Escolha as suas informações

Israel usa vacina como moeda de troca para favores políticos
Mundo 2 min. 24.02.2021

Israel usa vacina como moeda de troca para favores políticos

Israel usa vacina como moeda de troca para favores políticos

Foto: AFP
Mundo 2 min. 24.02.2021

Israel usa vacina como moeda de troca para favores políticos

Depois de usar vacina russa para negociar entrega de cidadã israelita detida na Síria, Israel anunciou que vai enviar vacinas a países que ponderam deslocar a sua embaixada de Telavive para Jerusalém.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel vai enviar vacinas a um lote de países que, de acordo com meios de comunicação locais, inclui as Honduras, Guatemala, Hungria e República Checa.

"Durante o último mês, acumulou-se uma quantidade limitada de vacinas não utilizadas, pelo que decidimos ajudar as equipas médicas da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) e vários outros países que contactaram Israel, com uma quantidade simbólica de vacina", afirmou Netanyahu numa declaração.

Até agora ainda não foram divulgados quaisquer detalhes sobre a quantidade de vacinas destinadas à Palestina ou se irão exceder as 3 mil que Israel ainda tem de enviar às autoridades palestinianas com base num acordo assinado no mês passado.

Mas Israel usa as vacinas também como parte da sua política estratégica de conquistar apoios a nível mundial. Os quatro países mencionados são alguns dos principais aliados diplomáticos de Israel. Enquanto a Guatemala, tal como os Estados Unidos, transferiu a sua embaixada para Jerusalém em 2018, as autoridades das Honduras, Hungria e República Checa prometeram em mais de uma ocasião que seguiriam o exemplo e já abriram escritórios com estatuto diplomático na Cidade Santa.

A República Checa já recebeu vacinas de Israel. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Tomás Petricek, defendeu, citado pelo site Euractiv, que não se trata de uma mudança de embaixada, que se manterá em Telavive, mas sim de juntar “representação diplomática” ao seu gabinete em Jerusalém, o que é visto como um passo antes da abertura de uma embaixada.

Já na semana passada, Israel pagou quase um milhão de euros pelo envio de milhares de doses da vacina russa à Síria em troca da entrega de uma mulher israelita que havia penetrado ilegalmente no país vizinho. Acordo incluiu ainda a devolução de dois prisioneiros sírios.


Israel paga em vacinas devolução de cidadã capturada pela Síria
A polémica estalou em Telavive depois de se tornar público que Israel pagou quase um milhão de euros pelo envio de milhares de doses da vacina russa à Síria em troca da entrega de uma mulher israelita que havia penetrado ilegalmente no país vizinho.

Até agora, Israel, com uma população de pouco mais de nove milhões, já inoculou 4,5 milhões de pessoas com a primeira dose de vacina Pfizer e mais de três milhões com a segunda.

Após um terceiro confinamento de seis semanas, o país está a avançar numa transição faseada para a normalidade, apoiada pela sua rápida campanha de vacinação, que esta semana incluiu a reabertura de centros comerciais, bibliotecas e museus para toda a população e ginásios, piscinas, hotéis e espaços para eventos desportivos ou culturais para aqueles que passaram uma semana desde que foram administrados com a segunda dose da vacina.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Três notas sobre vacinas e desigualdade
Regresso ao tema das vacinas porque, mais do que as notícias catastróficas dos números que nos assolam nos últimos dias, são elas que nos dão alguma esperança no futuro próximo. Não sem custos. Uma crónica de Raquel Ribeiro.