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Juncker ao "Le Soir": Acordo com a Grécia foi alcançado devido "ao medo"
Mundo 2 min. 24.07.2015 Do nosso arquivo online

Juncker ao "Le Soir": Acordo com a Grécia foi alcançado devido "ao medo"

O presidente do executivo europeu pensa que "os europeus já não gostam da Europa". "A UE nasceu da vontade dos povos, mas converteu-se num projecto da elite, o que explica o abismo entre as opiniões públicas e a acção política", considera Juncker

Juncker ao "Le Soir": Acordo com a Grécia foi alcançado devido "ao medo"

O presidente do executivo europeu pensa que "os europeus já não gostam da Europa". "A UE nasceu da vontade dos povos, mas converteu-se num projecto da elite, o que explica o abismo entre as opiniões públicas e a acção política", considera Juncker
REUTERS
Mundo 2 min. 24.07.2015 Do nosso arquivo online

Juncker ao "Le Soir": Acordo com a Grécia foi alcançado devido "ao medo"

O presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, afirmou na quinta-feira que "se evitou o pior" graças ao acordo alcançado com a Grécia para evitar a bancarrota daquele estado-membro da UE e a sua saída da zona euro. O luxemburguês foi mesmo mais longe e disse que o acordo foi conseguido devido ao "medo".

O presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, afirmou na quinta-feira que "se evitou o pior" graças ao acordo alcançado com a Grécia para evitar a bancarrota daquele estado-membro da UE e a sua saída da zona euro. O luxemburguês foi mesmo mais longe e disse que o acordo foi conseguido devido ao "medo".

"Evitámos o pior, não porque fomos excessivamente sábios, mas porque tivemos medo", reconheceu Juncker, em entrevista ao jornal belga "Le Soir".

"Foi o medo que permitiu o acordo. Depois do medo há sempre o alívio", acrescentou o antigo primeiro-ministro do Grão-Ducado.

Juncker saudou a coragem do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que ao optar por este acordo ficou com uma parte do seu partido contra si. "Por vezes, tive a impressão que se ele [Tsipras] tivesse ido até ao limite do seu pensamento teria sido o fim da Grécia", aventou ainda Juncker.

Juncker diz que "a Grécia está errada se sente que foi humilhada", porque "a Comissão Europeia fez o possível por arredondar os ângulos" do acordo, tendo em conta "as preocupações, os medos e as expectativas de uns e de outros".

"Parecia, a dado momento, que o Governo da Grécia estava pronto a suicidar-se por medo da morte. Evitámos a morte e fizemos todo o possível para evitar o suicídio".

O chefe do executivo europeu disse que "os europeus não gostam de ver os reformados gregos sentados à porta de um banco grego a chorar, isso não é a Europa!". "Eu escolhi falar abertamente com os gregos, respeitando a sua dignidade", disse.

Os líderes dos 19 países da zona euro, incluindo Tsipras, concordaram para, no prazo de uma semana, "normalizar completamente"  os métodos de trabalho entre os credores (CE, FMI e BCE) e Atenas, apesar da oposição firme de uma parte do partido grego no poder, Syriza.

"Os velhos demónios ainda estão vivos!"

Na entrevista ao Le Soir, o luxemburguês admite igualmente sentir-se "preocupado com o futuro" da UE, não tanto devido à Grécia, mas por causa do problema dos migrantes.

Esta semana, os ministros do Interior da UE debateram a repartição de 40 mil migrantes da Síria, Eritreia, Somália e Iraque, que têm chegado à Itália e à Grécia desde Abril, pelos 28 estados-membros nos próximos dois anos. No entanto, Juncker lamenta que não tenham conseguido chegar a um acordo.

"Há uma ruptura de facto nos laços de solidariedade na Europa", lamentou Juncker, "os velhos demónios, os ressentimentos nacionais [de outros tempos] ainda estão vivos".

O presidente do executivo europeu pensa que "os europeus já não gostam da Europa". "A UE nasceu da vontade dos povos, mas converteu-se num projecto da elite, o que explica o abismo entre as opiniões públicas e a acção política", considerou.


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