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Juncker propõe acelerar o repatriamento de migrantes irregulares

Juncker propõe acelerar o repatriamento de migrantes irregulares

Foto: AFP
Mundo 4 min. 12.09.2018

Juncker propõe acelerar o repatriamento de migrantes irregulares

No último discurso sobre o Estado da União Europeia, o presidente da Comissão apontou ainda para o reforço da Guarda Costeira e de Fronteiras Europeia com 10 mil elementos até 2020.

No seu último discurso sobre o estado da União Europeia perante o Parlamento Europeu, o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, propôs que seja "acelerado o processo de repatriamento de migrantes irregulares", além do reforço da Guarda Costeira e de Fronteiras Europeia (EBCG, na sigla inglesa) com mais 10 mil elementos até 2020. A medida integra-se numa reformulação das políticas europeias de acolhimento à migração, lembrando Juncker que as operações de salvamento no Mediterrâneo permitiram "salvar 690 mil pessoas desde 2015". Também por isso, insistiu na necessidade de solidariedade a tempo inteiro e não apenas em determinados momentos.

Num discurso que foi aplaudido de pé pelos deputados europeus, destacou os resultados económicos da União "dez anos depois da queda do Lehman Brothers", tendo sido "virada a página da crise económica e financeira que chegou do exterior". E enumerou dados: "A Europa cresce há 21 trimestres consecutivos; foram criados quase 12 milhões de empregos desde 2014 e nunca houve tantos homens e mulheres - 239 milhões - a trabalhar na Europa; a taxa de desemprego entre os jovens é de 14,8%, número ainda muito elevado, mas o mais baixo desde o ano 2000; o investimento voltou e aplaudo o povo da Grécia pelos seus esforços hercúleos". Além disso, defendeu que "a Europa reafirmou a sua posição como potência na área do comércio", recordando que, nas visitas feitas a Pequim, Tóquio e Washington "em apenas uma semana de julho", teve oportunidade de falar "em nome do maior mercado único mundial", justificando: "Muitos surpreenderam-se com o acordo que fiz com Trump, mas não deve ser surpreendente que a Europa tenha sucesso quando fala a uma só voz".

Sobre os Balcãs, Juncker pediu unidade e, quanto à guerra civil na Síria e ao possível desastre humanitário em Idlib, acentuou: "Não podemos ficar calados". E não se esqueceu de recordar tempos conturbados como os que conduziram à I Guerra Mundial para sintetizar: "Devemos apoiar o tipo de patriotismo que é usado em nome do bem e nunca contra os outros. Devemos rejeitar os nacionalismos exagerados que promovem ódio e destroem tudo à sua volta. O tipo de nacionalismo que aponta o dedo aos outros em vez de procurar caminhos para uma vida melhor em comunidade".

Juncker destacou a necessidade de um combate unido contra o terrorismo, incluindo com novas medidas para retirada de conteúdos deste género que estejam online. "A Comissão propõe hoje novas regras para que os conteúdos terroristas publicados na Internet sejam retirados no prazo de uma hora — o período crítico em que se causam os maiores danos", mas também pela proteção dos atos eleitorais. "Os cidadãos europeus devem esperar que a sua União os proteja", referiu, e apelou ao reforço dos laços de soberania e à "ultrapassagem das diferenças entre norte, sul, este e oeste, esquerda e direita".

Em relação ao Brexit, Juncker manteve o apoio dos Estados-membros à fronteira da Irlanda e, quanto ao Reino Unido, destacou que, "a partir de 29 de março de 2019, nunca será um país qualquer" para a União Europeia. "Será sempre um vizinho próximo e um parceiro político, económico e no plano da segurança". E disse ainda: "Respeitamos a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia, uma decisão que lamentamos. Mas pedimos que o Governo britânico compreenda que quem sai da União não pode manter a mesma posição privilegiada de quem fica. Não pode fazer parte do nosso mercado único e seguramente não pode escolher quais são as partes do mercado único que lhe interessam".

No seguimento da consulta pública que foi feita, o presidente da Comissão lembrou ainda que "deve acabar a mudança da hora", competindo aos Estados-membros "a definição sobre ficar com o horário de verão ou de inverno".

O líder da Comissão sublinhou também o apoio dado a África, apontando para "a criação de cerca de 10 milhões de empregos no continente africano nos próximos cinco anos" graças à aliança para investimento sustentável e trabalho entre a Europa e África.

Até à cimeira de líderes de 9 de maio do próximo ano, o líder cessante da Comissão pretende ver resolvidas uma série de questões como, por exemplo, "o acordo de parceria com o Japão, a questão do orçamento para depois de 2020 e o papel do euro no panorama internacional".

"Somos todos responsáveis pela Europa de hoje e temos de assumir a responsabilidade pela Europa de amanhã", afirmou. "A Europa deve ser um arquiteto do mundo de amanhã e a sua voz deve soar bem clara para ser ouvida", acrescentou, salientando a vontade de ver reforçada "a dimensão social" e ainda "mais esforços para unir leste e oeste europeus".

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