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Jornalistas e mulheres afegãs espancados por talibans em manifestação
Mundo 14 2 min. 09.09.2021
Afeganistão

Jornalistas e mulheres afegãs espancados por talibans em manifestação

Afeganistão

Jornalistas e mulheres afegãs espancados por talibans em manifestação

Foto: AFP
Mundo 14 2 min. 09.09.2021
Afeganistão

Jornalistas e mulheres afegãs espancados por talibans em manifestação

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Manifestações foram reprimidas e mulheres agredidas por protestarem por liberdade e direitos iguais no Afeganistão. Cinco jornalistas de um diário de Cabul foram detidos e espancados, por terem acompanhado as manifestações, e mostraram as marcas das agressões.

Cinco jornalistas de um jornal diário de Cabul divulgaram imagens de marcas de espancamentos, alegadamente cometidos por talibans que os detiveram na sequência de terem reportado os protestos de mulheres, esta quarta-feira.


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Zaki Daryabi, editor-chefe do 'Etilaatroz', um jornal diário de Cabul, divulgou imagens de cinco dos seus jornalistas que foram detidos, tendo alguns sido violentamente espancados e torturados. O responsável pela publicação afirma que os seus profissionais foram agredidos pelos talibans, durante a detenção.

"Isto é uma muito pequena parte daquilo que os talibans fizeram aos jornalistas do Etilaatroz", escreveu no Twitter.


Dois dos jornalistas detidos - Neamat Naqdi e Taqi Daryabi - falaram à AFP e deixaram-se fotografar pela agência, mostrando as marcas físicas deixadas pelas agressões. Nas imagens são bem visíveis os vergões e os hematomas na pele, depois de terem sido detidos e espancados, durante horas, por combatentes talibans, depois de cobrirem o protesto, na capital afegã, explica a agência francesa.

Naqdi, fotógrafo do jornal, estava a cobrir uma manifestação de mulheres, em frente a uma esquadra de polícia, com o seu colega, Taqi Darybai.

À AFP, o repórter contou que temeu pela vida. "Um dos talibans pôs o pé sobre a minha cabeça, esmagou-me o rosto contra o betão. Deram-me um pontapé na cabeça. Pensei que me iam matar."


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Dezenas de mulheres em Cabul e na província nordeste de Badakhshan protestaram, esta quarta-feira, por direitos e liberdades iguais e contra a formação de um governo taliban provisório que inclui apenas homens, ao contrário do inicialmente anunciado, quando os talibans tomaram o poder no Afeganistão, em meados de agosto.

 Algumas mulheres, que, nos protestos, apelaram à inclusão de ministros do sexo feminino no governo, terão sido também espancadas antes de as manifestações serem interrompidas, refere a BBC.

Imagens de mulheres a serem chicoteadas por talibans durante as manifestações desta quarta-feira foram captadas e transmitidas por algumas televisões. Mas mesmo sob esse tipo de ameaças, não pretendem desmobilizar.

"Estávamos a marchar pacificamente. Depois vi quatro, cinco veículos com cerca de 10 combatentes talibans em cada um deles, seguindo-nos", afirmou uma manifestante a uma reportagem da estação britânica. 

Na mesma reportagem, as mulheres revelaram que houve detenções de manifestantes e que foram chicoteadas e espancadas com bastões e choques elétricos.

No entanto, uma outra participante no protesto sublinhou que, apesar dos receios, incluindo das suas famílias, as mulheres não vão desistir e estão empenhadas em fazer com que a retirada da sua liberdade, as agressões e ameaças aos seus direitos mais básicos não se repitam, como no primeiro governo taliban, que durou até 2001. " É importante que levantemos a nossa voz. Não tenho medo. Continuarei a ir e voltarei a ir e voltarei a ir, até que nos matem. É melhor morrer uma vez do que morrer aos poucos."

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