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Jeremy Corbyn vira leme para a esquerda, Boris Johnson promete Brexit já
Mundo 4 min. 27.11.2019

Jeremy Corbyn vira leme para a esquerda, Boris Johnson promete Brexit já

O primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, e o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, no debate que marcou a campanha.

Jeremy Corbyn vira leme para a esquerda, Boris Johnson promete Brexit já

O primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, e o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, no debate que marcou a campanha.
Foto: AFP
Mundo 4 min. 27.11.2019

Jeremy Corbyn vira leme para a esquerda, Boris Johnson promete Brexit já

Bruno AMARAL DE CARVALHO
Bruno AMARAL DE CARVALHO
Quando faltam duas semanas e meia para as legislativas no Reino Unido, o Partido Trabalhista dá o tudo por tudo com um plano que propõe a nacionalização de setores importantes e um investimento público sem precedentes. Boris Johnson promete Brexit antes de 31 de janeiro.

 Com o Brexit a marcar os últimos anos da política britânica, Jeremy Corbyn surpreendeu na quinta-feira com a apresentação do manifesto eleitoral para as legislativas que se realizam a 12 de dezembro no Reino Unido. O líder do Partido Trabalhista que iniciou uma viragem à esquerda da formação política anunciou o programa de campanha como sendo o “mais radical e ambicioso plano das últimas décadas para transformar o Reino Unido”. Para além da nacionalização de diversos setores, aumentos para a função pública, investimento público sem precedentes, uma “revolução verde” para a economia e o aumento da taxação sobre as empresas petrolíferas, as transações financeiras e as grandes fortunas.

O “manifesto da esperança” contém a nacionalização dos caminhos-de-ferro, dos correios, das águas e do sistema de distribuição de energia para além do acesso gratuito e universal à internet, do fim no ensino superior e da residência automática aos atuais residentes de países da União Europeia (UE). Para executar este ambicioso programa, que inclui ainda a construção de 150 mil habitações sociais até 2024, Jeremy Corbyn assegura que não está previsto “nenhum aumento para 95% dos contribuintes” no objetivo de arrecadar 97 mil milhões de euros na receita fiscal, um absoluto recorde.

Se durante a campanha eleitoral de 2017 o serviço nacional de saúde era uma das principais preocupações de 41% dos britânicos, de acordo com a Ipsos, agora será determinante para o sentido de voto de 54%, taco a taco com o Brexit, decisivo para 55% dos eleitores. A referência à “revolução verde” pretende também satisfazer o crescente número de cidadãos do Reino Unido preocupados com as alterações climáticas, o que inclui, segundo a Ipsos, 27% dos que votaram nos conservadores em 2017. O programa eleitoral promete uma verba de quase 467 milhões de euros para investir no setor verde até 2030.

O líder do Labour Party aproveitou para criticar “o terço dos milionários do Reino Unido que fez doações para o Partido Conservador” apresentando-o como “milionários, os super-ricos, os que fogem aos impostos, os maus patrões e os grandes poluidores” que “controlam” a formação política que está no governo. “Trata-se de um manifesto lotado de políticas públicas que foram bloqueadas pelo establisment político durante uma geração”, apontou Corbyn na apresentação do documento de 107 páginas que tenta vincar as diferenças com os conservadores.

É o regresso do histórico partido da esquerda britânica às raízes, quando o Partido Trabalhista liderou o plano de reconstrução do país depois da Segunda Guerra Mundial, nacionalizando cerca de 20% da economia. Foi com Margaret Thatcher que boa parte destas medidas seriam revertidas na década de 80 e Corbyn fez questão de recordar isso mesmo acusando-a de “arrasar enormes porções da indústria”.

A estratégia do líder da oposição parece apostada em reconquistar a parcela do eleitorado descontente com a estagnação económica que tem votado nos partidos que apresentam a saída da UE como caminho. Esse é, aliás, como não podia deixar de ser, um dos pontos em destaque no manifesto. Jeremy Corbyn estabeleceu o caminho a percorrer pelos trabalhistas se ganharem as eleições com a renegociação do acordo de saída da UE com Bruxelas, no espaço de três meses, pondo-o à votação dos britânicos através de um referendo, em seis meses, a par da permanência do Reino Unido na União Europeia. Qualquer que seja o desfecho do referendo, os trabalhistas garantem que será implementado.

Boris Johnson promete Brexit antes de 31 de janeiro

De acordo com o Sol, quanto ao maior investimento público, o diretor do think tank Instituto de Estudos Fiscais, Paul Johnson, salientou à ITV que “é impossível subestimar o quão extraordinário é este manifesto, em termos da escala do dinheiro gasto e angariado”. Já o Partido Conservador, liderado pelo primeiro-ministro Boris Johnson, não pretende aumentar os atuais gastos públicos para além dos 1,8 mil milhões de euros já no próximo ano e 3,3 mil milhões em 2021 e 3,4 nos anos seguintes da legislatura.

São número muito inferiores aos apresentados pelos trabalhadores e modestos tendo em conta que de acordo com o programa eleitoral conservador não se prevêem aumentos nos impostos, incluindo o IVA, e que há a promessa de contratar 50 mil novos enfermeiros para o sistema nacional de saúde e mais 20 mil novos polícias. São ainda 116 mil milhões de euros prometidos para investir na melhoria da rede rodoviária, ferroviária, nos hospitais e nas escolas.

Mas se ganhar as eleições, Boris Johnson promete a saída do Reino Unido da UE já antes de 31 de janeiro. Nestas eleições, consideradas pelos conservadores como as “mais cruciais da história moderna”, o atual primeiro-ministro promete “unir o país e resolver o caos”. 

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