Escolha as suas informações

Itália. Salvini vai ser julgado por impedir "sequestro" de migrantes
Mundo 2 min. 12.02.2020

Itália. Salvini vai ser julgado por impedir "sequestro" de migrantes

Itália. Salvini vai ser julgado por impedir "sequestro" de migrantes

Foto: AFP
Mundo 2 min. 12.02.2020

Itália. Salvini vai ser julgado por impedir "sequestro" de migrantes

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Senado italiano aprovou por maioria a retirada de imunidade do ex-ministro que vai responder em tribunal pela acusação de sequestro de 131 migrantes.

O ex-ministro do Interior de Itália, Matteo Salvini vai a tribunal responder pelo sequestro de mais de uma centena de migrantes em 2019. A acusação prende-se com o facto de o líder do partido de extrema-direita Liga ter bloqueado o desembarque de 131 migrantes em julho de 2019.

Salvini será julgado em tribunal depois de a maioria do Senado italiano ter decido, esta quarta-feira, retirar-lhe a imunidade. O caso enquadra-se na política de migração que manteve enquanto foi ministro do Interior no Governo de coligação, apoiado pelo Movimento 5 Estrelas, e que passava por impedir o desembarque de barcos de ONGs com refugiados e migrantes resgatados do mar.

O político terá agora de responder pela decisão que tomou de fechar portos e de não permitir que os migrantes resgatados desembarcassem em Itália, mantendo-os durante vários dias trancados nos barcos das ONG.

No caso concreto de julho de 2019, o então ministro terá mandado reter os 131 migrantes durante cinco dias, num navio da Guarda Costeira italiana.

Durante a administração de Salvini, elementos de várias organizações governamentais foram acusados de auxílio à imigração ilegal, enfrentando processos na justiça italiana e arriscando penas de prisão de 20 anos. 

Foi o caso de Miguel Duarte, em 2016. O português foi acusado com mais nove pessoas da organização não-governamental (ONG) alemã Jugend Rettet, que, com o navio Iuventa, participou em missões de resgate de migrantes e refugiados no Mediterrâneo. 

O ex-ministro veio entretanto a público defender-se das acusações que o levarão a tribunal, afirmando que estava a defender o país e que a política de "portos fechados" que seguiu foi uma forma de pressionar a União Europeia a recolocar os migrantes e refugiados noutros países. 

 "Não tenho medo e explicarei que defendi o meu país”, afirmou em declarações ao jornal italiano 'La Stampa', depois de ter dito por várias vezes, no  parlamento italiano, não recear ir a tribunal. 

Em reação à decisão do Senado, Salvini disse estar "absolutamente calmo" e "orgulhoso". "E fá-lo-ei outra vez, assim que voltar ao governo", afirmou, acrescentando que a sua política "salvou dezenas de milhares de vidas".

O ex-ministro enfrenta uma pena que, em caso de condenação, pode chegar aos 15 anos de prisão.



Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas

Capitã do navio humanitário processa Salvini
Referindo que o ministro italiano, conhecido por criar a regra dos “portos fechados” a refugiados, impulsiona os ódios, o advogado explicou que uma queixa por difamação “é uma maneira de enviar um sinal”, defendeu , afirmou um dos advogados de Carola Rackete.