar compromissos e evitar uma escalada militar. "Do nosso lado, tudo faremos para encontrar compromissos que satisfaçam todos", garantiu, afirmando que nem ele nem Macron querem uma guerra Rússia-NATO que "não teria vencedor".

O chefe de Estado russo continua, ainda assim, a rejeitar a adesão da Ucrânia à NATO e o presidente francês lembrou-lhe que os países bálticos e outros países europeus fronteiriços têm "os mesmos medos" de segurança que os mencionados pela Rússia.

"Devemos reconstruir juntos essas soluções concretas, porque vivemos dos dois lados das fronteiras comuns", defendeu o Presidente francês que se comprometeu ainda a “intensificar os contactos” com todos os parceiros para "construir novas soluções".

Ucrânia relativiza previsões "apocalípticas" de uma invasão russa

Também do lado da Ucrânia, o país no centro desta crise, sobre o qual recaem os receios do ocidente, em particular dos Estados Unidos, de uma possível invasão por parte da Rússia, a preocupação é reduzir a escala da tensão e relativizar as previsões de um confronto bélico.

No domingo, as autoridades do país manifestaram-se contra as "previsões do dia do juízo final", dizendo que as hipóteses de encontrar uma "solução diplomática" com Moscovo continuavam a ser "consideravelmente maiores" do que a de uma "escalada" militar, após os avisos dos EUA de uma possível invasão russa em grande escala.


Operação da NATO na Estónia.
Dinamarca reforça prontidão de batalhão ao serviço da NATO
A Dinamarca vai reforçar o nível de prontidão de um batalhão para mobilização pela NATO em resposta à "pressão militar inaceitável" da Rússia sobre a Ucrânia, anunciou hoje o Ministério da Defesa em Copenhaga.

"Não confiem nas previsões apocalípticas", escreveu o chefe diplomático ucraniano Dmytro Kouleba no Twitter, assegurando que a Ucrânia tem "um exército poderoso" e "um apoio internacional sem precedentes".

 A Ucrânia recebeu armamento no valor de 1.500 milhões de dólares (mais de 1.300 milhões de euros) nos últimos meses, numa altura de tensões fronteiriças com a Rússia, segundo avançou na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmitro Kuleba.

Por sua vez, Mykhailo Podoliak, conselheiro do chefe da administração presidencial da Ucrânia, afirmou, ainda no domingo, que "as hipóteses de encontrar uma solução diplomática" para a crise continuavam a ser "consideravelmente maiores do que a ameaça de uma nova escalada", em comentários escritos fornecidos à AFP pelo gabinete de imprensa presidencial. 

Estas declarações foram proferidas pouco depois dos serviços secretos norte-americanos terem alertado que a Rússia já tem 70% da força necessária para uma invasão em larga escala da Ucrânia e poderia ter capacidade suficiente - 150.000 soldados - para lançar uma ofensiva em duas semanas.

O Governo de Kiev, por outro lado, está a tentar colocar o risco de um ataque russo iminente em perspetiva também para proteger a sua frágil economia, enfraquecida pelo risco de uma invasão.

O país está a negociar apoios financeiros com o Fundo Monetário Internacional (FMI), União Europeia (UE) e Estados Unidos devido ao medo dos investidores em investir no país, afirmou ontem o ministro das Finanças ucraniano.

“Temos de mudar completamente o foco para empréstimos diretos. Estamos atualmente a negociar ativamente com o FMI, a Comissão Europeia e os EUA”, disse Serhiy Marchenko a uma televisão local, citado pela agência de notícias ucraniana Ukrinform.

Marchenko justificou a decisão com o que descreveu como uma “situação desfavorável” nos mercados devido ao pânico dos investidores e a ataques de desinformação contra a Ucrânia.  

As movimentações e destacamentos militares russos para zonas de fronteira com a Ucrânia, nas últimas semanas, têm levado o Ocidente a alertar para uma possível invasão, que Moscovo tem sempre negado. Paralelamente, os estados europeus aliados da NATO e os EUA têm enviado contingentes para países europeus que fazem fronteira com a Rússia e com os seus aliados, como a Bielorússia.

Se por um lado, o Ocidente teme uma invasão da Ucrânia, com dezenas de milhares de tropas russas destacadas na sua fronteira, por outro, a Rússia reivindica o direito de defender-se contra qualquer intenção belicista e exige "garantias" à segurança do seu território. 

Face àquela que é uma das piores crises russo-ocidentais desde o fim da Guerra Fria, os líderes europeus intensificam os seus contactos diplomáticos. Emmanuel Macron, na qualidade de presidente de França, país que assume a presidência da UE, é co-mediador com a Alemanha no processo de paz entre as autoridades ucranianas e os separatistas pró-russos.

Com agências

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