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Já nem a família suporta Boris Johnson e critica-o publicamente
Mundo 2 5 min. 10.10.2019 Do nosso arquivo online

Já nem a família suporta Boris Johnson e critica-o publicamente

Da esq. para dir. Boris com os seus três irmãos, Rachel, Leo e Jo, mais o namorado da irmã ( o mais à esq.),

Já nem a família suporta Boris Johnson e critica-o publicamente

Da esq. para dir. Boris com os seus três irmãos, Rachel, Leo e Jo, mais o namorado da irmã ( o mais à esq.),
Mundo 2 5 min. 10.10.2019 Do nosso arquivo online

Já nem a família suporta Boris Johnson e critica-o publicamente

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Enquanto o pai se juntou ontem aos manifestantes pelo clima, a irmã acusa-o de bullying e o irmão demitiu-se do seu governo.

O pai e os dois irmãos do primeiro-ministro inglês têm feito campanha contra Boris já não reconhecendo nele o filho e o irmão que sempre tiveram. 

O progenitor, Stanley Johnson, e os irmãos Jo e Rachel Johnson sempre foram europeístas convictos e defenderam a permanência do Reino Unido na União Europeia. 

Contudo, por amor a Boris aceitaram apoiá-lo pessoal e politicamente nesta sua missão como primeiro-ministro e protagonista da saída do país da comunidade.

Boris com o pai Stanley e os quatro irmãos, Rachel, Jo e Leo (o mais à dir.) mais uma amiga (de vestido branco) e o companheiro de Rachel (o mais à esq.), numa imagem antiga.
Boris com o pai Stanley e os quatro irmãos, Rachel, Jo e Leo (o mais à dir.) mais uma amiga (de vestido branco) e o companheiro de Rachel (o mais à esq.), numa imagem antiga.

O mais novo dos irmãos, Jo até fez parte do governo de Boris, mas acabou por se demitir, em colisão com ele.  

A afronta pública do pai

A última afronta a Boris Johnson foi feita ontem pelo seu pai, Stanley Johnson. O progenitor, que trabalhou na Comissão Europeia, juntou-se às centenas de manifestantes pelo clima que se concentram em Trafalgar Square. 

Para o filho que já deu ordens de deter mais de meia centena de pessoas, os protestantes são "sem-abrigo não cooperativos" e que devem abandonar as suas "tendas com cheiro a canábis" e sair da praça londrina.

 

Em resposta, o seu pai juntou-se ao protesto organizado pelos ecologistas Extinction Rebellion, usa o emblema do movimento na lapela “com orgulho” e diz que “as emissões de carbono para zero” são extremamente importantes”.

O pai e Boris Johnson juntos há uns meses.
O pai e Boris Johnson juntos há uns meses.

Os manifestantes já anunciaram que vão bloquear o aeroporto London City, pacificamente para alertar contra a extensão do aeroporto que consideram incompatível com a “crise climática” decretada pelo governo britânico.

Será que Stanley Johnson se juntará a eles?

Uma fotografia dos quatro irmãos em crianças com a mãe divulgada pela irmã Rachel Johnson.

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National Sibling Day special

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  Irmã acusa-o de “bullying”

Rachel Johnson é entre os irmãos a mais descontraída e parecida com Boris no modo de agir sem ligar a ninguém.

Rachel Johnson com o pai Stanley Johnson.
Rachel Johnson com o pai Stanley Johnson.

 Em fevereiro deste ano, Rachel que é jornalista da televisão na Sky News decidiu despir a camisa e ficar em topless no programa que apresenta, em protesto contra o Brexit. Isto no dia em que o seu programa ‘The Pledge’ debatia a saída do Reino Unido da UE e falava sobre o protesto “o Brexit deixará o Reino Unido despido”.

Mas nem a rebelde Rachel que já participou num reality show e andou pela política, sempre no lado pró-União Europeia, tendo concorrido ao Parlamento Europeu na lista pró-EU Change UK e fez também parte do Partido dos Liberais Democratas, já consegue reconhecer o seu irmão Boris.

Foto: AFP

 “O Boris Johnson da tribuna parlamentar não é o Boris Johnson lá de casa”, afirma. “Se calhar, quando se coloca um homem diante da tribuna, ele torna-se uma pessoa completamente diferente. Passa a ser uma espécie de púlpito para bullying”, declarou na Sky News.

Rachel revoltou-se contra Boris, o político, pela desconsideração que deu a entender ter pela família de Jo Cox, deputada assassinada, em 2016, durante a campanha do referendo para a permanência do Reino Unido na UE. Cox era a favor da permanência.

Por causa da sua morte por um nacionalista radical, o primeiro-ministro foi repreendido por uma deputada trabalhista, Paula Sherriff que o alertou para o perigo dos termos que usa quando fala de quem se opõe à saída.

 “Muitos somos alvo de ameaças de morte e insultos todos os dias. Quero dizer ao primeiro-ministro que é frequente citarem as suas palavras: lei da rendição, traição, traidor. Estou farta. Temos de moderar a nossa linguagem”, disse a Boris Johnson pedindo moderação. Ao que o primeiro-ministro respondeu: “Nunca ouvi maior disparate”.

Rachel Johnson veio logo criticar o irmão na sua estação de televisão. “Foi de particular mau gosto, para aqueles que choram uma mãe, deputada e amiga, dizer que a melhor forma de honrar a sua memória é fazer aquilo contra o que ela e a sua família faziam campanha”.

A jornalista realça que ama o seu irmão, e gosta dele como pessoa, mas contesta-o como político, não concordando com as suas ideias.

 Irmão Jo deixa governo

Ao mais novo dos irmãos, Jo, coube talvez a decisão mais difícil na hora de apoiar Boris.

Boris e o irmão Jo Johnson.
Boris e o irmão Jo Johnson.
Pa/PA Wire/dpa

Este deputado já tinha feito parte dos governos de David Cameron, como Secretário de Estado no gabinete do primeiro-ministro e de Theresa May, do qual se demitiu em janeiro de 2018, precisamente para defender a permanência do Reino Unido na União Europeia, manifestando-se contra o Brexit.

Contudo, este deputado conservador aceitou o pedido do irmão para fazer parte do seu governo, como secretário de Estado das Universidades e da Ciência. Esteve lado a lado com Boris Johnson até não conseguir alinhar mais pelas medidas políticas do irmão, sobretudo pela ideia da “saída do Brexit sem acordo”.

E, em setembro, apresentou a demissão justificando estar dividido “entre a lealdade familiar e o interesse nacional”. O que assumiu numa mensagem no Twitter “É uma tensão impossível de resolver e é tempo para outros assumirem os meus lugares enquanto deputado e secretário de Estado”.

Jo Johnson no dia em que apresentou a demissão.
Jo Johnson no dia em que apresentou a demissão.
Foto: AFP/Ben Stansall

Na altura, o primeiro-ministro elogiou o irmão, dizendo que Jo era “fantástico”.

“O Jo não concorda comigo acerca da União Europeia porque, obviamente, é uma questão que divide famílias e divide toda a gente”, justificou.

Mas, declarou que preferia “morrer numa valeta” do que ir a Bruxelas pedir um novo adiamento do Brexit.

“Boris Johnson é uma ameaça tão grande que nem o seu próprio irmão confia nele”, disse Angela Rayner, do Partido Trabalhista aquando a demissão de Jo Johnson.

Ainda existe um outro irmão, Leo que trabalha na área financeira e embora afastado da política, já demonstrou ser também europeísta e discordar com as ideias de Boris para o futuro solitário do Reino Unido.

Neste momento, o primeiro-ministro inglês já nem pode contar com a própria família para o apoiar. Ele que está a ficar cada vez mais sozinho num país já cansado e dividido.


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